Opinião

Informação e formação para uma boa educação

Articulista propõe: brasileiros que comungam dos ideais conservadores precisam selecionar e escolher fontes de informações

diario da manha
Foto: Reprodução

Inácio Pereira Neves Filho

Há alguns anos, tenho me debruçado sobre a importância de priorizarmos a nossa formação e não buscarmos apenas informação. Na seara política, passei a observar o comportamento dos eleitores conservadores brasileiros e o pessoal da esquerda liberal-progressista no aspecto da formação ideológica.

Em minha percepção, independentemente da posição político-partidária, a população brasileira, em sua imensa maioria, é composta de pessoas íntegras e que querem o melhor para o Brasil. As divergências situam mais no campo das ideias e posições abraçadas por esse ou aquele grupo político e decorre da nossa má formação, enquanto cidadão, e da falta de vontade política do poder público em priorizar a Educação em nosso país. Nas palavras do Padre Antônio Vieira “a boa educação é moeda de ouro. Em toda a parte tem valor”.

Tenho percebido que, mesmo diante da comprovação de que Lula, ao longo de mais de 13 anos em que esteve no comando do poder político no Brasil, protagonizou uma verdadeira desconstrução da estrutura familiar conservadora, seus eleitores não o abandonam sob nenhuma hipótese – faça chuva ou faça sol. Nem mesmo o fato de o ex-presidente ter entrado para o ranking dos líderes mais corruptos da história da humanidade é suficiente para sua tropa abandoná-lo. A constatação é a de que muitos desses apoiadores, no fundo, no fundo, não concordam com a corrupção, a liberação das drogas e do aborto, a ideologia de gênero, a linguagem neutra, e muitas outras pautas de viés progressista abraçadas pelos movimentos da esquerda liberal. Tamanha é a devoção e obediência ao ídolo que esses eleitores optam por fingir que não estão vendo essas aberrações e focam, precisamente, naquilo que imaginam que o chefe supremo possui de extraordinário – o seu carisma e o seu “espírito democrático”. O primeiro é fato; o segundo, narrativa (pra usar uma expressão do momento). Merece ser destacado o fato de que essa turma está sempre engajada e de prontidão para abraçar, com “unhas e dentes”, as determinações do líder máximo, inclusive a ordem para, se for o caso, votar em um poste – como já aconteceu no passado recente. Sem qualquer ironia, vejo isso como positivo do ponto de vista do engajamento da militância, o que é de fazer inveja a nosoutros – apáticos conservadores, amantes da nossa redoma.

Apesar de serem radicalmente contra a liberação das drogas, o aborto, a ideologia de gênero, a linguagem neutra e muitas outras pautas liberais, os conservadores brasileiros ainda são bem acanhados no enfrentamento responsável a esses males. Nos últimos tempos essa agenda liberal, aos poucos, foi invadindo a sociedade até acertar seu propósito maior: atingir o âmago da família tradicional, dividi-la, esfacelá-la, cooptá-la; no início, sutilmente, depois, na cara dura mesmo: é a força do comunismo moderno, cuja bola da vez, depois da Argentina, é o Brasil. À essa ofensiva, os conservadores passaram a desenvolver paralisia reacionária – uma espécie de preguiça mental de reagir à guerra cultural instalada. Defender e divulgar valores e princípios cristãos e familiares  passou a ser visto, pelos próprios conservadores, como comportamento de gente chata e inconveniente. É como se defender o modelo de família tradicional fosse algo proibido ou vergonhoso, cujo medo levou a sociedade contemporânea a assistir – diariamente e de camarote – “o poste fazendo xixi no cachorro”. Soma-se a tudo isso o fato de a maioria dos conservadores brasileiros não ter muita vocação para venerar seu líder político, porque tem consciência de que esse fanatismo e obediência irrestrita ao seu representante, não contribui para uma sociedade melhor. Para a parcela de fanáticos que circulam nesse meio conservador, o ideal seria que tais pessoas aderissem ao comportamento equilibrado da maioria, ao invés de prejudicá-la com determinados comportamentos extremistas.

Em sua difícil e incansável tarefa de buscar afinidade de suas ideias com a do seu candidato a presidente da república, os conservadores brasileiros sempre optam – nem que for por exclusão – por alguém em quem acreditam ser o melhor dentre os existentes em determinado momento da política nacional. Tais eleitores não possuem apego a esse ou aquele nome, pois defendem ideais, e isso os diferenciam dos progressistas, em especial os que votam no Partido dos Trabalhadores. No presente momento, os conservadores apoiam – não de forma incondicional – o governo do presidente Jair Bolsonaro, por entender que a maioria das suas pautas e bandeiras, efetivamente, está comprometida com essa agenda conservadora nos costumes, com a qual se identificam. Não há dúvida de que há determinadas bandeiras defendidas pelo atual governo e certos comportamentos e posturas do presidente da república com os quais a família conservadora não concorda. Nenhum conservador sensato e intelectualmente honesto vai discordar disso, sendo desnecessário enumerar aqui tais bandeiras e atos prontamente repudiados. Ocorre que, na primeira oportunidade em que o atual chefe da nação (ou outro presidente conservador que vier a sucedê-lo) não governa do jeitinho que seus eleitores querem, vários desses apoiadores esquecem-se de tudo de bom que o governante fez ou poderá fazer pelo país e o foco passa a ser os comportamentos, posturas e demais negatividades do presidente. Muitos até – impacientes e por não conseguirem enxergar um palmo adiante do nariz – pulam do barco de imediato, sentindo-se frustrados. Sob a perspectiva do Coaching Integral Sistêmico, “tá tudo certo, cada um tem a vida que merece”, como diz Paulo Vieira.

Penso que os cristãos e defensores da família tradicional brasileira podem aprender – no bom sentido – com o outro lado. Afinal, mesmo não concordando com a maneira de pensar e agir dos liberais progressistas, a mínima formação ideológica que possuem consegue superar a incipiente formação da direita brasileira. Percebe-se que o grupo de lá bebe da mesma fonte de informação onde o seu líder bebe, pouco importando a qualidade do conteúdo a ser ingerido; apaixonam por suas ideias e as disseminam; além de serem focados e disciplinados nessa missão. Esse doutrinamento acaba por influenciar a maneira como eles passam a enxergar o mundo, muitos deles, inclusive, tornando-se preguiçosos (não afetos ao trabalho duro) e passando a adotar como modo de vida o “mi mi mi” do politicamente correto. Entretanto, isso não retira o mérito de serem eternamente engajados na missão do mestre que cultuam.

Na minha ótica, está na hora de a família conservadora brasileira ter a humildade e a sabedoria suficientes para entender que é preciso priorizar a nossa formação – isso mesmo, a nossa FORMAÇÃO. Formação que é diferente de mera INFORMAÇÃO. Entendo que um comportamento politicamente saudável é aquele em que o eleitor não tenha necessidade de seguir à risca e abraçar todas as orientações e pautas do governante ou líder que apoia, seja ele quem for. Nesse sentido, percebo que, para os conservadores sensatos, a pecha de “gado”, longe de “cair como uma luva”, não passa de falsa retórica, própria de quem não consegue convencer com argumentos.

Inácio Neves Filho é promotor de Justiça e escritor

O insight que me vem é que os brasileiros que comungam dos ideais conservadores acima esposados, precisam, urgentemente, acima de tudo, selecionar e escolher fontes de informações seguras e confiáveis para que, a partir daí, possam mergulhar nesse importante processo de formação cívico-patriótico da família brasileira. Nem é preciso afirmar que a velha imprensa, representada principalmente pelos tradicionais canais de TV e pelos grandes jornais, de há muito, vem prestando desserviço à nação, sendo desnecessário discorrer aqui sobre os malefícios que grande parte desses meios de comunicação tem ocasionado à sociedade brasileira ao longo dos últimos anos. É de conhecimento de todos que as redes sociais têm disponibilizado, diariamente, vários posts, áudios, vídeos e lives, com conteúdos, prioritariamente, de promoção da família, com indicação de livros, filmes e cursos, gratuitos ou não, que levam à essa importante formação.

Então, para que essa minha modesta contribuição traga frutos, tomo a liberdade de sugerir a todos os que comungam das minhas ideias, acima expostas, as seguintes reflexões: Que tal, a partir de agora, estabelecermos como prioridade, em nossa rotina, o compromisso de buscar informação em fontes seguras e confiáveis? Além de buscar essa informação de qualidade, que tal priorizarmos, em nossa rotina, a participação em palestras, lives, cursos e outras formações, que ponham em relevo valores e princípios cristãos, familiares e cívicos? É importante conhecermos, profundamente, as bases, os fundamentos, os pensadores e as ideias que nos influenciam, comovem, motivam e nos inspiram a agir? Ou vamos continuar querendo convencer – com o pouco conhecimento teórico  que temos do assunto – os nossos ingênuos irmãos que, em rota de colisão, estão na contramão dos nossos ideais e sonhos para um Brasil mais justo e fraterno?

Nisso, consiste, a meu ver, o primeiro passo para reconectarmos com a nossa verdadeira essência, nosso caráter, nossa índole, nossos princípios e valores: investirmos em nossa FORMAÇÃO. Formação que, em última análise, quer dizer EDUCAÇÃO. Nesse ponto, sim, podemos aprender com eles. Afinal, apesar de o líder político a que seguem ser possuidor de caráter deplorável e figura comprovadamente maléfica ao país, entre seus seguidores figuram muitas pessoas do bem, bom caráter, gente honesta, trabalhadora e que ama a pátria. Assim como nós, sonham com um país mais justo e fraterno – são nossos irmãos, a quem devemos dar as mãos para, juntos, construirmos uma nação melhor. Viva o Brasil! Viva todos os brasileiros! Viva a Educação!

Promotor de Justiça e autor do livro “Um Habeas Corpus para Rocim”

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