Caiado não tem propostas para Goiás
Redação DM
Publicado em 9 de agosto de 2018 às 00:04 | Atualizado há 8 anos
O eleitor brasileiro está cada vez mais exigente na relação de critérios para a escolha de seus candidatos, em especial para os mandatos para o Executivo – prefeitos, governadores e presidente da República. A pesquisa qualitativa Real Time Big Data/TV Record atesta que experiência, resultado, equilíbrio e capacidade de apresentar propostas têm tanto peso quanto transparência, honestidade e ficha limpa.
Mesmo após sucessivos mandatos, o senador Ronaldo Caiado (DEM) enfrentará muitas dificuldades no quesito propostas. À medida em que a campanha eleitoral avança, seu vazio propositivo fica mais evidente. Todas as vezes em que foi provocado a apresentar propostas consistentes, o demista perdeu a oportunidade de avançar, ou por não saber apresentar suas ideias ou simplesmente por possuí-las.
A segunda hipótese me parece a mais provável, já que é notória a capacidade de Caiado em apresentar o que pensa, em construir sua lógica política de raciocínio – é bem verdade que ele é mais afeito aos embates, nos quais sua língua é bem mais ferina e seu corpo quase sempre descamba para o confronto direto, físico.
É justamente em função da ausência de propostas que o senador insiste em atacar e se enrola quando tem de discorrer sobre o que fará como governador caso ganhe as eleições. O evidente vazio propositivo é resultado da ausência de capacidade do candidato demista de ele próprio criar e – mais grave ainda – da falta de quadros, de cabeças pensantes, para assessorá-lo, para guiá-lo na tarefa de pensar o futuro.
Quando a campanha eleitoral estiver nas ruas e os candidatos estiveram nas telas, bancadas e microfones de portais, jornais e emissoras de televisão e rádio, cara a cara com os jornalistas, Caiado e seus adversários serão desafiados e se desafiarão a dizer o que pensam do Estado, e, em especial, o que querem fazer com Goiás se o tiverem nas mãos.
Esse será o momento em que Caiado será necessariamente levado a definir o que manterá, o que mudará e – mais delicado ainda – o que extinguirá caso seja eleito governador de Goiás. Uma tarefa nada fácil, tendo em vista a falta de propostas, a abordagem genérica dos assuntos de governo, a falta de quadros para formular e o legado dos governos de Marconi Perillo e José Eliton.
Até agora, Caiado não conseguiu ir além do mantra da terra arrasada, que não cola para o eleitor. Na hora certa, o senador e sua equipe terão de dizer por quais motivos administrativos pretendem governar Goiás. Muito provável que deem de cara com o vazio propositivo.
(Luiz Gama, jornalista)