A estrela guia
Redação DM
Publicado em 24 de dezembro de 2017 às 00:00 | Atualizado há 9 anos
Dos quatro Evangelhos, é no de Mateus que encontramos a passagem que se refere aos magos que vieram do Oriente para prestarem suas homenagens ao menino recém-nascido, Rei dos Judeus, notícia que alarmou o rei Herodes, o Grande, que governava a Judeia.
A Bíblia não revela sobre seus reinados, dizendo apenas que vinham do Oriente para Jerusalém porque lá viram a sua estrela e vieram para adorá-lo. Chamados os principais sacerdotes e escribas do povo eles disseram que o nascimento se dera em Belém, invocando os profetas, de onde se tira “ E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as principais de Judá, porque de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo, Israel”.
Narra mais o evangelista que a estrela precedia os magos até parar sobre o local onde estava a criança e entrando na casa viram o menino com Maria, sua mãe. E prostrando-se, o adoraram e abrindo seus tesouros lhe entregaram suas ofertas: ouro, incenso e mirra.
Quando chega o tempo do Natal, reflito muito especialmente sobre esta passagem evangélica e imagino a maravilhosa força divina que fez os reis magos ( como os chamamos ) virem do Oriente até Jerusalém e desta até Belém para adorarem e homenagearem o menino, Rei de Israel, oferecendo-lhe seus tesouros.
A passagem reflete uma simbologia fortíssima, indicando a submissão dos poderes materiais ao supremo Poder Espiritual, dos bens materiais fungíveis e destrutíveis ao indestrutível poder daquele que fez todas as coisas.
E neste Natal de 2017, fico vendo o mundo e o meu país e pensando nesta cena dos reis magos.
Havendo como há, ainda, tanta conflagração no mundo, tanta injustiça e tanta ganância pelo poder a qualquer preço, pelo dinheiro de origem espúria, pela fama dolosamente conquistada, vê-se que a lição dos magos do Oriente não foi aprendida.
Eles tinham o poder e os tesouros, mas viajaram de longínquas terras para ofertar seus tesouros à criancinha que apenas sabiam ser o rei dos Judeus.
Imagine se soubessem que era e é o Rei do Universo, o Espírito dos espíritos, o Soberano Criador de todas as coisas, que num ato de infinita humildade aceitava se circunscrever aos limites da matéria e, mais ainda, a restrita configuração de um corpo humano e mortal, simplesmente para poder ser contemplado por seus filhos e a eles ofertar as lições fundamentais da vida neste planeta?
Por aqui, o que se tem visto, infelizmente, é uma farsa cada vez mais falsa sobre o nascimento do Deus menino. Ou antes, o Deus menino está desaparecendo cada vez mais, perdendo seu lugar na festa que é sua, cedendo vez a falsos e meros figurantes que vão assumindo os papéis principais no espetáculo de luz: papai noel, renas, bebedeira, gula, insensibilidade para com o sofrimento dos outros, presentes caros, moda etc
É certo que ainda restam os que compreendem o sentido desta festa, mas são poucos…
Jesus, o filho do homem veiculou a presença do Cristo de Deus na terra.
Seu nascimento foi, de longo, o mais inimaginável espetáculo de amor e humildade para com a humanidade.
Olho as árvores de natal, pela cidade, e verifico que sempre, no topo delas está uma estrela, de certo a estrela guia.
Faço minha prece a Deus para que a estrela guia seja vista pelos poderosos da terra, como o foi pelos poderosos de então.
E que eles compareçam aos presépios não apenas para admirar por alguns minutos a arte dos que os construíram, mas para adorarem o verdadeiro Rei.
Os magos se prostraram e lhe ofertaram seus tesouros: ouro, incenso e mirra. O ouro do amor, o incenso da verdade e a mirra da honestidade.
Eles o adoraram com amor, verdade e honestidade.
Pois, a partir deste natal, os grandes daqui, deste ilusório e passageiro mundo, deveriam, seguindo o roteiro da estrela guia, prostrarem-se diante do Deus menino. Não para oferecerem seus tesouros, pois podem até ter muito ouro, mas lhes falta o amor, muito incenso, mas está ausente a verdade e muita mirra, mas lhes falta a honestidade, mas para receberam dEle os tesouros que ele veio trazer à humanidade desvalida.
Primeiro o amor, força condutora de toda a epopeia da encarnação do Verbo, traduzida em João: Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho Unigênito para quer todo aquele que nEle crer não pereça mas tenha a vida eterna ( Jo. 3:16 ).
Segundo, a verdade, força libertadora, pois está escrito: Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.
E terceiro, a honestidade, que conduz a ação dos homens através de caminhos abertos e claros, de uma conduta que mesmo não sendo perfeita é, claramente, uma luta para alcançar esta meta, bem traduzida na conduta de Pedro, cujo espírito proclamou sobre Jesus: Tu é os Cristo de Deus.
Enquanto não se conscientizarem disto, vamos, em todo natal, vê-los a comemorarem uma festa de homens e para homens, ao invés de uma festa de Deus e para Deus.
(Getulio Targino Lima: Advogado, professor emérito ( UFG ), jornalista, escritor, membro da ANE e da AGL. E-mail: gtargino@hotmail.com)