Devo descer de qual pedestal?
Redação DM
Publicado em 14 de julho de 2016 às 02:27 | Atualizado há 10 anosA primeira parte foi publicada no domingo, dia 3. O intuito do autor, neste primeiro parágrafo é proporcionar, ao eventual leitor “recém-chegado”, subsídios para a compreensão desta segunda parte, então, o querido e misericordioso leitor assíduo poderá, preferindo, “pular” para o segundo parágrafo sem receio de perder o “fio da meada”, porquanto, neste restante de parágrafo farei, apenas, um resumo da primeira parte. Lá eu mencionei que meia dúzia de irmãos, inclusive um membro da minha “enormíssima” família, admoestaram-me descer de um “pedestal” e eu, como não consigo, simbolicamente, lógico, ver e nem sentir o tal do pedestal sob os meus pés, enfatizei que eu estou preocupadíssimo, mesmo, é com os meus descendentes, o que lhes deixarei e preocupado, também, com os meus escritos, dentro de caixas em Goiânia, Ribeirão Preto e São Paulo. Estariam destinados ao lixo? Sem querer me comparar, lógico e até talvez como consolo, lembrei o colendo Alfredo Nasser (1905-65) – considerado um dos políticos e jornalistas mais proeminentes da história do Brasil – e mencionei, também, que logo após o seu falecimento, um baú aonde ele guardava documentos preciosíssimos, discursos, crônicas, centenas de recortes de artigos, ensaios escritos desde a adolescência em São Paulo, Capital, desapareceu misteriosamente, quer dizer, foi larapiado. Seguindo, faço uma pequena digressão sobre a morte e o meu desejo de doar tudo, até a pele, o maior órgão do corpo humano. Lamentei o destino de homens como Mozart, sepultado como indigente e, deixo explícito o reconhecimento que possuo, desde moleque, desde os sete anos – quando comecei a dedilhar pianos e escrevinhar versinhos – da minha insignificância diante de homens como ele e Machado de Assis (1839-1908), Hermann Hesse (1877-1962) Jean-Paul Sartre (1905-80), entre outros que mencionei e, lógico, os não mencionados, entretanto, desabafo que gosto do que faço e gosto quando gostam do que eu faço porque faço com amor e, finalmente, prometi a continuidade, então, ei-la:
Passei a semana “passada” pensando, incessantemente, em como seria a segunda parte e reli a primeira, uma ou duas dezenas de vezes, no afã de inspirar-me, arrancar algo da minha imaginação só que, nela, na minha imaginação, bem no epicentro do seu palco iluminadíssimo, o tal do pedestal insistiu comparecer engraçadíssimo, como no desenho dos Simpson, com o César de Roma em cima fazendo pose. Que merda de pedestal que eu estou! A imaginação não é mesmo mestra em captar, introjeta a realidade e, sim, em deformar a realidade. Faz pouco mais que um mês que acabei por perder a vista esquerda, com a qual eu me virava, podia ao menos ler, enfim, estou enxergando muito pouco – agora, por exemplo, digito utilizando o “corpo 36”, estando a 20 centímetros da tela, então, na expectativa de uma intervenção cirúrgica espero, rogo a Deus, conquiste o fim desta minha maldita agonia diuturna porque o meu maior lazer na vida, desde a adolescência, e todos os meus familiares e amigos são testemunhas, foi ler, ler, ler e ler incessantemente. Conheci poucas pessoas que leram mais do que eu. Ironizei, nos inúmeros rabiscos realizados nesta semana passada, brincando que, talvez, seja a minha dificuldade visual que me impede ver o tal do pedestal. Além dessa desgraça – porque nenhuma desgraça vem sozinha – que deve ser motivo de graça alegrando alguns, inclusive alguns mais ousados, desses que se aproximam babando de desejo de comer a nossa alma, se fazem amigos, fazem muitas perguntas, parecem interessar-se pelo nosso ofício, no meu caso, pelos meus artigos e pensam que conseguem fingir que são patriotas – porque um patriota a gente conhece no primeiro olhar, é como o amor – enfim, falam até do amor, mas, como é fácil saber quem são realmente! Nunca leram os evangelhos, aliás, nem o Sermão da Montanha, portanto, encontram-se incapacitadas, intelectual e espiritualmente, para compreenderem o significado do amor ágape, o amor cristão, o amor ao próximo, o amor sem sexo, sem luxúria, o altruísta e, além dessa provação, – provação que alguns tem certeza absoluta ser maldição e até rezam agradecendo e rogando que seja perpétua, eterna! – então, afora tal provação, um problema gera outro problema que gera outro problema e, claro, quase no escuro, estou desabilitado e não posso fazer outra coisa que sempre fiz na vida, a saber: pilotar. Amo dirigir carro e pilotar moto e, modéstia à parte, sou um bom piloto, categoria “A-D” e ainda ando de bicicleta de costas soltando as mãos! Agora privado de dirigir, dependo de terceiros para locomover-me às distancias maiores e, ainda mais com a minha caçulinha, a Sophia Penellopy, oito aninhos, perguntando-me, vez ou outra, normalmente quando o táxi ou ônibus demora chegar, quando vou dirigir nosso carro novamente! Grande pedestal!
Eu havia prometido que este seria o segundo e último capítulo, entretanto, há uns trechos, nos artigos escrevinhados na semana passada, aonde conto sobre os milhões e milhões, ou melhor, bilhões e bilhões de pernilongos, baratas e demais pragas que andei “matando”, ou melhor, eliminando, desde 1979, portanto, por quase quatro décadas, atuando nos melhores shoppings das cidades já mencionadas – além de vários outros shoppings pelo interior de São Paulo e em Brasília, no Distrito Federal – e agora estou aqui, dependendo de um “Alvara de Funcionamento” para voltar a trabalhar e ganhar o meu pão de cada dia, à promover empregos, saneamento, evitando doenças e mortes. Será que eu estou nessa porque nunca trabalhei para o setor público? Até.
(Henrique Dias, jornalista)