Opinião

Falta uma bancada do Serviço Público no Congresso Nacional

diario da manha

Se­gun­do da­dos do IB­GE, 12 em ca­da 100 tra­ba­lha­do­res bra­si­lei­ros são ser­vi­do­res pú­bli­cos. Cu­ri­o­sa­men­te, exis­tem ban­ca­das no Con­gres­so Na­ci­o­nal dos mais va­ri­a­dos ti­pos (da ba­la, do agro­ne­gó­cio, até da Bí­blia), mas não há uma ban­ca­da que de­fen­da o ser­vi­ço pú­bli­co.

Ape­sar da re­le­vân­cia nu­mé­ri­ca e da sua im­por­tân­cia, o fun­cio­ná­rio de ins­ti­tu­i­ções pú­bli­cas ain­da não per­ce­beu a ne­ces­si­da­de de vo­tar em can­di­da­tos que te­nham em su­as pla­ta­for­mas ações vol­ta­das pa­ra me­lho­ri­as no ser­vi­ço pú­bli­co no Bra­sil.

Não se tra­ta de ele­ger can­di­da­tos que de­fen­dam o ser­vi­dor. Não es­tou fa­lan­do do in­di­ví­duo, mas da­qui­lo que ele ofe­re­ce. Quan­do de­fen­de­mos o ser­vi­ço pú­bli­co, es­ta­mos de­fen­den­do a po­pu­la­ção que faz uso dos ser­vi­ços es­sen­ci­ais. Quan­do o ser­vi­ço pú­bli­co é ata­ca­do, quem per­de é o po­vo, prin­ci­pal­men­te o mais po­bre, que de­pen­de do Es­ta­do em áre­as vi­tais, co­mo edu­ca­ção e sa­ú­de.

Uma ban­ca­da que de­fen­da o ser­vi­ço pú­bli­co te­ria, por exem­plo, se ar­ti­cu­la­do con­tra a ter­cei­ri­za­ção ir­res­tri­ta apro­va­da em 2017, por en­ten­der que be­ne­fi­cia ape­nas um pe­que­no gru­po de em­pre­sá­rios e pre­ca­ri­za os ser­vi­ços à po­pu­la­ção.

Es­sa ban­ca­da te­ria se ar­ti­cu­la­do por en­ten­der que os me­lho­res pro­fis­si­o­nais não de­vem vir de ter­cei­ri­za­das, mas se­le­ci­o­na­dos via con­cur­so pú­bli­co, em que são apro­va­dos aque­les com mais co­nhe­ci­men­to.

Uma ban­ca­da pe­lo ser­vi­ço pú­bli­co ja­mais con­ce­de­ria vo­tos pa­ra a pro­pos­ta da re­for­ma da Pre­vi­dên­cia. Se­ria con­tra por en­ten­der que ela be­ne­fi­ci­a­va ape­nas o mer­ca­do, in­clu­in­do os ban­cos, e por­que pre­ju­di­ca­va o tra­ba­lha­dor em vá­rios as­pec­tos.

De­pu­ta­dos que de­fen­dem o ser­vi­ço pú­bli­co se­ri­am con­tra o te­to de gas­tos, que con­ge­la in­ves­ti­men­tos na edu­ca­ção e na sa­ú­de, áre­as nas qua­is há mui­tos ser­vi­do­res em ati­vi­da­de, por con­si­de­rar que, mais uma vez, os mais po­bres se­ri­am afe­ta­dos.

A ideia de uma ban­ca­da po­de fa­zer mui­tas pes­so­as tor­ce­rem o na­riz. O ser­vi­ço pú­bli­co, in­fe­liz­men­te, é mal vis­to por mui­tos. O ser­vi­dor, en­tão, nem se fa­la. Quan­do al­guém vai ao pos­to de sa­ú­de e não en­con­tra me­di­ca­men­tos, a cul­pa cai nos om­bros de quem es­tá na li­nha de fren­te. Mui­tos não se lem­bram de que exis­tem uma má­qui­na pú­bli­ca que não fun­cio­na di­rei­to e a cor­rup­ção que des­via ver­bas.

En­ga­na-se quem pen­sa que o Bra­sil tem um nú­me­ro enor­me de ser­vi­do­res. Em paí­ses com óti­mo ín­di­ce de de­sen­vol­vi­men­to hu­ma­no, são 21 em ca­da 100 tra­ba­lha­do­res – o do­bro do Bra­sil. Di­na­mar­ca e No­ru­e­ga são exem­plos. Por que não se­guir o exem­plo de paí­ses on­de o ser­vi­ço pú­bli­co é va­lo­ri­za­do?

Atu­al­men­te há de­pu­ta­dos fe­de­ra­is e se­na­do­res que não vi­e­ram do fun­cio­na­lis­mo e que se pre­o­cu­pam com a qua­li­da­de do ser­vi­ço pú­bli­co no Bra­sil. En­tre­tan­to a for­ma­ção de uma ban­ca­da da­ria mais for­ça às pau­tas de in­te­res­se da área.

Não pre­ten­do nem pos­so fa­zer cam­pa­nha pa­ra can­di­da­tos, mas pos­so re­co­men­dar, es­pe­ci­al­men­te aos ser­vi­do­res, que con­fi­ram se seus can­di­da­tos não são in­ves­ti­ga­dos na La­va Ja­to ou se va­lo­ri­zam o ser­vi­ço pú­bli­co.

 

(An­to­nio Tuc­cí­lio, pre­si­den­te da Con­fe­de­ra­ção Na­ci­o­nal dos Ser­vi­do­res Pú­bli­cos –  CNSP)

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