Brasil

A sinfonia dos galos em Pirenópolis

Redação DM

Publicado em 18 de janeiro de 2017 às 01:19 | Atualizado há 10 anos

No último final de semana, Eu, e a minha família, fomos até a histórica Cidade de Pirenópolis, localizada a 128 quilômetros de Goiânia. Cidade famosa pelas cavalhadas, pela gastronomia, pelas suas ruas de pedras e por suas casas e igrejas centenárias e bicentenárias, construídas no estilo colonial. Pirenópolis também não deixa de ser um Paraíso ecológico, a Cidade se encontra rodeada pela Serra dos Pirineus, cuja beleza ímpar enche os olhos dos turistas que por ali chegam,  além de suas belas e majestosas cachoeiras, dentre elas podemos destacar: Cachoeira do Abade, Cachoeira do Lázaro, Cachoeira Meia -Lua, Cachoeira dos Dragões, Cachoeira da Usina Velha, Cachoeira Santa Maria, Cachoeira do Canyon, Cachoeira do Landi.

Pirenópolis dá-nos a impressão de que petrificou no tempo passado, pois, ao visitá-la parece que estamos na época do Império , uma cidade calma, um povo hospitaleiro, casarões antigos com vários janelões de madeira, onde ainda podemos ver as mulheres debruçadas olhando para tempo. Muitos quintais com muitas árvores, e ao entardecer as pombas do bando pousam sobre velhas mangueiras e soltam seus arrulhos longos e reflexivos. A Igreja da Matriz Nossa Senhora do Rosário, é um dos grandes cartões postais da Cidade, construída  em 1728, a Igreja Matriz de Pirenópolis é um dos grandes acervos arquitetônicos de Goiás, do Brasil e do mundo.

Ficamos hospedados na residência da dona Hilda, uma senhora de 89 anos, alegre, bem vistosa, de conversa mansa e super hospitaleira, a residência da dona Hilda localiza-se na Rua da Prata número 32, ao fundo da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário; a casa permanece no estilo antigo, janelas e portas de madeira, telhas de barro, e muitos cômodos. Nas dependências do fundo, Dona Hilda, aluga alguns quartos, bem simples, mas, bastante limpos e de uma paz invejável, com um pequeno quintal onde Dona Hilda ainda preserva algumas plantas.

O amanhecer em Pirenópolis é mágico, uma sinfonia de galos saúdam a madrugada como se fosse uma cantata, enquanto a Serra dos Pirineus vai expelindo o vapor que emana de suas águas e que se mistura ao orvalho  do Cerrado; enquanto isso,  os primeiros raios de sol irradiam a cidade, cujos moradores ainda continuam adormecidos sob a quietude plena do Planalto Central. O dia passa calmo em Pirenópolis,  sem pressa,  o cheiro de café torrado agrada os nossos olfatos na manhã radiosa, e embora a cidade possui um grande número de carros, os carros entram no rítimo da quietude e parecem que deslizam pelas ruas de pedras, como se estivessem dormindo sob o som deslumbrante das cachoeiras de “Piri”.

A tarde cai mansamente sobre a cidade dos Pirineus, uma casal de Saracura solta seus gritos : “quebrei três potes, quebrei três potes, com um coco só, com um coco só”. Uma brisa sorrateira e mansa paira sobre a Cidade; No centro histórico de Pirenópolis, a luzes de postes baixos e com fiação subterrânea vão se acendendo lentamente, mas, a penumbra é encantada pelo luar, uma coruja grita enchendo a noite de êxtase e adormecemos como num ninar de criança dengosa.

 

(Giovani Ribeiro Alves, é Filósofo, Professor na Rede Pública Estadual em Goiânia, Escritor, Poeta e Articulista  do Diário da Manhã)

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