Brasil

Como sair do atoleiro econômico?

Redação DM

Publicado em 16 de julho de 2016 às 02:53 | Atualizado há 10 anos

Atolar foi fácil, mas sair do atoleiro será bem mais difícil e lento. Gastar foi sempre mais fácil do que acumular fortuna na vida particular dos seres humanos. No dia adia, é comum você conhecer famílias que ao longo de toda uma vida acumularam verdadeiras fortunas, no entanto, os filhos em curto espaço de tempo acabaram com tudo. Na esfera pública a formação do orçamento se faz pela arrecadação, principalmente de impostos. No mundo atual o estado passou a participar diretamente da exploração da riqueza de seu subsolo como minas de prata, ouro e outros minérios. No caso brasileiro, a exploração do petróleo, constituí monopólio do estado.

A Petrobras é senhora absoluta de todos os lençóis petrolíferos do território brasileiro. A descoberta do pré-sal na orla marítima elevou nosso país à décima quinta maior reserva do planeta. Essa descoberta diferente daquela dos pioneiros do petróleo, entre os quais, Oscar cordeiro e Monteiro Lobato, chega tardia, corre o risco de se transformar em reserva relíquia, como o carvão de pedra. É ele considerado a fonte de energia mais suja do mundo, a maior poluidora de nossa atmosfera, ora já um tanto saturada, provocando toda sorte de danos a mãe natureza, afetando a própria economia, tal a recente frustração da safra de verão.

Entretanto, a extração e refino não dá ainda para suprir nosso consumo. A queda de preço do barril de petróleo, no mercado internacional, em mais de 50%, afetou a exploração, mormente no que tange aos custos de extração e refino. Não fossem nossos governantes tão lerdos, corruptos, insensatos, poderia ele, mesmo imundo, ajudar a economia a se recuperar. Afeiçoados a sub-cultura patrimonialista, geram desconfiança, afugentam investimentos subtraindo o crescimento, em vez de atraírem, na condição de estrelas, ímãs, ou autênticos gurus, de forma diligente e sapiente, investidores particulares em condições de acelerar a saída do atual atoleiro, praticam o inverso com o vicio das mordomias.

Enquanto a imagem dissoluta, negativa, afugenta negócios, a positivista atrai, catalisa-os, em profusão. Sem querer querendo, o individuo, ao gastar mais do que ganha, ao longo dos anos, cria em volta de si, toda sorte de desconfiança, descrédito, afugentando os bens intencionados. O espaço vazio deixado por este, passa a ser preenchido pelos maus intencionados. Será que o propósito dos dois últimos governantes, com o desequilíbrio financeiro, com a demagogia, consoante Aristóteles, descambando em anarquia, não era o de transformar a democracia em estatocracia?

O ex-presidente Lula foi, a vida toda, eterno enamorado de Fidel Castro, na Cuba absolutista, bem como, de Chaves, já falecido, então presidente da Venezuela. Ah! Morria ele, também, de amores pelo atual presidente da Bolívia, Morales, a quem entregou quase de mão beijada, a refinaria construída, pela Petrobras, naquele país vizinho, as custas de milhões de patrícios, pois, ela foi construída com recursos financeiros oriundos de impostos pagos, a duras penas, por todos eles. Ademais, os escândalos corruptivos do Mensalão, e, agora, “Petrolão” afugentaram, também, investidores de fora e ariscaram os internos, demais, o desequilíbrio das finanças decorrente de gastos nababescos, a dívida monstrengo, de quase três bilhões de reais, juros, agravaram a recessão, na gíria, atoleiro econômico.

Em termos técnicos, para voltar a crescer, o que há muito os doutos das finanças vêm tentando, tem que passar por um ajuste fiscal, equilíbrio das contas, atualmente descontroladas, carece de equilíbrio entre receitas e despesas. Repetindo, pense você leitor gastando exageradamente mais do ganha, por um bom tempo? A dívida passaria a infernizar sua vida, levando-o ao desespero. Agora, saindo do individual para o plural, esfera pública, âmbito ou mundo da política, política econômico-financeira, o já comentado desequilíbrio de contas, despesas muito maiores do que receitas, por vários anos consecutivos, desaguaram na conjuntura dramática que atormenta o estado brasileiro. Mais agravos, sucessivos dos ministros da área fazendária, submissos ao presidente da república, permitiram, até bem pouco tempo, escondido da sociedade contribuinte, gastos nababescos, como fazem, corriqueiramente, nas campanhas eleitorais fraudulentas, milionárias.

Se fácil foi atolar até o pescoço o estadão, difícil, doloroso para a sociedade que paga a conta astronômica, será a sua retirada do fosso de areia movediça! Poucos foram os artistas ineptos responsáveis pela façanha melodramática: suave demagogia na hora da gastura, infernal amargura para todos patrícios, na hora de pagar, re-equilibrar as contas. Sair do atoleiro, leitor, numa situação melindrosa de PIB abaixo de zero, dívida descomunal, finanças desequilibradas, além dos instrumentos ortodoxos que estão sendo adotados pelo governo, precisa-se de muita determinação dele, e da sociedade, esta, um tanto sacrificada é que, na realidade, dura realidade, irá tirar a economia do atoleiro realimentando a aceleração do crescimento.

Porém, como sublimar bendita determinação, com tanta raposa, lobo, na alta cúpula do poder? O jeito caro, patrício leitor, é clamar pela vontade soberana, aquela que emana da mediação entre o instinto, paixão que cobiça e o espírito, razão, que conhece, advindo, dessa interação, a aludida vontade destemida, capaz de arrebanhar dirigentes probos, íntegros e contagiar a alma de nossa gente, volver a ela, a vibração, brilho, inspiração afogada, destruída, pelos maus gestores públicos, inimigos audazes da república. Constituí imperativo, impregná-la do mesmo ardor cívico dos desportos, neles, o futebol. Realizar proeza, ainda maior, em prol da pátria airosa, mesmo esbulhada pelos abutres do erário, prospera, alimentando a esperança de todos patrícios, patrícias, em sua maioria, ainda, laboriosos e ordeiros.

Esse brilho inebriante, visto, sentido no passado, nos irmãos Andradas, quando no parlamento Imperial, com o padre Antônio Diogo Feijó, na Regência Trina, que culminou com a maioridade de D. Pedro II, salvando a pátria da volta as garras da monarquia portuguesa. O gesto sublime da Princesa Isabel, na libertação dos escravos, aquele do senador imperial, Joaquim Nabuco, incentivando o fim da escravatura e, ao mesmo tempo, louvando a Princesa, pelo seu fim, mas, cobrando do império um plano de emancipação socioeconômico dos libertos, mais a frente, em dupla com Rui Barbosa, criticando a república nascente, caudilhista positivista, de Augusto Conte: república ditatorial de Benjamim Constante.

Outro gesto, para elevar mais e mais a inusitada vontade soberana, será o de fazer corrente e formar opinião de todos, pela mobilização nacional, em defesa da Operação Lava Jato e mudança de paradigma na política. Aquela postura, espiritual, cívica, temperada, simplicidade de Prudente de Morais, primeiro presidente civil da república, viajando de São Paulo ao Rio de Janeiro de trem de ferro, sem aparato algum, caminhando pelas ruas da capital, quase sitiada pelo, então, presidente marechal de ferro, Floriano Peixoto, ameaçando a sua posse, até o palácio, onde, de forma tão singela, sem as mordomias atuais, e em meio à truculenta ameaça, tomou posse.

Avocando, calcado na história, história narrada pela primeira vez por Heródoto, segundo Péricles, estratego da Cidade Estado de Atenas, autor de uma obra que glorificava seu nome, enleva, também, a legendária vontade soberana de Rui Barbosa, com a Campanha Civilista mobilizando a nação contra a chamada política dos governadores, um tanto caudilhista, de perpetuação no poder, embora oficiosamente tenha saído vitorioso, todavia, a eleição foi fraudada, a bico de pena, denunciando naquele tempo, os tentáculos da sub-cultura corruptiva reinante e ultrajante na velha república.

Singrando os anos leitor, assistimos, na década de 50, século XX, a ascensão, vitória em eleições tumultuadas, mas, bastante democrática, de Juscelino Kubitschek, galgando, de forma sobeja, a presidência da república granjeando com a imensa obra realizada: Brasília e a marcha para o oeste, tendo ele conquistado o lugar de maior presidente da república deste país. Seu gesto empreendedor, ímpar, emanou da sua vontade soberana, assim foi, mais à frente, o gesto insigne, combativo, ordeiro, de Ulisses Guimarães, que, de igual forma, fundado na mesma Vontade Soberana, construiu, na qualidade de presidente do Congresso Nacional, os pilares da abertura democrática.

De igual forma, a sociedade brasileira terá, nesta dramática conjuntura, que abraçar e desfraldar, bem alto, nosso pavilhão, consubstanciado a destemida vontade soberana, para romper, a um só tempo, com o malsinado atoleiro econômico e a malsinada corrupção, entranhada na mente escabrosa, leniente, patrimonialista, de quase todos gestores públicos deste país Gigante.

 

(Josias Luiz Guimarães, veterinário pela UFMG, pós-graduado em Filosofia Política, pela PUC-GO, produtor rural)

 

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