Brasil

Comunicar é aceitar que somos um dom a ser trabalhado

Redação DM

Publicado em 12 de fevereiro de 2016 às 23:27 | Atualizado há 10 anos

“É fácil trocar as palavras, difícil é interpretar os silêncios! É fácil caminhar lado a lado, difícil é saber como se encontrar! É fácil beijar o rosto, difícil é chegar ao coração!” Fenando  Pessoa.

Em continuidade ao tema anterior (DM Opinião – 10.02.16), nosso próximo passo está relacionado ao valor que o ser humano representa em um relacionamento. Somos dádivas e, em qualquer relação, este fator é primordial.

O escritor francês Somerset Maugham escreveu em “O fio da navalha”:

“Pois os homens e as mulheres não são somente eles mesmos. São a região onde nasceram, o apartamento da cidade onde aprenderam a andar, as brincadeiras que brincaram na infância, as conversas fiadas que ouviram por acaso, os alimentos que comeram, as escolas que frequentaram, os esportes que praticaram, os poemas que leram e o Deus em que creram.”

Não tem como negar, podemos até achar que não, mas todo ser humano é um mistério único. Eu, tu, ele(es), ela(as), nós; somos um mistério. Não existe ninguém exatamente como você ou eu, é tão singular como nossas impressões digitais.

Se nós recusamos partilhar nosso dom, privaremos aqueles de partilhar deste mistério singular que somos; da mesma forma posso negar minhas experiências indiretas de quem sou eu. Agora, podemos ficar eternamente gratos e enriquecidos por sua franqueza em partilhar comigo seus dons.

Quando descubro quem é você, partilho suas singularidades, começo  a conhecer um mundo diferente, um tempo diferente e, por que não, uma família diferente.

Neste momento, sua história pessoal é importante: sua vizinhança, infância, sonhos, as emoções que nunca foram minhas. Mas são somente suas! Esse partilhar nos enriquece, nos transforma.

Podemos perceber que nosso mundo  ampliou-se. Isso se chama: “Bondade.”

Infelizmente a grande maioria das pessoas que convivemos não pensa assim; o pensamento que me vem à mente é: “Se eu desabafar com você, posso afligi-lo, ou até magoá-lo”; pior ainda: “As pessoas já têm problemas o bastante, compensa me ouvir?”

Queridos! Toda auto-revelação em si e por si nunca é um peso! é bom começarmos a perceber que em mim ou por mim ou em você, “Somos um dom de Deus”.

Se eu lhe mostrar esse dom como um ato de ”amor”, por meio de uma honesta auto-revelação, ela nunca lhe será um peso. Chamamos isso de um dom incondicional da verdadeira “comunicação eficaz”.

Dádivas só são consideradas pesos se foram acompanhadas de “condições”. Nessa partilha não posso lhe pedir nada em troca, apenas que me “escute” com “empatia”; e convenhamos, ser empático, requer que fiquemos no lugar do outro.

Portanto, ao lhe fazer o dom de mim, estou, na verdade, dando-me à você. É o meu bem mais precioso; talvez minha única e verdadeira dádiva: o meu falar! e gostaria que você me ouvisse, como também, quero ouvi-lo!

Vou partilhar com vocês um escrito anônimo que recebi denominado “As pessoas são dádivas”, vejam que legal:

– As pessoas são dádivas de Deus para mim. Já vem embrulhadas, algumas lindamente outras de modo menos atraente. Algumas foram danificadas no correio; outras chegam por “entrega especial. Algumas estão desamarradas, outras hermeticamente fechadas. Mas, o invólucro não é a dádiva e essa é uma importante descoberta. É tão fácil cometer um erro a esse respeito: julgar o conteúdo pela aparência.

– As vezes a dádiva é aberta com facilidade; às vezes é preciso a ajuda de outros. Talvez porque tenham medo. Talvez já tenham sido magoados antes e não queiram ser magoados de novo. Pode ser que agora se sintam mais como “coisas”, do que “pessoas humanas”. Sou uma pessoa: como todas as outras, também sou uma dádiva. Deus encheu-me de uma bondade que é só minha. Contudo, às vezes, tenho medo de olhar dentro do meu invólucro. Talvez eu tenha medo de me desapontar. Talvez eu não confie em meu próprio conteúdo. Ou pode ser que eu nunca tenha realmente aceitado a dádiva que sou.

– Todo encontro e partilhar de pessoas é uma troca de dádivas. Minha dádiva sou eu; a sua é você. “Somos dádivas um para com o outro.”

Se começarmos a descobrir o coração do outro, o verdadeiro significado do espírito humano; tornarmos mais tolerantes e menos ansiosos para julgar, realmente podemos dizer que somos dádivas? Tem dúvidas?  É só refletir.

Até o próximo passo. E vamos à luta!

 

(Cezar Tadeu S. Veiga, bel. Administração de Empresas, docente universitário, especialista em Gestão de Pessoas – Site: www.formador.com.br / contato: 9906-3173 / 9908-0218)

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