Conjuntura atual preocupa cadeia do agronegócio
Redação DM
Publicado em 26 de abril de 2016 às 01:45 | Atualizado há 10 anos
O agronegócio tem sido o único setor produtivo a responder de forma afirmativa na atual conjuntura brasileira. Isso não significa, contudo, que o segmento não esteja apreensivo. As indefinições do quadro político preocupam. Segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, a infraestrutura prossegue como um dos grandes gargalos. As ferrovias caminham em passos lentos. O sistema portuário está a dever. Os caminhões andam em rodovias elevando o Custo Brasil. O setor de armazenagem é carente. A energia elétrica falha causando prejuízos aos produtores nas fazendas.
Além dos fatores ligados à lisura do governo, como os maus exemplos da Petrobrás e das mentiras de campanha, José Mário reclama do processo econômico, onde viceja o desemprego de dez milhões de pessoas do segmento. Sem falar do processo inflacionário, da instabilidade da moeda, entre outros fatores, que oneram a vida de quem produz. Com ênfase para a cadeia do agronegócio.
Esta a razão direta da participação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Faeg e mais 15 federações de agricultura estaduais nas manifestações pelo impedimento da presidente Dilma Rousseff. Somente a Faeg, capitaneada pelo sucessor de Macel Caixeta, compareceu à Esplanada dos Ministérios em Brasília com cerca de cinco mil produtores rurais.
Citei Macel Caixeta porque ele entendia que os produtores não poderiam permanecer calados nas decisões nacionais. Desta forma, defendia que nos pleitos eleitorais, os produtores teriam que ficar com os candidatos comprometidos com a sua vida no campo. José Mário segue o seu exemplo.
Em recente entrevista à imprensa, o dirigente da Faeg apontava alguns desafios da entidade classista. Entre eles, o da ampliação da assistência técnica a todo o setor produtivo, alavancagem da parte da classe D/E para a classe C e da classe C para A/B. Defender a implantação e consolidação da Política Agrícola Plurianual.
E lembrou que o ano passado, o sistema Faeg-Senar havia lançado oficialmente o Programa Agricultura Urbana. A proposta era de que centenas de pessoas, entre elas alunos, deveriam aprender a cultivar hortaliças e jardins. Os trabalhos nas escolas envolveriam do porteiro à merendeira, garantindo a melhoria da merenda escolar e do relacionamento dos professores, pais e alunos.
Em poucos mais de oito meses, após o lançamento do Programa Especial de Proteção de Nascentes, o Setor Goiás foi reconhecido e premiado como a regional que mais cadastrou e incentivou a proteção de nascentes, 665 de um total de 1.782. E o trabalho de proteção à natureza não passou por aí. Através de uma parceria com a Embrapa, o Projeto ABC Cerrado promoveu a capacitação e assistência técnica de produtores através de recurso doado pelo Banco Mundial para a agropecuária com viabilidade econômica, social e ambiental no Cerrado.
A Faeg reconhece que com a população crescente e demandante em alimentos, o produtor precisa aumentar a produtividade sem desmatar novas áreas e reduzindo a poluição ambiental. Esse problema complexo será solucionado através do Projeto ABC Cerrado. Para tanto, o produtor adotará tecnologia como a adoção do sistema lavoura-pecuária-floresta, plantio direto, floresta planta ou recuperação de pastagens degradadas, e acompanhamento técnico para produzir alimentos e mitigar a emissão de gases de efeito estufa. E outros programas como da equoterapia a pessoas com necessidades especiais e do Programa de Assistência Técnica e Gerencial e do Programa Mais Leite.
(Wandell Seixas, jornalista voltado para o agro, bacharel em Direito e Economia pela PUC-Goiás, ex-bolsista em cooperativa agrícola pela Histradut, Tel Aviv, Israel, autor do livro O Agronegócio passa pelo Centro-Oeste e editor de Agronegócio do Diário da Manhã)