Brasil

Discursar é mais fácil do que fazer

Redação DM

Publicado em 15 de março de 2017 às 02:47 | Atualizado há 9 anos

Há homens que lutam todos os dias, já dizia o poeta alemão tão cultuado pelos ideólogos comunistas. Mas há quem parece insistir em sobreviver da destruição.

Na terça-feira este DM ofereceu meia página para um artigo da pena de Bruno Aurélio. Um texto com citações mil que quase se comparam, em número, às inverdades que leio se espalharem contra Lúcio Flávio e contra o grupo de advogados que, ao lado do presidente da OAB-GO, tentam transformar a realidade da advocacia goiana.

A leitura saturou a minha paciência. O autor falou muito de sua história de militância desde a época da faculdade, de sua luta contra o poder então estabelecido e solidificado por 30 anos na OAB-GO, para depois assumir, ipsis literis, o discurso atual do mesmo grupo que foi expulso da OAB pelas urnas. É conveniência suficiente para ruborizar camarada Khrushchov.

Impressiona que o autor, que conviveu com Lúcio Flávio e seu grupo por longos três anos, foi capaz, em menos de seis meses, de ser tomado de súbita consciência para justificar seu rompimento.

E pior: vi a prepotência típica de revolucionários que não saem dos gabinetes, que sobrevivem das pequenas sinecuras do poder, prever o fracasso da gestão. Impressionou-me, pois, que tenha partido o texto de quem partiu.

A gestão de Lúcio Flávio é, de longe, a mais realizadora de todos os tempos na OAB-GO, em que pese toda a dificuldade herdada, a dívida descomunal que Bruno Aurélio conhece muito bem, que denunciou em campanha e que agora, providencialmente, negligencia.

A saber, todas as propostas feitas serão cumpridas no tempo das possibilidades financeiras da Ordem. Não há dúvida quanto a isso.

Houve erros, é evidente. Um deles foi designar para presidir a mais importante comissão da OAB quem não teria, na prática, a intrepidez do discurso para a defesa das prerrogativas. Na função, poderia ter feito pela advocacia algo verdadeiro, mas seu discurso não teve lastro.

A OAB de hoje, efetivamente, não é e não será a OAB que Bruno Aurélio quer; não é um partido político; não está serviço do governo e nem da oposição. E é preciso ter coragem para dizer isso. E assumir isso, como Lucio Flávio faz.

E mais uma vez para as minhas surpresas vejo o autoritarismo dos donos da verdade ao constatar que ele ainda não aceitou a decisão soberana da advocacia goiana em favor do impeachment.

Eu mesma votei contra o afastamento da presidente, por motivos técnico-jurídicos, mas não estou na OAB para não reconhecer a validade democrática dos votos contrários aos meus.

Questiono-me se o inconformismo não seria pelo fato de que a Ordem em Goiás não fiou-se ao manifesto oportunista de nenhum partido político.

Por fim, cansei-me do morde-assopra contra um dos expoentes da OAB que realmente queremos: Leon Deniz. Tão certo como o sol nascerá amanhã é que o digno e correto conselheiro federal vai se posicionar em favor da gestão, que também é dele.

Leon compreende a oportunidade de fazer que a advocacia lhe dá e está fazendo. É um verdadeiro lutador. Está na arena, na batalha, às vezes bate, às vezes apanha, mas não foge da briga. Leon sim é um homem imprescindível.

Bruno Aurélio, por seu turno, teve a chance de construir. Mas escolheu o caminho mais fácil: o de atirar pedras.

 

(Ariana Garcia, conselheira seccional da OAB-GO)


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