A morte do defunto
Redação DM
Publicado em 5 de agosto de 2016 às 01:55 | Atualizado há 10 anosO leitor atento percebeu que o título acima é um nonsense. Pelo menos por enquanto, considerando que a ciência avança em níveis inacreditáveis, defunto é a condição final do ser humano. Mas, como na política tudo é permitido, dou como argumento válido que a Venezuela é uma nação cadáver prestes a falecer. Desde que Hugo Chávez teve um surto de esquizofrenia, fugindo da realidade e vendendo uma paranoica revolução bolivariana, os analistas econômicos sérios preconizaram uma falência à médio prazo.
Ou seja: a bestice surgiu como um natimorto anunciado. Com exceção dos radicais do Fórum de São Paulo e de algumas nações periféricas dispostas a alimentar regimes ditatoriais, ninguém acreditou que o projeto teria um bom termo. Esperto, e disposto a aplacar a fúria dos “esquerdoidos” encastelados no guarda-chuva do PT, Lula se lambuzou sustentando os devaneios de Hugo.
Foi um cúmplice na destruição da Venezuela sendo corresponsável por jogar milhões de pessoas no desespero de procurar comida nos lixões. Isso para citar apenas uma das tragédias cotidianas do povão que amarga atroz sofrimento sob a cruel tutela de Nicolás Maduro.
Hoje o País não tem nada. Falta liberdade de imprensa, todo o parque industrial foi para o esgoto, o regime da lei se finca na barbárie ditatorial, amarga a mais alta inflação do planeta, os piores índices de criminalidade e não existe refresco sequer para limpar os fundilhos, visto que falta de papel higiênico a pasta de dente.
A nação derrete, morre ali até as esperanças. No entanto, ainda resta muito sofrimento para que o defunto possa ser declarado morto e o País possa ressurgir das cinzas. Tudo porque existem viúvas que acompanham o cortejo, seguram a alça do caixão, mas, impedem o enterro. O que fazer? Como a esquerda caviar, essa que se lixa para o destino de bebês que falecem sem remédios básicos ou idosos que sucumbem por falta de insulina, poderá conviver com o fim de uma falácia vendida aos quatro ventos.
Urge encontrar uma saída, nem precisa ser honrosa, mas que seja uma luz no final de um interminável túnel. Quem sabe nos moldes de Cuba que capitula fingindo que tudo deu certo? Culpar o Tio Sam, ou o conjunto de governos que se dedica chamar de direita golpista, não engana sequer os fanáticos renitentes.
Será possível invocar uma guerra externa e aglutinar as milícias catequizadas à exaustão? Junto com o exército que, covardemente, virou as costas ao cidadão, pode se erguer um clamor nacional desviando as atenções. Mas o diabo é que falta pão. Não existe leite, as mulheres improvisam fraldas com colchões usados, doentes fenecem às pencas por ausência de antibióticos. Não é possível tirar nada de ninguém, a penúria se generalizou.
Hoje, a Venezuela não tem condições de soltar um bom arroto. Está falida. É uma herança maldita, mais um símbolo da derrocada comunista. Está isolada ao extremo de não ter vôos regulares. Mesmo assim, e sem cumprir ritos básicos da democracia, pretende se enfiar goela abaixo na presidência do Mercosul. Aceitando o País no bloco, mesmo descumprindo regras elementares numa democracia, se atesta que a entidade nunca foi séria. Com a Venezuela presidindo, iríamos ao esculacho assumido.
Rosenwal Ferreira, jornalista