Brasil

A cultura tem jeito de festa de criança

Redação DM

Publicado em 10 de setembro de 2016 às 01:31 | Atualizado há 10 anos

A cultura é uma casa colorida com o pensamento plural de cada artista. No programa Raízes Jornalismo Cultural de hoje o entrevistado Bariani Ortêncio conta algumas das histórias do seu último livro Minhas Reminiscências. Eu sempre tiro lições preciosas das minhas conversas com os entrevistados. Eles acendem balões de sabedoria e conhecimento nas entrevistas. Cada um pinta uma cor diferente. Por isso o Raízes, em quase dez anos no ar, tem jeito de festa de criança; alegre e descontraído sem perder o foco no conteúdo cultural.

A essência do programa Raízes Jornalismo Cultural, lembrando Daniel Piza, “é misturar assuntos e atravessar linguagens”. É com esse objetivo que a equipe da PUC TV trabalha. A minha busca profissional é a procura da relação entre o jornalismo, a cultura e a televisão. Se o jornalismo tem um enfoque analítico, o jornalismo cultural amplia a visão holística dos fatos, ou seja, uma visão integral da notícia com suas nuances e idiossincrasias.

Na semana passada traduzi um texto para o Portal Raízes que diz o quanto somos afetados inconscientemente por nossa cultura. O estudo confirma que “a cultura desempenha um papel importante na forma em que vemos o mundo. Ela influencia como pensamos e, inclusive, determina a nossa conduta. Uma pessoa que nasce em uma cultura pode desenvolver um modo de pensar muito diferente de alguém que nasceu em outra cultura”.

O psicólogo social Richard Nisbett compartilhou uma parte de extensa investigação sobre as razões de como a cultura apresenta aspectos diferentes, desde a forma de pensar até a percepção das normas sociais e da estrutura política.

Claro que isto não quer dizer que todas as pessoas de uma cultura pensem da mesma maneira. Mas os padrões gerais se aplicam a muitos de seus integrantes. Tampouco significa que um tipo de pensamento seja melhor do que o outro, já que ambos são complementares e têm suas próprias vantagens e desvantagens.

Na realidade, nenhuma manifestação cultural é mais importante do que a outra. Cada uma tem perspectiva diferente do mundo e são diferentes as formas de interpretá-lo. Uma perspectiva pode ser mais estreita e analítica, enquanto que a outra tende a ser mais ampla e integral. Cada uma delas nos conduzirá por um caminho diferente. É isso. Por exemplo, a música erudita–mais elaborada como diz o professor Estércio Marques–não é mais pura do que a música caipira.

A música caipira forma um cultura musical nos moradores da roça que se tornou insubstituível no gosto popular. Por isso o meu juízo de que cultura é tudo o que nos cerca. Com esta missão o programa Raízes firma sua trincheira de resistência cultural numa época de desconstrução das nossas tradições.

É só, por hoje.

Como diz Hamilton Carneiro: “Deus te ponha virtude.”

 

(Doracino Naves, jornalista; apresentador do programa Raízes Jornalismo Cultural, PUC TV, sábado, 12h30. Reprise, domingo, 20h)

 

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