Opinião

Goianos durante a segunda guerra mundial

Nada mais oportuno do que nesta data, Dia do Soldado, lembrar a presença de goianos no transcorrer da segunda grande guerra

diario da manha

Nada mais oportuno do que nesta data, Dia do Soldado, lembrar a presença de goianos no transcorrer da segunda grande guerra. Tão logo o Brasil entrou no conflito, a partir de julho de 1944, muitos goianos, especialmente os radicados em Catalão e Goiandira, alguns já reservistas e outros ainda prestando o serviço militar no 6º BC em Ipameri, foram transferidos para várias cidades do Estado de São Paulo, onde, a qualquer momento, poderiam ser convocados ao porto de Santos para incorporação à Força Expedicionária Brasileira (FEB) e seguirem com destino à Itália.

Os de Goiandira eram cinco: Irapuan Victor Rodrigues (Niquita), Pedro Crisóstomo (Pedro Diária), Dário Martins Teixeira Filho (Darico), Geraldo Porto Tristão e Elias Gabriel Thomé. Somente Elias foi para Santos, mas devido a um problema dentário não recebeu ordem de embarque. Entretanto, posteriormente, como todos os que estiveram na iminência de seguir para o front, foi considerado combatente.

Pedro permaneceu em Pindamonhangaba, Darico foi para ilha de Fernando de Noranha e Geraldo ficou em Bauru, onde, mais tarde, depois de dar baixa, se casou. Niquita continuou na capital paulista, no bairro Ibirapuera e se tornou ordenança do comandante da corporação.

Entre os 17 de Catalão estava João Kotinic, que morou em Goiandira, e o bravo soldado Aldemar Ferrugem, morto heroicamente em batalha na Itália. Numa justa homenagem à sua pessoa, o Rotary Clube ergueu um monumento em Catalão, onde há também uma rua com   seu nome, o mesmo acontecendo no bairro Campinas, em Goiânia, com a nova denominação dada à antiga avenida Paraíba.   

Naquela época, o soldado engajado, ou seja, aquele que não era mais recruta por ter permanecido no Exército após o decurso do prazo do serviço militar obrigatório, recebia um soldo maior, que poderia ser majorado, caso optasse para ficar desarranchado, isto é, tomando refeições fora do quartel. Niquita, que já era cabo, adotou esta opção, por achá-la mais vantajosa, tanto financeiramente como pela qualidade da refeição. Isso, não obstante, foi convidado pelo comandante a tomar suas refeições na cantina dos oficiais. Agradeceu, porém, o honroso convite, dizendo que poderia aceitá-lo um dia ou outro, mas não diariamente, porque não seria justo nem legal, como desarranchado, desfrutar do privilégio. Com isto, a admiração do oficial pelo seu honestíssimo ordenança aumentou consideravelmente.

Como grande craque de futebol, fez parte do plantel de aspirantes do famoso Palmeiras. Ele atuava como centro-médio (posição do futebol antigo). Era hábil para dar uma traiçoeira cabeceada com a nuca, que surpreendia os adversários, sobretudo o goleiro.

Depois de deixar o ofício militar, ingressou-se na Rede Ferroviária Federal e trabalhou muito tempo na estação de Goiandira. Mais tarde, já aposentado, faleceu em São Paulo, onde foi sepultado, embora fosse de seu desejo que isso acontecesse em Goiandira. Tempos depois, foi exumado e remetido a esta cidade, numa pequena urna, via ferroviária. Causou um certo espanto, quando funcionários dos Correios receberam um telegrama endereçado a um familiar do falecido, com os seguintes dizeres: Segue o Niquita na estrada de ferro.

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