Brasil

Crise impacta economia de Catalão

Redação DM

Publicado em 28 de outubro de 2015 às 00:02 | Atualizado há 11 anos

A crise chegou a galope em Catalão atingindo em cheio o setor automotivo, responsável por mais de quarenta por cento da arrecadação do município. A Mitsubishi desde o início do ano demitiu 700 funcionários, 520 de uma pancada só neste mês de outubro. Segundo a montadora durante os próximos seis meses serão mais 180 a serem demitidos. O fantasma do desemprego ronda a cidade tendo como epicentro as demissões no setor automotivo, mas com reflexos em outros setores da economia da cidade, como por exemplo, o comercio local. Afinal, o impacto na economia é enorme de forma direta e indireta. Se a geração de empregos que a cidade conheceu no período de prosperidade impulsionada pelo efeito dinâmico da indústria automobilista provocou o que os economistas chamam de circulo virtuoso da riqueza, agora, ela sentiu o fenômeno inverso com a crise, provocando um efeito contrario, o círculo perverso da pobreza. O fenômeno é conhecido pelos seus efeitos multiplicadores irrigando e irradiando dinamismo para a economia como um todo quando se vive um período de prosperidade. O contrário, quando se inverte a equação o efeito provoca o desacerto na economia local, se espalhando a crise para os outros setores. Assim se procedem a tragédia em época de crise, com seus efeitos devastadores na geração de renda e emprego.

Calcula se pelas estimativas do Simecat (Sindicato dos Metalúrgicos de Catalão) que o salário médio dos funcionários demitidos alcançam cerca de R$ 2.000,00, o que somam aproximadamente R$ 1.500.000,00 (hum milhão e meio de reais), que deixam de circular mensalmente como massa de salários na economia local. Por outro lado, o impacto significativo vai atingir nos próximos meses a arrecadação do município com a diminuição da produção de veículos. Com isso, a administração municipal diminui suas compras e agrava o já combalido comercio da cidade. O efeito em cadeia não para de contaminar a economia local ate que se reverta o ciclo critico. A economia da cidade que viveu um ciclo de prosperidade turbinada pela indústria automotiva agora sofre os efeitos da crise que abala a economia nacional agravada pelos desacertos de uma política que implementa um  ajuste fiscal recessivo.

Contudo, as lideranças do Simecat não direcionam suas criticas somente ao governo federal implementando a política do ajuste fiscal, reclamam também da falta de compromisso dos políticos em gera do estado e da região.

É de se estranhar o silencio ensurdecedor manifestado pela grande imprensa de Goiás e dos políticos em geral sobre as demissões e a crise de Catalão. A imprensa do estado não deu uma nota de destaque do que esta acontecendo na cidade. Foi preciso que um jornal de Brasília, Correio Brasiliense, estampasse em letras garrafais na sua matéria de capa, do dia 18 de outubro, para que fosse chamada a atenção sobre o que está ocorrendo em Catalão. A matéria traz a manchete: Crise demite e destrói sonhos a 313 km do DF. No interior do jornal tem uma extensa matéria de duas paginas inteiras sobre a crise em Catalão.

Por que tamanha omissão sobre o que ocorre em Catalão? O governador Marconi Perillo, que sempre teve atenção especial sobre os assuntos relevantes da cidade não deu uma palavra sequer sobre o episódio sendo que a Mitsubishi fora beneficiária de subsídios e de gordos e milionários recursos provenientes do Produzir e do FCO. Não vi e, posso ter enganado, nenhuma palavra dos dois deputados da cidade e nenhuma iniciativa de ambos para procurar uma solução qualquer que pudesse minorar a crise vivida por 700 trabalhadores da cidade. Nessa hora tem que se passar por cima das picuinhas políticas e somar forças em torno dos interesses maiores da cidade. Mas isso, com certeza, seria pedir demais.

 

(Fernando Safatle. Economista – [email protected])

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