É de silicone, mas parece natural
Redação DM
Publicado em 11 de novembro de 2016 às 02:02 | Atualizado há 10 anosLipoaspiração e aumento de mamas são os procedimentos mais procurados pelas brasileiras. O país lidera o ranking de realizações de cirurgias plásticas, de acordo com dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (Isaps). Quando se trata da mamoplastia – o aumento das mamas – são mais de cem mil intervenções, em média, por ano, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). O que evoluiu nessa área e quais os anseios das mulheres que procuram pelo procedimento?
Ao entrar no âmbito das motivações, os quadros precisam ser avaliados individualmente. Em alguns casos, há influência direta no estado emocional da mulher. A reconstrução da mama de uma pessoa que tenha enfrentado um câncer, por exemplo, muda significativamente a forma que ela vê a si mesma, não há dúvidas disso. Mas não é preciso passar por uma situação traumática para buscar a cirurgia plástica. Há quem queira mudar o próprio corpo para sentir-se mais bonita e elevar a autoestima.
Até a década de 1980, aumentar o tamanho do sutiã era algo impensado no Brasil. Naquela época, a procura pela redução era bem mais frequente. Já nos anos 1990, buscava-se mais e o limite era a vontade da paciente. Seios enormes, alguns até desproporcionais, podiam ser vistos por aí, em um desfile de decotes demasiadamente turbinados. Nos últimos anos, nota-se uma preferência para mamas de tamanhos mais discretos, de formatos mais naturais.
Se antes os médicos colocavam próteses do tamanho da satisfação das pacientes, hoje, os profissionais tomam como base medidas dos ombros, tórax e altura para escolherem o tamanho e formato mais adequado a cada uma. Ou seja, os novos implantes são personalizados, por seguir medidas corporais tendo em vista harmonia e proporcionalidade.
Além disso, havia dois formatos de prótese quando elas começaram a se popularizar: redonda ou anatômica, ambas com duração de dez anos. Hoje, o material usado é um gel de silicone altamente coesivo, que não extravasa frente a um eventual rompimento do seu invólucro, que também é feito com revestimento texturizado bastante resistente de silicone ou poliuretano.
Durante o procedimento, o implante é inserido na frente ou atrás do músculo peitoral, por uma pequena incisão na pele, feita abaixo da mama, na axila ou na parte inferior da aréola. As cicatrizes são bem menores do que antigamente, com, no máximo, 5 centímetros. É possível notar o avanço por meio do índice de satisfação nas intervenções de aumento de seios, acima de 95%.
Mesmo com a evolução tecnológica, é imprescindível realizar exames anuais depois do aumento de seios para garantir que a prótese esteja em perfeito estado. Faz-se um controle rigoroso, com avaliação física e exames de imagem, principalmente após 10 anos de operada. A decisão pela troca da prótese é baseada no desejo da paciente em alterar o tamanho ou formato das mamas, ou pela necessidade de substituição em decorrência da formação de uma cápsula espessa e contrátil que envolve o silicone e acaba por deformar a mama podendo provocar até desconforto ou dor.
(Roger Vieira, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP))