Comunicar bem é… – Passo IV
Redação DM
Publicado em 7 de março de 2016 às 01:21 | Atualizado há 10 anosComunicar bem é saber revelar-se aos outros, é assumir total responsabilidade por nossas próprias ações e reações. Como consequência, faremos sempre afirmações, com o pronome “EU” e não “Você”. PASSO IV(último).
“O VERDADEIRO SIGNIFICADO DAS COISAS É ENCONTRADO AO DIZER AS MESMAS COISAS COM OUTRAS PALAVRAS”. CHARLES CHAPLIN.
A maioria das pessoas cresceram aprendendo a serem “acusadores”. Acusávamos os outros por qualquer motivo, inclusive quando ficávamos zangados. Racionalizávamos muitas de nossas reações, dizíamos : “ você mereceu isso”; ”Não pude evitar”; “Tudo estaria bem, se ela(e) não tivesse começado.”
Para a maioria de nós é difícil olhar para trás e realmente reconhecer que nossas ações e reações não eram causadas pelos outros, mas sim, por algo dentro de nós mesmos. Essa é a grande verdade. Seu eu conseguir atravessar a tênue linha que separa os “acusadores” daqueles que aceitam a plena responsabilidade por seu comportamento ou atos, essa será a coisa mais amadurecida que teremos feito.
Somos revelados por nossas reações. De fato, minhas reações emocionais e de comportamento serão determinadas por minhas próprias atitude ou perspectivas pessoais. Se eu me considero uma boa pessoa e, acho importante o que faço, provavelmente, reagirei com compaixão. Se me considero um imbecil que sempre mete os pés pelas mãos, provavelmente reagirei pedindo desculpas. Portanto, se minhas atitudes e perspectivas forem paranoicas, tenho a certeza absoluta de que: “ essa pessoa está querendo me provocar”.
Com frequência, torna-se difícil descobrir sob uma reação as atitudes e perspectivas que as explicam. Esse é um problema que não é diretamente pertinente às nossas questões de responsabilidade pessoal.
O que nos torna pertinente, é a admissão íntima de que, seja qual for a minha reação para com os outros, ela não é causada pelo agente estimulador, mas sim por alguma coisa dentro de mim. Já ouvimos falar do cartaz que Eleanor Roosevelt (primeira-dama dos Estados Unidos de 1933 a 1945) tinha na parede de seu escritório:“ Ninguém pode fazê-lo sentir-se inferior , a menos que você lhe dê permissão”. É verdade, ninguém pode fazer-nos sentir ou agir de determinada maneira. Alguma coisa dentro de nós sempre permanece responsável por nossas reações emocionais e de comportamento.
Outras pessoas, circunstâncias ou qualquer situação pode estimular uma reação, mas somos nós que determinamos qual será essa reação. Ao contrário do reconhecimento das próprias reações ou “acusação” uso ( da psicologia) uma palavra mais técnica “projeção”.
A projeção é um mecanismo de defesa comum e muito usado. Quando projeto, culpo alguém ou alguma coisa pelos meus fracassos ou reações indesejáveis. Não assumimos nossas responsabilidades pessoais. Claro e obviamente que a comunicação neste momento torna-se apenas um jogo se não for extremamente honesta, e a projeção, também, não será honesta.
Eu disse: outra pessoa ou circunstância podem estimular um reação em mim; mas a maneira específica pelo qual reajo é determinada por minhas próprias atitudes e perspectiva pessoal.
A atitudes são tão pessoais quanto nossas impressões digitais. Consequentemente, não existem duas pessoas que vejam as coisas exatamente da mesma maneira. Pode até ser que você ache engraçado coisas que eu leve a sério, pode ser que você tenha uma reação compassiva a uma pessoa com quem eu me zangue. Vejamos de outra maneira, é bem possível que você se sinta estimulado pelo desafio, enquanto eu, me sinto arrasado pela catástrofe.
Todo acusador que projeta sua responsabilidade por suas reações, nunca cresce realmente. A vida de tal pessoa é um perpétuo exercício de projeção e racionalização. É uma vida de fingimento onde nunca entra a realidade. Os acusadores insistem em dizer que outra pessoa os está controlando. “Não é dos astros, caro Brutus, a culpa, mas de nós mesmos, se nos rebaixamos ao papel de instrumento”.( Júlio Cesar, Ato I, cena 2).
Nossa comunicação precisa ser “Transparente”, se compenetrarmos em dizer a verdade ela será franca e aparente. Façamos afirmações com o pronome “eu” no lugar do “você”. Afirmo que isso terá muito mais valor do que uma simples escolhas de palavras.
Suponha que eu reaja com raiva a alguma coisa que você me fez ou disse. Nesse caso posso falar-lhe sobre minha raiva de um destes modos:
_ (1) “Sabia que você me deixou com raiva?” – Essa é uma afirmação com o pronome “você”.
_(2) Ou posso dizer: “ Quando você me contou o que fez, fiquei com muita raiva de você” – Essa é uma afirmação com o pronome “eu”.
Observem que na primeira expressão com o pronome “você” houve uma negação direta da verdade de tudo o que dissemos sobre a responsabilidade pessoal por nossas próprias reações. Ou seja, mais do que isso, a culpa nos passou uma rasteira. É uma manipulação dos fatos. Empurro você para uma posição de “sujeito mau”. Perigoso não é? Esta observação, para uma pessoa que for do tipo combativo, logo o convidará para uma discussão acalorada para vencer ou perder. E isso causará mais calor do que luz.
Agora, se faço uma afirmação com o pronome “eu” – fiquei com raiva; assumo a responsabilidade pela minha reação. Reconheço que outra pessoa em minha situação podia perfeitamente ter uma reação diferente. Pode até ser que eu entenda com facilidade ou presteza todas as atitudes e a perspectiva de que moldaram minha reação. Mas sei que esta reação foi resultado de alguma coisa dentro de mim. Quando faço uma declaração com o pronome “eu”, caros leitores, fiquem certos que estou admitindo isso a mim mesmo e a você.
Tudo bem! Talvez ainda estejamos presos em uma areia movediça de projeção e acusação. Mas, o importante efeito pessoal de tudo isso, é que se eu de fato reconhecer que minhas reações e atitudes são infantis e aceitar as responsabilidades por elas, paulatinamente vou descobrir meu verdadeiro eu. É um exercício constante até chegarmos ao ponto de nos tornarmos maduros. E toda comunicação eficaz é madura.
O importante é começar a mudar esse modo de pensar, e saibam que os resultados desta mudança serão muito compensadores. Dizem que a honestidade é a melhor política!
Foi fácil caminhar nestes quatros passos para uma comunicação eficaz e produtiva, não foi? Até breve, e vamos à luta!
(Cezar Tadeu S. Veiga é Bel. Administração de Empresas. Docente Universitário. Especialista em Gestão de Pessoas. Site: www.formador.com.br)