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Credeq de Aparecida de Goiânia: acolhida a quem precisa

Redação DM

Publicado em 26 de junho de 2016 às 02:42 | Atualizado há 10 anos

Na quin­ta-fei­ra, dia 23 de ju­nho, o go­ver­na­dor Mar­co­ni Pe­ril­lo en­tre­gou pa­ra a po­pu­la­ção do en­tor­no de Go­i­â­nia, Cen­tro de Re­fe­rên­cia e Ex­ce­lên­cia em De­pen­dên­cia Quí­mi­ca (Cre­deq), cons­tru­í­do na Av. Co­pa­ca­ba­na, Se­tor Ex­pan­sul, em Apa­re­ci­da de Go­i­â­nia.

O go­ver­no de Go­i­ás in­ves­tiu na obra R$ 26 mi­lhões e 600 mil re­ais, pa­ra dei­xar tu­do co­mo es­tá. Tra­ta se de um hos­pi­tal mo­der­no, com pa­drão ho­te­lei­ro in­ter­na­ci­o­nal, do­ta­do de to­dos os equi­pa­men­tos pa­ra o tra­ta­men­to das di­ver­sas de­pen­dên­cias quí­mi­cas que atin­gem a so­ci­e­da­de bra­si­lei­ra.

Ali se­rão tra­ta­dos os ca­sos mais com­pli­ca­dos, aque­les que os tra­ta­men­tos con­ven­cio­nais não de­ram res­pos­tas, on­de a de­pen­dên­cia já su­pe­rou a au­to es­ti­ma, quan­to o de­pen­den­te per­de o con­tro­le da von­ta­de pró­pria, da ra­zão, da pró­pria dor e da dor que cau­sa nas ou­tras pes­so­as.

É uma obra de gran­de va­lor. De acor­do com es­tu­dos do Mi­nis­té­rio da Jus­ti­ça, no re­la­tó­rio di­vul­ga­do em abril des­se ano, 75% dos jo­vens in­ter­na­dos por me­di­das so­ci­o­e­du­ca­ti­vas no Bra­sil, são de­pen­den­tes quí­mi­cos e mais de 80% de­les já ex­pe­ri­men­ta­ram al­gum ti­po de dro­ga. Ou­tro re­la­tó­rio, o da Uni­ted Na­ti­ons Of­fi­ce on Drugs and Cri­me (UNODC), ins­ti­tu­i­ção li­ga­da a Or­ga­ni­za­ção das Na­ções Uni­das, que es­tu­da a li­ga­ção das dro­gas com os cri­mes pe­lo mun­do afo­ra, apon­ta que em 61% dos cri­mes co­me­ti­dos con­tra a vi­da, no Bra­sil, a dro­ga es­tá pre­sen­te. Es­ses da­dos mos­tram a li­ga­ção pró­xi­ma en­tre a dro­ga vi­o­lên­cia.

A fa­mí­lia do de­pen­den­te quí­mi­co so­fre, o pró­prio de­pen­den­te so­fre, mas a so­ci­e­da­de co­mo um to­do aca­ba ví­ti­ma des­se so­fri­men­to. A UNODC ain­da mos­trou em seu re­la­tó­rio que o Bra­sil pos­sui uma dos mais al­tos per­cen­tu­ais de usu­á­rios de dro­gas ilí­ci­tas do mun­do – 3% da po­pu­la­ção to­tal, quan­do a mé­dia mun­di­al é de 0,7%.

Sen­do as­sim mais de seis mi­lhões de bra­si­lei­ros usam al­gum ti­po de dro­gas. Ou­tro da­do pre­o­cu­pan­te tra­zi­do pe­lo UNODC é de que o nú­me­ro de usu­á­rios de co­ca­í­na no Bra­sil do­brou em me­nos de 10 anos e que em ca­da qua­tro mo­ra­do­res de rua bra­si­lei­ros, três são de­pen­den­te quí­mi­co.

O Cre­deq vai aten­der du­as mil con­sul­tas por mês e tem lei­tos su­fi­ci­en­tes pa­ra 96 in­ter­na­ções. A uni­da­de co­me­ça su­as ati­vi­da­des tra­ba­lhan­do com 30% da sua ca­pa­ci­da­de, um pro­ce­di­men­to nor­mal nos ca­sos de hos­pi­tais, que tem o cres­ci­men­to na ca­pa­ci­da­de de aten­di­men­to gra­du­al, após a inau­gu­ra­ção, pa­ra ir ajus­tan­do os pro­ce­di­men­tos.

Os in­fe­li­zes que caí­ram no in­for­tú­nio do uso de dro­gas agem so­bre efei­to de um com­pos­to quí­mi­co e não têm co­mo agir den­tro do pa­drão da nor­ma­li­da­de, já que seus or­ga­nis­mos de­pen­dem da dro­ga pa­ra su­por­tar a vi­da.

Ape­sar da es­co­lha in­fe­liz, eles são bra­si­lei­ros e tem o di­rei­to ao so­cor­ro vin­do do po­der pú­bli­co. Ig­no­rar es­sa re­a­li­da­de é ig­no­rar um gra­ve pro­ble­ma na­ci­o­nal.

Ao abrir o Cre­deq de Apa­re­ci­da de Go­i­â­nia, o pri­mei­ro do Es­ta­do, o go­ver­na­dor Mar­co­ni Pe­ril­lo anun­ciou a pri­o­ri­za­ção de in­ves­ti­men­tos pa­ra a con­clu­são de mais dois que es­tão sen­do cons­tru­í­dos nas ci­da­des de Qui­ri­nó­po­lis e Go­i­a­né­sia. Mar­co­ni es­tá pro­van­do que em Go­i­ás o am­pa­ro ao usu­á­rio de dro­gas e as su­as fa­mí­lias não é ape­nas te­mas de dis­cur­sos, mas ação con­cre­ta e is­so é mui­to bom. To­ma­ra que o Bra­sil co­pie o exem­plo de Go­i­ás.

 

Al­ci­des Ri­bei­ro Fi­lho, em­pre­sá­rio e po­lí­ti­co em Apa­re­ci­da de Go­i­â­nia

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