Opinião

O que uma partida de futebol da Champions League pode nos “ensinar” sobre preconceito?

diario da manha

Este texto tem a finalidade de reflexão para além dos olhares esportivos. Aprendemos desde a infância que o esporte não se trata de competitividade, mas de aprendizado entre relações individuais e coletivas. Eu mesmo, não sou um fanático futebolístico, mas como pesquisador, parei para refletir e conclui uma infinidade de conclusões (redundante, mas é isso mesmo).

Inicialmente, precisamos entender que a Champions League é uma competição de clubes de futebol da Europa que movimenta bilhões de euros anualmente. Não se trata apenas de uma competição, mas sim de uma indústria esportiva e de entretenimento, extremamente lucrativa.

Durante as partidas, o continente europeu e demais países, param para assistir ansiosamente as performances de cada jogador. É importante ressaltar que muitos dos jogadores que circulam nos times europeus, não são europeus. Inclusive, há mais de 70 jogadores brasileiros que participam deste campeonato (ESPN, 2020).

Trata-se de uma infinidade de culturas e relações étnico raciais ali estabelecidas, onde cada ser humano deve ser respeitado como ser humano que é. No entanto, a indústria esportiva e de entretenimento talvez estabeleça uma outra relação que vincula-se em uma opressão que se enraíza numa ótica de raça, classe e gênero (AKOTIRENE, 2019).

Pode-se constatar que a indústria esportiva e de entretenimento realiza uma exploração para com os jogadores e por mais que muitos destes recebam valores estrondosos como remuneração, podendo ser “ATÉ” considerados “DEUSES”, em diversos episódios foram considerados como “MERCADORIAS”. Sim, não se assuste caro leitor, estou mesmo fazendo uma analogia ao período de compra e venda de “carne negra” estabelecida no período colonial e de dominação europeia pelo mundo afora.

Pode soar até como espantoso a reação de alguns dos jogadores em se retirar do campo de futebol de uma partida que se realizou nesta semana. Mas, não é uma situação inusitada e de preconceito étnico racial, que aos meus olhos deve ser diariamente debatida.

Em um outro viés, trata-se de uma relação generalizada de discriminação que não ocorre isoladamente na Europa, mas que vem carregada de um olhar eurocêntrico. No Brasil, inclusive, podemos mencionar a relação de necropolítica, onde os negros são marcados para morrer e morrem diariamente. Crianças são mortas por brincar nas ruas em uma situação tão violenta e brutal que não há como explicar. Pessoas são mortas em supermercados e nas ruas pelo simples fato de serem negras.

A contemporaneidade ainda não conseguiu compreender que todos somos sujeitos de direitos e que devemos ser respeitados independente do gênero, sexualidade, “raça” e/ou etnia. É incabível, ter de explicar que a escravidão foi uma relação genocida, que atos que atentam a uma relação de superioridade étnico racial precisam ser cotidianamente combatidos.

Não podemos fechar nossos olhos. Não podemos nos calar. Precisamos gritar por justiça e seguir lutando pela impunidade, a título de exemplificação, dos mais de 1000 (mil) dias da não conclusão das investigações sobre o caso Marielle Franco e Anderson Gomes.

Se a sociedade ainda não aprendeu o que é respeito, é necessário levantar a voz, sair do campo e estabelecer pelo meio de lutas a normalização da “cultura” do respeito. BASTA!!!

Curiosamente, me pergunta, como combater tais situações? E aqui, para finalizar, eu gostaria de fazer um convite, que é a sobre o evento de encerramento de semestre dos cursos de Direito e de Gestão Pública do Centro Universitário Araguaia, com a temática SUJEITOS NEGLIGENCIADOS: DIÁLOGOS ACERCA DAS DESIGUALDADES SOCIAIS, PRECONCEITO E RACIALIDADE NA CONTEMPORANEIDADE BRASILEIRA, que ocorrerá no dia 17/12. Logo, logo, maiores informações estarão disponíveis em nossas redes sociais (Instagram @UNIARAGUAIADIREITO).
Certamente, dialogar, esclarecer, lutar e construir um lugar onde os sujeitos possuem voz, sem dúvida, é um dos meios eficazes para que se entendam o que é respeito/igualdade. E o UNIARAGUAIA, mais uma vez cumpre sua função social em abordar temas tão importantes como essa!

Escrito por: Alexandre Nascimento Pinheiro
(e-mail: [email protected])
Docente do Curso de Direito, Coordenador da Pós-Graduação em Direitos Homoafetivos e Coordenador do Grupo de Estudos sobre Gêneros, Sexualidades e Constitutionalismos do Centro Universitário Araguaia.

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