Brasil

Doracino Naves, até sempre!

Redação DM

Publicado em 3 de março de 2017 às 01:44 | Atualizado há 9 anos

O Poeta não morre muda de endereço, a vida é um grande poema cujos versos iniciam-se na terra e terminam no céu. Doracino Naves nos deixou tão rapidamente, não tivemos tempo para a despedida, nem mesmo para um abraço ou um aperto de mão.  O Poeta mineiro de Araguari, mas, goiano de alma e de coração voou como pássaro alado em direção ao além. As nossas origens são as mesmas, pois, tanto Doracino Naves, como nós, somos oriundos da Vila Nova, tradicional bairro de Goiânia, localizado na Região Leste. Vila Nova de tantas lembranças e de tantas nostalgias, Vila Nova do meu saudoso tio Germino, que assim como Doracino, foi também Vereador em Goiânia, inclusive uma das ruas da Vila Nova, a antiga Quarta Avenida, atualmente é chamada de Avenida Vereador Germino Alves.

Vila Nova do saudoso  Boaventura, outro inesquecível Vereador de Goiânia, figura emblemática, homem simples, mas, que deixou um grande legado de trabalho em prol do goianienses, Vila Nova do saudoso João Natal, político atuante, que foi Vereador, Deputado Estadual, e três vezes Deputado Federal, chegando inclusive, a presidir a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, Vila Nova de alguns comércios tradicionais  que o tempo não conseguiu extingui-los, como o Bazar da Olga, a Casa Esmeralda, o Supermercado Sirva-Se, e o velho Mercado, que ainda sobrevive com algumas lojas, açougues e as pastelarias, Vila Nova de tantos amigos, como o Júlio Résio, que recentemente eu, e meu Pai, Nolberto ( Dete) o visitamos, e durante a nossa visita lembramos de alguns outros nomes dos velhos amigos da Vila Nova, como o dos saudosos: Berlarmino, Francino ( o Cino) e o Antônio Zeca ( Tõe Zeca), ainda lembramos do José Luis, ex –jogador do Vila Nova, do Jornalista Alírio Afonso de Oliveira, do Escritor Aidenor Aires, do Ex- Deputado Clarismar Fernandes, do saudoso Vereador Ubaldino Rocha, do Lazinho, da Secretaria de Finanças ( falecido recentemente) do  Domingos Cavalcante, do Antônio Uchôa, do Deputado Francisco de Oliveira, do  Pr. Jaime Antônio, do Pr. Jorge Branco, do Padre Otávio ( in memorian) do Gilberto Marques ( In memorian)   da família Nogueira, e de  tantos outros; e também, é claro, não deixamos de falar do Vila Nova Futebol Clube, que iniciou na Vila Nova, por isso, o time leva o nome do Setor.  E, por fim, falamos da Liga dos Amigos de Vila Nova, uma das primeiras instituições comunitárias de Goiânia, e que foi presidida por muitos anos pelo Vereador Germino Alves.

Doracino Naves nunca se esqueceu das suas raízes, pois, em muitas de suas crônicas publicadas semanalmente  no Diário da Manhã, ele sempre mencionava a Vila Nova, e inúmeros do seus moradores, como o Sr. Severino e as suas filhas, gostava de lembrar dos craques do futebol amador do bairro, como do meu saudoso, tio Otacílio, que além de um bom jogador de bola, era engenheiro, e muito bom nos cálculos. Doracino Naves foi um sonhador de alma inquieta, vivia viajando no tempo entre um passado de lembranças imorredouras e um presente cheio de saudades,  fazendo sempre apologia da Vila Nova, do Bairro Popular, do seu tempo de infância, iniciado em Minas Gerais, e de sua adolescência e mocidade vividas em Goiânia, cidade a qual,  Doracino sempre amou, chegando inclusive,  a ser Vereador e Secretário da Cultura Municipal e Estadual. Por muitos anos, Doracino Naves atuou também no jornalismo, era apresentador do Programa Raízes, exibido pela PUC TV, um programa onde era sempre exaltada a cultura goiana, com os nossos costumes, nossos sotaques, nossas músicas e as nossas tradições, e era também editor da Revista Raízes.

Doracino Naves era casado com a Escritora e Poetisa Clara Down, e deixa três filhos, os empresários Marcos Naves, Soraya Naves e Márcia Naves. Doracino Naves nos deixou no auge dos seus 68 anos, esbanjando juventude e idealismo, deixando  conosco a saudade imorredoura, e a eternidade dos seus escritos que o tempo não será capaz de apagar. O Poeta ao nascer embarca no trem da vida e passa por algumas estações, espalhando sonhos, saudades e alegrias, mas, ao final da viagem o poeta retorna a estação primeira, para continuar fazendo poema para os anjos. Doracino Naves! Até Sempre!

 

(Giovani Ribeiro Alves, filósofo, professor, escritor, poeta, membro da Associação Goiana de Imprensa e articulista do Diário da Manhã)


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