Brasil

Dia Nacional do surdo: conquistas e desafios

Redação DM

Publicado em 16 de outubro de 2015 às 00:43 | Atualizado há 11 anos

Hoje, 26 de setembro, celebra-se o dia Nacional do surdo. Para os ativistas da comunidade, hoje é dia de comemoração, afinal, vitórias e duelos têm sido a trajetória dessa gente.

Para dar eloquência às conquistas dos surdos, ouso tomar emprestada a voz de Paulo Freire o qual afirma que “não há saber mais ou menos: há saberes diferentes;”  a língua brasileira de sinais – libras – é um exemplo.

Os surdos construíram sua identidade, sua cultura e sua própria língua. Essa última, sendo visual-espacial possui toda uma estrutura linguística dentro dos seus parâmetros. “Também há fonemas, morfemas, sintaxe, semântica e todas as exigências que uma língua possa ter”, assim afirma Ronice Quadros.

Sujeitos de uma cultura e identidade próprias, as Leis e o Decreto, também são fortes aliados dos surdos, tais como: a Lei da Acessibilidade nº 10.098/2000, a Lei de nº 10.436/2002 que reconhece a libras como língua e o Decreto nº 5.626/2005 que a regulamenta. Essa legislação a legitima como ciência humana, uma grande vitória.

Vale destacar que no país onde tanto se criam Leis, as práxis dessas são tão lentas e negligenciadas pelo poder público que se torna um desafio implacável para os usuários da libras.

Mesmo assim, os surdos são incansáveis, pois buscam amparo nos termos legais e se sustentam na busca por um ambiente que os inclua como cidadãos e senhores do próprio destino. Isso tudo começa na escola.

Recentemente a comunidade surda goiana marcou presença na Câmara Municipal pedindo a aprovação do projeto de Lei que cria a Escola Bilíngue no âmbito da educação infantil.

O objetivo do projeto é que os primeiros passos de alfabetização da criança surda sejam em libras. Para isso, o docente terá de ser bilíngue. O português será ensinado, mas como uma segunda língua. Isso é difundir os diferentes saberes: uma vitória a mais.

Esforços e lutas são cenários que, no decorrer da história, não permitem que a incapacidade alheia, a ineficácia política e a resistência social atrapalhem o reconhecimento das habilidades dos surdos.

Não foi à toa que Hellen Adams Keller, surda e cega, deixou como herança esta frase: “Por que nos contentamos em viver rastejando, quando sentimos o desejo de voar?” O conhecimento é o caminho que conduz o ser humano aos mais altos picos. Ela foi uma escritora, conferencista e ativista social estadunidense. Além disso, a primeira pessoa surda e cega a conquistar um bacharelado em filosofia.

Como disse Mahatma Gandhi: “a força não provém da capacidade física, mas da vontade férrea;” Aliás, essa aspiração jamais faltou na alma dessa gente: para lutar pela mudança de comportamento de uma sociedade que segrega valores humanos; para exercer o direito de ir e vir, de se comunicar, de estudar, de trabalhar, de vivenciar os desafios. Pois “conquistar é abrir as asas para a liberdade.”

Vanuzia de Oliveira  é intérprete de língua de sinais e presidente da Associação dos Profissionais Intérpretes de Língua de Sinais do Estado de Goiás – APILGO)

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