Brasil

BR-153, uma estrada para onças?

Redação DM

Publicado em 9 de abril de 2016 às 03:08 | Atualizado há 10 anos

Naquele tempo, tempos idos, havia este ditado, abrir estradas, neste País, País gigante pela própria natureza, era governar, governar bem!

A BR-153 quando foi construída, por determinação do saudoso presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, foi apelidada, pelos críticos de seu governo, de rodovia para onças, mal sabendo seus opositores contumazes, inclusive, da mudança da capital para o planalto, que iria se transformar, com o perpassar dos anos, numa das principais artérias escoadora da riqueza nacional, promotora de nova marcha para o oeste. A primeira foi feita pelos Bandeirantes, usando as patas do cavalo, seu maior amigo, a de agora, as patas (esteiras) do trator. Seu comandante, construtor, foi o engenheiro Bernardo Sayão, que, inclusive, perdeu a própria vida na linha de frente da construção, abertura da intrincada floresta amazônica.

Daquele tempo, é a frase póstuma em sua memória: “Da morte gloriosa que só merece os grandes comandantes, empunhando suas armas prediletas, o trator e o machado, morreu como desejaria se pudesse escolher.” Contrastando com a civilização que se erigiu, ao longo dela, perdida nas brumas do tempo, ficou a frase – estrada para onças – espelhando a viseira de políticos da era da civilização do caranguejo, e, como os da conjuntura atual, ao iludirem a sociedade contribuinte, com a demagogia, infelizmente, ainda usual na democracia, democracia onde os eleitores vítimas da educação, a educação sonegada, pelos próprios ocupantes do poder, não permitiu, que a luz do saber emancipasse o voto das trevas da ignorância. Sabichões todos eles, pois, enquanto esta os condena à subserviência leniência, aquela os liberta para o voto consciente sapiente, tornando-o, de fato, sua arma mais valiosa na república, premiando os bons e punindo, ao mesmo tempo, os maus governantes.

O que bem demonstra o que pode cometer os extremismos, fome de poder, desejo incontido de si perpetuar no cargo. O ora ministro oficioso, Luis Inácio Lula, acusando a operação Lava Jato de emperrar, atrapalhar o crescimento do país, enquanto a causa principal do atual atoleiro econômico, recessão, foram gastos abusivos, mais do que podia, endividando, corrompendo mais ainda o orçamento público, gerando desequilíbrio fiscal, até hoje insolúvel, por falta de vontade soberana da senhora governanta. A ferrovia Norte-Sul que custou à sociedade contribuinte, oito bilhões e meio de reais, pronta há mais de cinco anos, ainda hoje, parada, vaca de presépio. O prejuízo que dá aos cofres da nação, sem funcionar, é de três bilhões de reais anual, a cifra ao longo de cinco anos, para não citar certo desafogo da BR-153, transportando toda a carga pesada à distância, contribuiria, em muito, para o equilíbrio fiscal.

A demagogia tão comunal no sistema republicano, que induziu o sábio Aristóteles a preferir a monarquia à democracia associada às campanhas nababescas, fraude eleitoral, vem sendo, ao longo do tempo, trampolim para que pseudos líderes, o lobo em pele de cordeiro, possam enganar a massa eleitoral. Por isto mesmo, temos que nos preparar para ter os piores líderes, enquanto queremos os melhores, bem mais ainda, aguçar o sistema de controle interno, e, montar de forma eficaz, outro de controle externo, capaz de cutucar, com vara curta, para reverter, como pregava Imanuel Kant, a vontade egoística deles, e, assim, obrigá-los a abraçarem a vontade universal, qual seja, aquela acessível e aceitável por cada um e válida para todos. Houvesse no ministério do transporte um autêntico líder, a ferrovia Norte-Sul já estaria funcionando, a todo vapor, fossem a presidenta Dilma e o senhor Lula, autênticos líderes, a duplicação da rodovia BR-153 já estaria em fase final de construção, ou, congestionada como atualmente, teria equipes itinerantes, diuturnamente, cuidando da buraqueira que, a toda hora, ceifa vidas, inferniza caminhoneiros atarefados, com o transporte da riqueza nacional, emperra e dramatiza o trânsito de ônibus coletivos e viajores autônomos.

De sorte que o questionamento de Sir Karl Popper, cientista político de envergadura – Quem deve governar? Teria que ser trocado por este outro – como deveremos organizar as instituições políticas de modo tal que maus ou incompetentes governantes, como os nossos, sejam impedidos de causar demasiado dano à nação. A licitação para duplicação da rodovia, foi feita no primeiro governo da senhora presidente, contudo, a empresa vencedora estava impedida por lei, envolvida no Petrolão, por isto, não podia executar serviços para o estado, obras públicas. Todavia, partiu-se para um acordo de leniência, liberando-a para continuar as obras, desde que, quitasse seus débitos com o Petrolão, entretanto, até agora, enquanto milhares de patrícios continuam penalizados, com o PAC empacado. Ganharia fôlego e fórum, apoio para arrancar o país da atual crise se arregaçasse as mangas, juntamente com sua equipe de governo, colocando a máquina do estado para funcionar, funcionar mesmo!

Não obstante as aparências, tanto a atual presidenta, como o ex-presidente, demonstraram, por toda sorte de desatinos que cometeram, e vem cometendo, que não estavam preparados para a governança, com o país vivendo a maior crise política e econômica de sua história, nem o corte das mordomias, extinção de privilégios, redução de despesas supérfluas, ousaram fazer, ou mesmo, determinar que seus assessores diletos façam, de novo, faltou-lhes e vem faltando comando, liderança, para colocar a ferrovia em funcionamento e a BR-153 duplicada, aumentando renda para os cofres públicos e mais conforto, segurança para milhares de patrícios que transitam, incessantemente, por ela. Para evitar crise sem precedente, como a atual, arquitetada, pachorrentamente, urdida por eles, outro questionamento de Sir Karl Popper: quem deve governar o estado? Difícil evitar respostas, tais como, o melhor, ou o mais sábio, ou o governante nato, ou ainda, aquele que conhece a arte de governar, ou então, a vontade geral alardeada por Rousseau, filósofo mor do Iluminismo, é usada por Popper.

Na época que escreveu sua monumental obra: “A sociedade aberta e seus inimigos, em dois volumes, era professor na universidade de Londres, Inglaterra, ainda auge, aproximava-se a derrocada do totalitarismo, na ocasião, doutrina dos atuais ocupantes do poder. Crítico contumaz, de sua pena, não escapou nem o filósofo Platão, fundador da primeira universidade do mundo, a Academia de Platão, berço cultural da civilização ocidental. Com efeito, leitor, acusa ele Popper, o Platão, pelas idéias totalitárias que assolou o mundo. Karl Max, então, é ainda, mais execrado por ele, tão pouco Hegel, escapa de sua análise crítica. Toda esta digressão, leitor, para, em nome da crítica, homenagear aos que sofrem, com o estado deletério, deplorável, super congestionada, desgovernada, BR-153 e, tantas outras mal cuidadas que houvesse bom governo, fosse a vontade geral de Rousseau, bem usada, na escolha dos governantes, estaria, há muito, duplicadas, mesmo com pedágio, como era o plano, prestando serviços bde qualidade, a sociedade laboriosa deste país, país que, mesmo esbulhado pelos corruptos, prospera, alimentando a esperança de sua brava gente.”

Atente, para os óbices leitor, a vontade geral, para esmagar a demagogia, carece de eleições limpas, e estas, da ação vigorosa da Justiça Eleitoral, passando pente fino na miríade de candidatos raposas que concorrem às eleições, afim de levarem vida faustosa, enriquecerem às expensas da sofrida gente brasileira, como mostra o palco atual. Quase todos os presidentes da era, “muda Brasil” não estavam preparados para a nobre missão de bem governá-lo, exceto, creio, Itamar Franco, ficou na presidência, pouco mais de dois anos, deixando como feito o Plano Real, que restabeleceu condições de governabilidade ao país.

A própria vontade geral, indelegável, exclusiva do cidadão, usurpada com a democracia indireta, pelos ocupantes do poder, mesmo ela, para fazer valer seu pendão glorioso, expulsar os inimigos da democracia, terá que substituir, exorcizar da mente dos eleitores, o voto subserviente leniente, trocando-o pelo voto consciente sapiente, capaz de premiar os bons governantes, e, ao mesmo tempo, punir, expulsar, de forma pacífica, os maus, ruins.

 

(Josias Luiz Guimarães, veterinário pela UFMG, pós-graduado em filosofia política pela PUC-GO, produtor rural)

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