A presença dos pais na UTI
Redação DM
Publicado em 27 de agosto de 2016 às 02:58 | Atualizado há 10 anosEstá cada vez mais frequente a internação e permanência de recém-nascidos em Unidades de Tratamento Intensivo em Unidades de Terapia Intensiva de Neonatos (UTIN), causando angústia e sofrimento aos pais e familiares. A equipe de profissionais que trabalham na UTIN necessita de experiência, habilidade, eficiência, atualização de conhecimentos e, principalmente, a prática da humanização na assistência e integralidade do cuidado.
A humanização da assistência deverá ser centrada na família, para que possa diminuir o estresse e os conflitos, proporcionando segurança e confiança quanto à assistência prestada, de modo que se estabeleça uma relação de respeito entre o familiar, a criança e a equipe.
A UTIN, na concepção dos pais, trata-se de um ambiente complexo, frio e hostil, que pode trazer trauma tanto para a criança quanto para a família. Neste sentido, o acompanhamento familiar é imprescindível, principalmente para diminuir os efeitos decorrentes da separação e influencia na qualidade do contato inicial com o filho.
O Estatuto da Criança e do Adolescente, no artigo 12, dispõe que todos os estabelecimentos de saúde devem proporcionar as devidas condições para que um dos pais ou responsável da criança ou adolescente que esteja internado possa permanecer em tempo integral, pois considera que a presença de um familiar minimiza os efeitos traumáticos da internação.
A parceria dos pais se torna fundamental para fortificar os laços familiares. Nesse sentido, a equipe deve considerá-los como pessoas capazes de cuidar de seus filhos hospitalizados, além de compartilhar conhecimentos e práticas, de modo a potencializar a capacidade da família, possibilitando a redução do estresse emocional dos envolvidos e, ao mesmo tempo, contribui para diminuir o tempo de internação.
No Brasil, houve um avanço no cuidado ao neonato com a Norma de Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso – Método Canguru (AHRNBP-MC), elaborada pelo Ministério da Saúde e incluída na tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS). Esse novo cuidado trouxe quatro fundamentos essenciais: acolhimento ao bebê quanto à sua família; respeito às singularidades; promoção do contato pele-a-pele mais precoce possível; a mãe envolvida nos cuidados ao bebê.
Assim, a humanização na área de UTI neonatal é de grande relevância. Embora o espaço físico com recursos materiais e tecnológicos sejam importantes, a essência humana tem o seu papel fundamental na recuperação do bebê.
(Christina Souto Cavalcante Costa, enfermeira, mestre em Ciências Ambientais e da Saúde, docente do curso de Enfermagem da Faculdade Estácio de Sá de Goiás. / Sue Christine Siqueira, enfermeira, mestre em Atenção à Saúde, coordenadora e docente do curso de Enfermagem da Faculdade Estácio de Sá de Goiás)