Agrishow, exemplo de competência do mundo rural
Redação DM
Publicado em 3 de maio de 2016 às 02:09 | Atualizado há 10 anos
A Agrishow 2016 (23ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola), realizada em Ribeirão Preto (SP), é considerada a terceira do ranking no gênero no mundo. A mostra é fruto da competência de seus realizadores. Esse grupo, liderado pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e Sociedade Rural Brasileira (SRB), sob a organização da Informa Exhibitions, soube realizar uma feira para ninguém botar defeito.
A Agrishow soube mudar por completo o perfil das tradicionais exposições agropecuárias. Em Goiás, por exemplo, a Tecnoshow Comigo, em Rio Verde, segue o mesmo padrão. As festas inúteis cedem lugar às novidades tecnológicas, aos lançamentos de máquinas agrícolas e implementos mais econômicos e de maior precisão. Esse sistema segue horário comercial rígido. Abre às 8 e os trabalhos se encerram às 18 horas. É tempo suficiente para que os produtores e demais interessados conheçam os produtos oferecidos. Participem de eventuais palestras. Enfim, seja uma vitrine a céu aberto.
Os lançamentos se multiplicam. Sem o intuito de promover empresas, não há como negar a sua presença pelas novidades dos produtos. A Toledo apresentou ao público a balança de caminhões que controla a entrada e saída dos veículos da propriedade e contribui para reduzir os prejuízos com sobrecarga e multas nas rodovias. A Agritotal expôs modelos de computadores de bordo para controle e monitoramento de aplicações, garantindo que o operador consiga visualizar todas as ações realizadas pelos implementos no painel dentro do trator ou da colheitadeira. É a precisão da agricultura na palma da mão.
A New Holland levou à Agrishow máquinas e equipamentos agrícolas que proporcionam alto rendimento e facilidade de operação para pequeno, médio ou grande produtor. Dentre os produtos, destaque para a plantadeira Pl5000 e as colheitadeiras da família CR. Um verdadeiro espaço tecnológico foi montado no estande da marca. O que existe de mais moderno da empresa estava lá. O Novo Renault Oroch inaugurou um novo segmento, a picape com o melhor do SUV (veículo utilitário esportivo).
A Case apresentou, também, as novidades. Entre os quais, tratores e colheitadeiras. As plantadeiras de 48 linhas Easy Risev foram a novidade. Na abertura, a companhia já vendera uma de suas unidades. Custo: R$2 milhões. Case Construction Equipment apareceu com tecnologia para precisão. Acoplado a motoniveladoras, escavadeiras hidráulicas e tratores de esteiras, o Site Control é um opcional capaz de determinar a profundidade ideal para o corte de terreno, o melhor ângulo de ataque da caçamba para a remoção de material em obras de terraplanagem, preparo da área e curva de nível. Dependendo do tipo de obra a ser executada, pode haver um aumento de produtividade de até 60%.
A Ford lançou no Brasil a Nova Ranger em comemoração ao Dia do Trabalho, no dia 1º de maio. O anúncio foi feito na Agrishow. Trata-se de uma picape média em versões diesel e flex. O veículo, a preços que partem de R$ 129.900 na versão diesel até R$ 179.900,00 na topo de linha, conta com tecnologia invejável. Tem dispositivo que alerta contra colisão, dispõe de piloto automático adaptativo, entre outros dispositivos de segurança que superam qualquer veículo hoje em dia.
Na área de pneumáticos, a Michelin na Agricultura apresentou seus produtos, que chamaram a atenção pela economia de combustível. A vida útil dos pneus radiais é bem maior, proporcionando redução de gastos da ordem de 55%, segundo a representação na Agrishow. A Toyota mostrou a importância da Hillus no meio rural, pela economia que proporciona em termos de combustível e durabilidade. A Ford Ranger apresentou uma picape, lançada dia 1º de maio no mercado. Teste de garantia do veículo: cinco anos.
O destaque da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) em Ribeirão Preto foi o chip que pode reduzir em até 50% o tempo do melhoramento genético do eucalipto. Pioneira na área florestal, a nova tecnologia permite a análise simultânea de 60 mil marcadores moleculares distribuídos por todo o genoma da planta. A Embrapa não parou por aí. Apresentou, ainda, o irrigador solar, detector de prenhez, fossa biodisgestora, entre outros.
O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) levou ao conhecimento do público a nova cultivar de feijão mais produtiva e resistente. É o carioca IAC Sintonia, que apresenta alto potencial produtivo, com produtividade média de 3.941 quilos por hectare, na época da semeadura de inverno, e 3.553 quilos por hectare na época de semeadura das águas e 2.131 quilos na semeadura da seca.
A Dayco lançou sua linha de produtos agrícolas. Projetadas para aplicação e exigências específicas, com desempenho comprovado em laboratórios e no campo, as correias Dayco Agri são desenvolvidas com certificação ISO 9001 e materiais de alta tecnologia. A empresa realiza constantes investimentos no Brasil e já estuda a instalação de uma unidade fabril no país, nos próximos três anos.
A Valtra aposta na estratégia de consolidação de mercado para seu recente lançamento, a colhedora BE 1035e, e apresentou série de novidades. O Fuse Connected Services é um programa de acompanhamento de desempenho que permite ao produtor aumentar o rendimento e a eficiência de suas máquinas no campo. Aliado ao sistema de telemetria AgCommand, é possível monitorar em tempo real o desempenho das máquinas no campo. Baixo custo de reparo e manutenção.
Como se vê, a Agrishow é, sem dúvida, uma feira de orgulho nacional e que se repete pela 23ª em Ribeirão Preto, cidade do interior paulista. Em termos financeiros, a realização de negócios foi da ordem de R$ 1,95 bilhão, superando o valor da edição anterior – R$1,9 bilhão. A feira contou com 46 fabricantes brasileiros, exigindo mais de 400 reuniões fossem agendadas, comparecendo compradores da Argélia, Canadá, Colômbia, Egito, Estados Unidos, Etiópia, México, Quênia, Senegal, Tailândia e Zimbábue. Mais de 150 mil pessoas passaram pelo evento.
(Wandell Seixas , jornalista voltado para o agro, bacharel em Direito e Economia pela PUC-Goiás, ex-bolsista da Histradut, em Tel Aviv, Israel, em agropecuária, autor do livro O Agronegócio passa pelo Centro-Oeste)