Balé das ilusões
Redação DM
Publicado em 21 de julho de 2016 às 02:45 | Atualizado há 10 anosPensamentos, comportamento, conceitos e preconceitos constituem modelos mentais que nos levaram a ser quem somos, e a estar onde estamos. Nada e ninguém, a não ser nós mesmos, pode ou deve ser culpado, ou ser honrado com os méritos.
Sem mudar ou sem qualificar o nível de consciência nos mantemos presos aos velhos modelos mentais produtores de frustrações e fracassos.A simples elevação da consciência por si mesma já nos apresenta um novo e fascinante universo.
Pois o crescimento do Ser alarga, amplia horizontes em todos os campos do existir humano.
As coisas e os acontecimentos têm o peso e o significado que lhes atribuímos. Significam aquilo que já foi condicionado – ou precificado – em nossos modelos mentais, nossas crenças e descrenças; fazem parte de nossas paixões ou da nossa indiferença.
O que se pode concluir, mediante observação atenta, é que tais modelos recorrentes e estratificados nos levam a ter vitórias que são antecipações de derrotas.Euforias que preparam ou prenunciam desencantos.Pois não são senão resultado de seguidos erros reproduzidos pela lei da inércia e a força dos hábitos.Assim sendo, não podem senão nos levar a uma errância continuada.
Sendo a mente mendaz, acostumada a mentir a si mesma, não faz senão atolar a persona em que encarna, condenando-a ao fracasso esperado, concebido em pecado de ilusão renitente. Por outro lado, é bastante sabido que a maldade existe onde habite o “animau” humano.Elide lugar ou tamanho.Sendo que o Diabo costuma agigantar-se nos lugares pequenos
“Não temos que fazer nada para ser quem somos”. (Eckart Toole). A doença da pressa , a sofreguidão normótica de sempre ter que estar fazendo alguma coisa é que nos perde do encontro com quem somos.
Como no filme “O show de Truman”, vivemos em um mundo de ilusões construídas pela indústria de criação de desejos e os movimentos do pensamento automático. Vivemos em mundos muito distantes de quem somos. Vivemos em realidades paralelas ao Real: enredados em mentiras que vemos como verdades.
Escapar de ser bailarinos do balé das ilusões, não é fácil–mas é possível, quando simplesmente nos demitimos dos papéis que vimos representando.
(Brasigóis Felício, escritor, jornalista,membro da Academia Goiana de Letras (cadeira 25) e do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás)