Brasil

A respeito do aborto

Redação DM

Publicado em 12 de fevereiro de 2016 às 23:00 | Atualizado há 10 anos

Casaram-se. Mas nada queriam com filhos. Para evitá-los, a mulher usava anticoncepcional. Mesmo assim, a gravidez surgiu, para revolta do casal. Por fim, reuniram dois mil reais e pagaram a um médico para efetuar o aborto.

Dizem que quando o Doutor retirou a criança de quatro meses, ela estava viva, perfeita e esperta: era um garotinho lindo, robusto que, minutos depois, perecia, num balde de laboratório.

Como não deveria ser pesada a carga punitiva por sobre estas três criaturas – pai, mãe e médico, diante da Justiça Divina, pelo monstruoso crime que cometeram?

Acreditam eles por certo, que as suas frágeis vítimas não têm voz nem força para se defenderem de suas mãos criminosas; estão certos: não podem esses pequeninos seres se defenderem; no entanto, todos eles – pai, mãe e médico reencontrarão muito em breve com suas vítimas, talvez bem antes de deixarem no pó da terra seus corpos em decomposição, porque durante o desprendimento de seus espíritos nas horas do repouso físico, poderão ser abordados por eles – os enjeitados, os que tiveram o fio da existência cortado antes mesmo de virem à luz da vida – e então sofrerão, na maioria dos casos, o peso da vingança e do ódio, experimentando, daí por diante, uma existência atormentada e inquieta, sofrível e inditosa, porquanto os pesadelos se repetirão sempre, não somente durante o sono, mas também durante os momentos de vigília, uma vez que os perseguidores espirituais – essas vítimas – não costumam deixar de vingar o monstruoso assassinato de que foram vítimas sem razão legal, lógica e honesta, pois igualmente são os espíritos imperfeitos que, para infelicidade dos que lhes furtaram a oportunidade de viver, não estavam, ainda, preparados para compreender e perdoar, e careciam da existência física – da qual foram anulados – no afã de conquistarem o necessário aprendizado moral e espiritual, a todos nós concedido pela bondade do Pai Eterno que vive em todos nós, sem que, todavia, queiramos aceitar, simplesmente porque desconhecemos ainda a Ciência Espiritual que tem início onde terminam os recursos da ciência do homem.

Sem qualquer intenção de censurar, mas compreendendo, antes de tudo, a condição moral desses infelizes irmãos que, inconsequentes, provocam o aborto criminoso, ousamos indagar, apenas para efeito de melhor raciocínio: com que direito cometem esses atos, uma vez que não são donos nem de si mesmos e, muito menos, de seus filhos?

Podem dizer que fornecem, aos filhos, o corpo físico, mas sem a oportunidade da existência que Deus lhes deu, poderiam, porventura, ser pais? É bom dizer ainda que, para cada corpo físico gerado pela união dos cônjuges, está destinado um espírito profundamente ligado à família, ou pelos laços da afinidade – que, então, com o aborto criminoso, se rompem e se transformam em ódio e vindita –, ou pela necessidade imediata de reparação, de aproveitamento ou de reconciliação, de ambas as partes; acontece também nascer espírito estranho ao círculo familiar, mas quando isto ocorre há uma razão que justifique, e que não abordaremos aqui para não fugirmos ao tema central.

Com que direito, portanto, avançam contra a existência de um ser que, tanto quanto eles têm direito à vida? E com que autoridade desejam os homens contrariar as leis de Deus que regem, inclusive, os nascimentos na terra?

Quando a Divina Providência considerar necessário o controle da natalidade, impedirá, com a sua sabedoria e vontade, os nascimentos de novos seres nos círculos humanos, como, aliás, vem acontecendo normalmente, sem que, todavia, demos pela coisa.

Não há, portanto, necessidade do aborto provocado sem uma razão lógica e honesta; há espaço bastante no mundo para que a humanidade possa expandir-se; e os Espíritos do Senhor não deixarão de suprir o lar das famílias numerosas, encaminhando-lhes os recursos para que todos sobrevivam desde que cada membro da família faça de sua parte, abraçando o trabalho correto dentro de uma vida equilibrada; não justifica a opinião de muitos que, procurando anestesiar a consciência perante o delito do aborto desnecessário, comentam que “o custo de vida está muito caro para a manutenção de uma família numerosa”, mesmo porque há casais que, embora extremamente pobres, e dotados de muitos filhos, conseguem sobreviver, com dificuldade e carência é certo, mas antes viver na miséria e no sofrimento do que não viver de maneira nenhuma; por outro lado, cada um “tem o que merece” e vive no ambiente que lhe é próprio, que lhe possibilite a evolução espiritual, exatamente de conformidade com as suas necessidades mais íntimas, provações estas imprescindíveis à sua ascensão para os quadros luminosos da virtude, que os conduzirão à Felicidade Maior, libertando-os de vez das próprias imperfeições e sofrimentos.

 

(Iron Junqueira, escritor)

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