Brasil

A cuíca e a cueca

Redação DM

Publicado em 29 de dezembro de 2017 às 23:51 | Atualizado há 9 anos

A cu­í­ca e a cu­e­ca fo­ram pa­ra um can­to de uma fes­ta e co­me­ça­ram uma con­ver­sa na­da gen­til. A cu­í­ca, em tom de de­sa­fio, foi lo­go di­zen­do uma por­ção de coi­sas pra cu­e­ca que, não dei­xan­do por me­nos, re­ba­tia pron­ta­men­te.

Di­zia a cu­í­ca:

– Quem deu or­dens pa­ra vo­cê ter o no­me pa­re­ci­do com o meu, se não te­mos na­da a ver uma com a ou­tra. Eu sou mui­to mais no­bre e mais im­por­tan­te do que vo­cê.

– Is­to é o que vo­cê acha – res­pon­deu a cu­e­ca.

– Eu – con­ti­nuou a cu­í­ca – sus­ten­to o sam­ba na ave­ni­da, e vo­cê?:

– Eu sus­ten­to a muam­ba des­ca­í­da!

– Eu to­co no ín­ti­mo do ho­mem com mi­nha mu­si­ca­li­da­de!

– E eu to­co no ín­ti­mo do ho­mem com mi­nha elas­ti­ci­da­de!

– Eu fa­ço o ho­mem cho­rar de emo­ção!

– E eu fa­ço o ho­mem cho­rar, de den­tro do cal­ção (se mui­to aper­ta­da)!

– Eu dou um to­que de la­men­ta­ção na ba­tu­ca­da! E vo­cê?

– Eu dou um to­que de se­du­ção na mu­lhe­ra­da!

– Eu se­gu­ro o ba­lan­ço dos pa­go­des!

– E eu se­gu­ro o ba­lan­ço dos ba­go­des!

– Eu, no car­na­val, pro­mo­vo a emo­ção de to­da a gen­te!

– Eu, no car­na­val, pro­mo­vo a con­ten­ção dos pin­gen­tes!

– Eu dou be­le­za aos even­tos mu­si­cais!

– Eu dou fir­me­za aos do­cu­men­tos se­xu­ais!

– Eu pren­do um cou­ro es­ti­ca­do!

– E eu pren­do um cou­ro en­ru­ga­do!

– Eu se­gu­ro o po­vo no sam­bó­dro­mo!

– Eu se­gu­ro o ovo no sa­có­dro­mo!

– Eu te­nho, nos fun­dos, pa­ra in­tro­du­zir uma das mãos, uma en­tra­da dis­cre­ta!

– E eu te­nho, nos fun­dos, uma fre­a­da de bi­ci­cle­ta!

– Eu re­ce­bo den­tro de mim sons pro­du­zi­dos por vi­bra­ções so­no­ras!

– Eu tam­bém re­ce­bo den­tro de mim sons pro­du­zi­dos por vi­bra­ções so­no­ras!

A cu­í­ca ven­do que não po­dia mes­mo com a cu­e­ca, re­sol­veu, en­tão, por fim à dis­cus­são:

– Olha, com­pa­nhei­ra, es­sa con­ver­sa  es­tá co­me­çan­do a fi­car ca­fa­jes­te, mal chei­ro­sa e no­jen­ta. Acho me­lhor fa­zer­mos as pa­zes e vol­tar­mos pa­ra o sa­lão.

E as­sim a cu­í­ca e a cu­e­ca caí­ram jun­tas na fo­lia. To­ca­ram e dan­ça­ram noi­te aden­tro até fu­rar a cu­í­ca e ras­gar a cu­e­ca.

Mo­ral da es­tó­ria: Quan­do du­as for­ças, que vi­vem num mes­mo con­tex­to, não se en­ten­dem, me­lhor é da­rem as mãos e ca­mi­nha­rem jun­tas.

Um abra­ço!

 

(Jo­sé Ma­ria Mo­re­no, es­cri­tor. E-mail: fa­le­com­jo­se­ma­ria@hot­mil.com)


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