Brasil

Aos divorciados e casais em segunda união

Redação DM

Publicado em 19 de janeiro de 2016 às 21:39 | Atualizado há 10 anos

A Igreja tem por finalidade conduzir a humanidade no caminho da salvação, devendo ser nesse mundo, “a cidade construída sobre o monte” (Mt 5,14), a “lâmpada sobre o candeeiro” (Mc 4,21), “o sal da terra” (Mt 5,13), a sobriedade necessária, sobretudo nesse tempo onde o matrimônio é constantemente vilipendiado. Enquanto o mundo prega o individualismo, o hedonismo, o imediatismo, um prazer egoísta, a satisfação própria e a felicidade a qualquer custo, a Igreja em sua majestosa autoridade e magistério, continua a prescrever a indissolubilidade do matrimônio, fundada no princípio evangélico da verdade, do amor verdadeiro e incorruptível de Cristo pela Igreja, ensinando que o matrimônio deve ser pra vida toda. Mas a Igreja sabe que existem casos onde é absolutamente impossível manter a relação. Nesse contexto, aparece a realidade dos divorciados e dos casais em segunda união, cujos quais, ante a quebra da aliança firmada, são exortados a viver em oração, penitência e caridade, abstendo-se da comunhão eucarística, como modo de “testemunhar indiretamente a indissolubilidade do matrimônio e diretamente a sua fidelidade à Igreja” (Joseph Ratzinger – Congregazione per la Dottrina per la Fede, sulla pastorale dei divorziati risposati – 1998). Todavia, a igreja “deve ser casa de misericórdia, o diálogo entre a fraqueza dos homens e a paciência de Deus” (Papa Francisco – A Igreja da Misericórdia, 2014), especialmente porque a Eucaristia não é honraria para os perfeitos, mas sim alimento para o corpo e para a alma do pecador. Afigura-se, então, um conflito entre dois princípios fundamentais: de um lado o princípio da verdade, fundamento principal para a indissolubilidade do matrimônio, e do outro, o princípio da divina misericórdia, que estabelece que Deus é um pai misericordioso, o bom pastor, aquele que enviou seu filho para a remissão dos pecados do mundo inteiro (Jo 3:16). “A igreja comporta-se com espírito materno para com esses filhos, a fim de que eles possam obter de Deus a graça da conversão e da salvação, se perseveraram na oração, na penitência e na caridade” (Familiaris Consortio, 84). Portanto, certos de que “a igreja não é uma entidade petrificada, definida e delimitada de uma vez para sempre; é uma força viva que progride, uma realidade humana que se desenvolve na sociedade segundo uma lei que chamaríamos orgânica, tal o modo como sabe adaptar-se às circunstâncias, utilizar para os seus fins as condições de tempo e lugar tornar-se prudente na sua audácia e lentamente persuasiva mesmo nas rupturas que provoca, sem nunca perder de vista o seu fim único: o estabelecimento do reino de Deus” (Daniel Rops – A História da Igreja, Vol. I – A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires), e que “a igreja deve ser sempre o instrumento e o lugar no qual os fiéis encontrem sustento e graça no caminho difícil da fidelidade traçado pelo evangelho” (Pe. Luciano Scampini – Casais em Segunda União e os Sacramentos na Familiaris Consortio), bem como que “há um tempo para tudo” (Eclesiastes 3:2), jamais percamos a esperança na misericórdia do Cristo Bom Pastor.

 

(Cassicley da Costa de Jesus, advogado militante no sudeste goiano. Coordenador da Pastoral Bom Pastor da Paróquia Nossa Senhora Mãe de Deus, em Catalão-GO – [email protected])

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