A Crise Afetiva
Redação DM
Publicado em 18 de junho de 2016 às 03:38 | Atualizado há 10 anos
“…Quem já passou por essa vida e não viveuPode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu”…
Vinícius de Moraes
Crise afetiva é um termo que coloquialmente utilizamos que delimita uma área distinta de nossa psique. Filosoficamente vivemos em crise: dos amores que não vivemos, ao futuro inexato que não nos pertence, na tentativa eterna de ter segurança diante dos segredos do sentimento alheio. Ter dúvidas, pensamento de fracasso, medo de perder, certa dose de ciúmes, carência tudo em boa dose faz parte do trato psicológico do ser humano, que quando reflete, questiona seus rumos.
As crises afetivas em grau patológico por sua vez são bem mais complexas e destrutivas. Potencializam tudo descrito anteriormente gerando inúmeros problemas psicológicos, psiquiátricos como por exemplo a depressão; potencializam patologias físicas como alergias ou gastrite. Fora os problemas psicológicos e físicos uma crise afetiva mal elaborada acaba com uma existência comprometendo o potencial laborativo, a vontade de crescer, o auto cuidado. Quantas pessoas você já não viu se largando, vivenciando revolta, mágoa passando o resto da vida praguejando uma pessoa com quem teve uma história?
As crises afetivas são democráticas em nossa existência. Por vezes não há como evitar que ocorram , porém como administramos sua consequência é o que podemos desenvolver. Aprender a entrar e sair de relacionamentos. Muitas pessoas após um problema afetivo abandonam a existência, outros jamais se permitem viver novamente, para não falar dos que cometem os mesmos erros sucessivamente apenas trocando o nome e o endereço da encrenca escolhida.
Nestes anos em minha prática profissional como analista e psicólogo clinico o fator que mais nos impressiona é a capacidade auto destrutiva, o auto boicote presente a algumas pessoas, que persistem em relacionamentos fracassados e destrutivos, que não tem respeito , companheirismo, relacionamentos que são agressão e covardia, competição e raiva. Há quem ame a pancada…sentindo falta quando o xingo não ocorre.
Por outro lado o desanimo, apatia, falta de interesse , ficar fechado demais, parar de sair, parar de se cuidar são alguns componentes presentes nas crises afetivas. Várias pessoas alegando que não tem mais tempo, nem disposição para tentar encontrar um relacionamento sadio. Hoje várias crises existentes derivam do egoísmo no qual compartilhar inexiste. E a vida afetiva não permanece em solidão. Falta companheirismo e diálogo. Paciência e doação.
Reflexão e auto conhecimento são vitais para a construção de uma boa vida afetiva, aprendendo a administrar conflitos e as crises que ocorrem. Aprender a viver as crises inevitáveis sem se destruir e seguir a jornada…
(Jorge Antônio Monteiro de Lima, analista,pesquisador em Saúde Mental, psicólogo clínico e músico. Mestre em Antropologia Social pela UFG)