Brasil

Dinheiro, qual o valor que ele tem?

Redação DM

Publicado em 8 de outubro de 2015 às 23:02 | Atualizado há 11 anos

Quem acompanha meus artigos, percebe que tenho escrito sempre reflexões sobre o valor material que estamos dando as coisas. Ao perder o sono na madrugada, estive pensando um pouco sobre o dinheiro. O dinheiro hoje domina as casas de leis, os palácios dos governos e tem alcançado até as cortes do judiciário. O dinheiro esboça características semelhantes a um deus. Por ele as pessoas roubam, mentem, corrompem, casam-se, divorciam-se, matam e morrem. O dinheiro parece ser mais do que uma moeda, é como um espírito, um deus, há religiosos que o nomeiam de Mammom, deus da avareza, responsável pela concessão de riqueza, e posso dizer que ele é o mais poderoso dono de escravos do mundo.

Alguém lendo este artigo, pode até pensar que para mim o dinheiro é um pecado ou um problema, mas caro leitor, entenda comigo que o problema não é possuir dinheiro, mas ser possuído por ele. Não é pecado ser rico, a riqueza é uma bênção, e é Deus quem nos dá sabedoria para adquirirmos riqueza. O problema está em colocar o coração na riqueza, pois o dinheiro é um bom servo, mas um péssimo patrão. A raiz de todos os males não é o dinheiro, mas o amor ao dinheiro. Vivemos hoje uma economia global, a máquina econômica gira numa velocidade acelerada, de modo que precisamos trabalhar mais e consumir mais. Perceba que os luxos do ontem tornaram-se as necessidades de hoje. Mas o sistema pede não apenas mais dinheiro, mas também mais do nosso tempo. Os ricos estão se tornando cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, 50% das riquezas do mundo estão nas mãos de apenas 100 empresas. Há empresas mais ricas que alguns países, a GM por exemplo é mais rica que a Dinamarca, a Toyota é mais rica que a África do Sul, a Ford é mais rica que a Noruega, o WalMart é mais rico que 161 países. Bill Gates em 2000 teve uma renda líquida de 400 milhões de dólares por semana. É muito dinheiro, não? Mas vamos voltar ao centro desse assunto. O dinheiro atrai cegamente as pessoas, e na ilusão de ser feliz ao conquistar dinheiro, muitos se corrompem, para isso basta assistir os noticiários e ver o quanto a corrupção tem crescido em nosso País.

A corrupção está instalada na medula de nossa nação. Sentimos vergonha ao ver tantos escândalos financeiros, quando os recursos que deveriam vir para aliviar o sofrimento dos pobres são roubados pelos ratos que roem incansavelmente as riquezas da nação e os sanguessugas que insaciáveis chupam o sangue do povo.

O dinheiro não deve ser uma arma para controlar e dominar os outros, mas um instrumento para ajudar os necessitados. O que guardamos, perdemos, o que damos, retemos. Uma pessoa pode ser rica neste mundo e pobre no mundo por vir, mas pode ser pobre aqui e rica no mundo vindouro.

Que ao ler este artigo, o caro leitor reflita. Como você tem lidado com o dinheiro: ele é seu dono ou seu servo? Seu coração confia na provisão ou no provedor? Você é honesto no trato com o dinheiro? Você tem alguma coisa em suas mãos que não lhe pertence? Os bens que você tem foram ganhados licitamente? Você tem usado seus bens para ajudar outras pessoas, ou você tem acumulado apenas para o seu bem estar e conforto?

 

(Ian Leão, acadêmico de Direito e membro da Sociedade Dramática e Literária de Morrinhos)

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