Curto-circuito na Celg
Redação DM
Publicado em 16 de fevereiro de 2016 às 00:48 | Atualizado há 10 anos
O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, sociólogo de profissão, desenvolveu importante conceito a respeito da mobilização momentânea das sociedades em torno de uma causa que as une. Para ele, essa união funciona como fios desencapados que, assim, provocam uma espécie de curto-circuito social.
A história política do país ilustra, com exatidão, o que coloca FHC em seus escritos. Nos tempos da Revolução de 1930, um fato foi decisivo para que o movimento liderado por Getúlio Vargas fosse vitorioso. Falo do assassinato do candidato a vice-presidente, o paraibano João Pessoa. Resultado: esse acontecimento provocou grande comoção nacional. Eis aí o fio desencapado que elevou intensamente a corrente não elétrica, mas de pessoas que possibilitaram a revolução vitoriosa que tornou possível a chegada de Getúlio Vargas ao poder.
Outro exemplo de curto-circuito na história política brasileira ocorreu com o impeachment de Fernando Collor de Mello. Novamente, aí, ocorreu o fio desencapado. A mobilização dos caras-pintadas nas ruas e praças do país foi decisiva para a deposição do presidente.
O conceito de curto-circuito é oportuno para explicar dois momentos fundamentais na história da Celg. Falo da privatização da Usina Hidroelétrica de Cachoeira Dourada e a, hoje, desestatização da empresa. Vale dizer que um fato se diferencia do outro.
No caso da privatização da Usina Hidroelétrica de Cachoeira Dourada, feita na calada da noite e léguas distantes da sociedade, não ocorreu curto-circuito. E por isso ocorreu tudo que é tipo de negociata nos subterrâneos do poder. Muita gente se enriqueceu de modo ilícito. O contrato superfaturado firmado entre a Celg e o comprador transferiu bem mais de 1 bilhão de reais para o agente privado. Compraram uma usina e levaram outra de lambuja. Mesmo sem mobilização social, o governo Maguito Vilela pagou elevado preço político. Prova disso foi o insucesso do ex-governador de voltar, por duas vezes, ao governo estadual. A estatura política do vendedor da Usina de Cachoeira Dourada é hoje infinitamente menor do que já foi.
O atual processo de privatização da Celg o curto-circuito é intenso, pois existe o que inexistiu na época da privatização de Cachoeira Dourada: a mobilização social. O fio desempacado é muita intenso, derruba futuras pretensões políticas. O que hoje ocorre na empresa, como jamais visto na sua história, dá visibilidade ao processo. Nesse sentido, repito: de duas, uma: a maior empresa goiana será ou não privatizada. Quanto ao futuro político do atual inquilino da Casa Verde, bem… este é melhor colocar as barbas de molho. O mais soberano dos juízes? A história dirá; e o doutor Luís Alberto Maguito Vilela bem entende de barbas!!!
(Salatiel Soares Correia, engenheiro, bacharel em Administração de Empresas, mestre em Planejamento Energético, autor, entre outras obras, do livro A Construção de Goiás)