Opinião

Bares e restaurantes: fomentadores de cultura

.

diario da manha
Marcos Gomes, Jornalista, compositor e pesquisador cultural

Os bares e restaurantes, que oferecem aos seus clientes música ao vivo, de qualquer gênero ou estilo musical e, bebidas e pratos típicos da culinária goiana, brasileira ou internacional deveriam ser declarados pelo poder público como agentes fomentadores de cultura musical, gastronômica e turística. Mais do que pontos comerciais e prestadores de serviço ou espaços de celebração da alegria, esses estabelecimentos contribuem para o fomento da cultura, seja na musicalidade ou na gastronomia.

Goiânia, a propósito, era considerada nas décadas de 1970 e 80, a capital brasileira da MPB ao vivo nos bares. Além do chope gelado, frango a passarinho, bolinho de bacalhau, torresmo e outros deliciosos petiscos, os shows com artistas goianos nos palcos desses estabelecimentos era o principal ponto turístico da cidade. Sempre lotados, eles atraiam à capital goiana muita gente das cidades do interior e de outros centros, como: Brasília, Triângulo Mineiro, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

Aquele movimento, que foi reconhecido oficialmente como bem do patrimônio cultural imaterial, só comprova a vocação goianiense pela cultura da frequência aos bares e restaurantes, como sendo “a nossa praia”. Temos neste segmento, que está demonstrando um incrível poder de recuperação, após ter sido um dos mais afetados pela crise pandêmica, inúmeras casas para todas as predileções musicais e gastronômicas.

Há uma variedade de estabelecimentos, que acompanham a característica da rica diversidade musical goiana. Temos casas onde se toca a MPB, noutras o sertanejo, ou ainda, rock, samba, jazz, seresta, chorinho, pagode, house, lounge, techno e por aí afora. Goiânia possui quadros musicais, entre cantores, compositores e instrumentistas refinadíssimos em todos os estilos, que se apresentam nos bares e restaurantes. O próprio secretário municipal de Cultura, Zander Fábio é um cantor atuante na música em Goiás.Na área gastronômica, as opções também são as mais diversificadas, que vão, desde as típicas comidas caipiras feitas no fogão à lenha, em ambientes que remetem aos antigos casarões, passando pelos especializados em peixes e frutos do mar, até aqueles que oferecem pratos da cozinha internacional, em recintos da mais alta sofisticação, como um deles em que o cliente se sente literalmente transportado ao Palácio de Versalhes nos tempos da Rainha Maria Antonieta.A exuberância da nossa cozinha pode ser conferida nos eventos promovidos pela Abrasel, Sindibares e outras entidades do setor, os quais deverão ser retomados no pós-pandemia, como: o concurso Comida di Buteco; o Carnaval dos Amigos, que acontece sempre um sábado antes da festa do Rei Momo, com os blocos se reunindo nos bares da cidade; o Festival Brasil Sabor; o Festival Bar em Bar e o Goiânia Restaurant Week. Nas assinaturas dos cardápios, seja da cozinha regional ou da alta gastronomia, temos esplêndidos chefs, muitos deles até com prestígio internacional.

O setor vive um momento promissor nesse processo de retomada. Os empreendedores reciclam, renovam e se reinventam, agregando novos valores aos seus negócios. De olho na forte vocação goianiense pelo delicioso cardápio e a boa música dos bares e restaurantes, muitos empreendedores estão investindo nesse segmento, descobrindo novos nichos e trazendo à tona modelos de negócio e gestão inspirados em bares e restaurantes de ponta de São Paulo, Rio de Janeiro, Nova York, Itália, França, etc.

A atividade dos bares e restaurantes tem uma relevância econômica e social impressionante. Segundo dados do Sindibares, o setor é responsável por mais de 50 mil empregos diretos em Goiânia. É a principal porta para o primeiro emprego e aquele que mais possibilita a ascensão profissional e econômica dos seus colaboradores. Inclusive, muitos dos mais famosos estabelecimentos atuais são administrados por antigos garçons.  É fundamental que os poderes públicos municipal e estadual reflitam sobre a importância do respeito e valorização desse setor, que é estratégico para o turismo em Goiânia. Essa tese é defendida pelo secretário Zander Fábio, desde os seus mandatos de Vereador. A cena noturna goianiense da saudável boemia nos bares e restaurantes com música ao vivo e pratos variados nos padrões gastronômicos tem um charme especial. Quem vem a Goiânia a negócios ou a passeio fica fascinado com os bares e restaurantes.

Neste sentido, o tratamento do poder público precisa ser diferenciado. Não na concessão de privilégios ou benesses. O que o setor almeja é, sobretudo, o reconhecimento, condizente com a sua importância cultural, social e econômica, enquanto vitrine da musicalidade e da gastronomia, que atrai visitantes e turistas, gera dezenas de milhares de postos de trabalho e receitas para o erário, contrata cantores e músicos, compra insumos dos verdurões, de atacadistas de bebidas, adquire embalagens, movimenta os hotéis e o transporte por táxis e aplicativos, enfim, é fonte de desenvolvimento e mola propulsora do conjunto da economia.

Comentários