Brasil

Dilma jogou pela janela…

Redação DM

Publicado em 10 de maio de 2016 às 02:46 | Atualizado há 10 anos

A pre­si­den­te Dil­ma es­tá vi­ven­do as úl­ti­mas obras do fi­nal de seu man­da­to. Ama­nhã o ple­ná­rio do Con­gres­so co­me­ça a dis­cu­tir pa­ra vo­tar a ad­mis­si­bi­li­da­de do pro­ces­so de im­pe­achment. Até a es­tre­la sím­bo­lo do PT re­co­nhe­ce que a pre­si­den­te não tem vo­tos pa­ra bar­rar o pro­ces­so. E até os pe­tis­tas mais re­ni­ten­tes não acre­di­tam que, afas­ta­da do car­go por um pe­rí­o­do de até 180 di­as, Dil­ma con­si­ga re­ver­ter o qua­dro. To­dos acre­di­tam que ela já es­tá fo­ra. Já per­deu mes­mo o man­da­to que, co­mo gos­ta de di­zer, con­quis­tou com mais de 54 mi­lhões de vo­tos, sem aten­tar que seu ad­ver­sá­rio ob­te­ve mais de 50 mi­lhões tam­bém. Per­deu por pou­co e ho­je se sa­be as ra­zões da der­ro­ta. Nos úl­ti­mos di­as, nem Lu­la tem apa­re­ci­do pa­ra de­fen­der a sua cri­a­ção. Po­de ser que es­te­ja mes­mo do­en­te, co­mo ale­gou no 1º de maio. Mas po­de ser tam­bém que que­ria man­ter dis­tân­cia da dis­pu­ta po­lí­ti­ca pois, pe­lo an­dar da car­ru­a­gem, po­de­rá ser o pró­prio a ser atro­pe­la­do pe­los fa­tos.  Mas ape­sar de tu­do, do ris­co de im­plo­são da le­gen­da que cri­ou pa­ra se es­ta­be­le­cer no Pla­nal­to e por lá fi­car du­ran­te mui­tos anos, Lu­la de­ve es­tar be­ben­do de­va­gar­zi­nho o néc­tar da vin­gan­ça. Dil­ma não to­tal­men­te fi­el, ne­gan­do-lhe a le­gen­da em 2014, co­mo com­bi­na­do. Sou­be po­rém ser fi­el no iní­cio so­bre o de­sas­tre que se avi­zi­nha­va na eco­no­mia. Afas­tan­do-se de Lu­la após a re­e­lei­ção, só re­to­man­do con­ta­tos ago­ra, num abra­ço de afo­ga­dos, a pre­si­den­te pre­ten­deu an­dar so­zi­nha mas não te­ve co­mo fa­zê-lo. Não é do ra­mo e tem um gê­nio di­fí­cil, gros­sei­ro. Es­que­ceu-se de que po­lí­ti­ca se faz com di­á­lo­go, uma li­ção que o vi­ce Mi­chel Te­mer vai lhe en­si­nan­do, nos acer­tos pa­ra mon­tar o seu go­ver­no. Te­mer é ex­pe­ri­en­te, bom de di­á­lo­go e edu­ca­do, ao con­trá­rio de Dil­ma. Mas vai pre­ci­sar de mui­ta ha­bi­li­da­de pa­ra con­tor­nar as di­fi­cul­da­des da fo­me de po­der de al­guns que, sem con­sci­ên­cia do gra­ve mo­men­to po­lí­ti­co do pa­ís, não se can­sam em exi­gir car­gos. Pa­ra si e pa­ra os seus apa­ni­gua­dos.

 

(Pau­lo Cé­sar de Oli­vei­ra, jor­na­lis­ta e di­re­tor-ge­ral das re­vis­tas Vi­ver Bra­sil e ROBB re­port)

 

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