A verdade e a ética são subjetivas?
Redação DM
Publicado em 9 de junho de 2016 às 02:57 | Atualizado há 10 anos
Os “taizinhos”, os que pregam que eu teria que ser mais formal e parar de escrever sobre as minhas intimidades, cotidiano, impressões, aqueles que nunca leram mais que um ou dois livros na vida, se tanto, e me lembrei, agorinha mesmo, já mencionei aqui, nesse matutino vanguardista que eles estão sempre com as suas “caras de pau” enceradas com o mais puro óleo de peroba produzido pela natureza desde a implantação da mentira no planeta, no Éden, segundo a crença judaica e ensinamentos de muitas religiões orientais, cerca de 6.000 anos atrás, por Satanás, então, eles, que muitas vezes se apresentam como “doutores” – distribuem até cartões pessoas com bordas douradas – indubitavelmente taxarão tais linhas de meros e insignificantes frutos da minha insana e repugnante imaginação, meus traumas de infância, quiçá uma bipolaridade, entretanto, o misericordioso leitor assíduo conhece o meu apego e devoção à verdade e, venhamos e convenhamos, quando há, para um indivíduo, a oportunidade de expor-se publicamente, ainda mais assim, através da escrita, quando podemos revisar, corrigir, mentir e até omitir seriam atos mais grave, é um sacrilégio e, por sermos aquilo que somo e mesmo nós, os que censuram-se diuturnamente para não mentir, inadvertidamente mentimos, aumentando ou diminuindo quantidades, qualidades, enfim, temos que estar sempre cautelosos quando colocamos a nossa “caneta” ou a nossa língua em ação. E quanto aos que se dizem cristãos, mas não conseguem achar o Sermão da Montanha na Bíblia, se a lessem saberiam que o julgamento, às pessoas assim, que se gabam de agradar a Deus e de amar “o próximo como a si mesmas”, mas, que na verdade, odeiam até a mãe, o pai e os irmãos consanguíneos, mentem e acham que a mentira é algo necessário para conviver melhor, dar-se bem com a maioria, saibam que será, segundo a Bíblia, mais rigoroso, ou melhor, será muito severo o julgamento de pessoas assim e é por isso que eu me arrependi e parei de mentir. Se o mestre advertiu que a palavra de uma pessoa deve ser “sim, sim, não, não” e que não podemos jurar em hipótese alguma nem por um fio do nosso cabelo? E aproveito o ensejo para tecer mais uma pergunta àqueles: não tenho direito ao arrependimento senhores e senhoras imaculados?
A língua é uma cobra venenosa convivendo conosco. Articula cada sílaba que pronunciamos e está sempre ávida por movimentar-se freneticamente dentro da nossa boca, produzindo sons e aviltando o nosso espírito. O apóstolo Paulo, que escreveu 14 livros da Bíblia, comparou-a a um palito de fósforo que, embora pequeníssimo, pode incendiar uma floresta de árvores de troncos enormes. Não estou pretendendo ser paladino ou moralista, mas, não aguento mais certos sujeitinhos e sujeitinhas que se aproximam e se mostram religiosos, contam que não perdem a missa ou o culto, andam a pé ou em cima dum cavalo dezenas, centenas, milhares de quilômetros em romarias, rezando novenas, fazendo retiros, cumprindo promessas, fazendo jejum e aí, conversa vai conversa vem, eu pergunto qual é o livro da Bíblia que o sujeitinho mais gosta de ler. A decepção é quase certa, pois, a imensa maioria não sabe nem onde fica o livro de Gênesis!
Eu nem queria comentar, já deveria ter finalizado este artigo, entretanto, não consigo me conter. Quando este matutino publicou o artigo que assinei sob o título: “Um olho no peixe e o outro no gato”, com a foto do Nestor Cerveró “enfeitando” as denúncias, muitos amigos disseram que a sua prisão jamais ocorreria, sabe-se agora a razão. Eu estava pensando em sucumbir aos desejos da mãe da minha filha, que já caiu fora daqui há doze anos e arrumar as malas e tratar de acabar de educar a minha filha caçula, a Sophia Penellopy, oito anos, bem longe da republiqueta de araque, entretanto, pela minha honra, se o José Sarney, Renan Calheiro e Eduardo Cunha forem condenados, nunca mais meto um dedo fora do nosso território, nem para passear. Até.
(Henrique Dias, jornalista)