Brasil

Educação não é mercadoria!

Redação DM

Publicado em 28 de abril de 2016 às 01:43 | Atualizado há 10 anos

“Todo povo que atinge um certo grau de desenvolvimento sente-se naturalmente inclinado à prática da educação.”

(trecho extraído da obra: Paideia de Werner Jaeger)

 

Educação não é mercadoria, portanto, nunca poderá ser privatizada, pois a educação não pertence ao campo privado, ela pertence ao público, educar é algo que transcende o ambiente escolar, uma vez que, não só a escola educa, os pais educam, os meios de comunicações educam, a sociedade educa, a cultura de cada povo é um meio peculiar de educação, atualmente as redes sociais também entram como um meio de educação. A educação não é mercadoria, pois escola não é empresa, professores não são funcionários sujeitos a metas e planos impostos por um empresário que, só visa o lucro advindo do rendimento da sua empresa.

A educação não pertence a governos, governos passam, a educação continua, existem governos que, infelizmente, nunca aprenderam o conceito de educação em sua plenitude, pois se houvessem aprendido, não trataria a educação como mercadoria e os educadores como máquinas robotizadas. Educação privatizada torna-se elitizada, onde o estudante de baixa renda terá menos acesso, onde o educador será tratado como um “funcionário comum” e que, se dentro de um determinado prazo o professor não cumprir as imposições advindas  de um “comando”, poderá ter seu salário diminuído, seus direitos inerentes à classe do magistério (fim dos concursos para professores, retirada do quinquênio, da  licença-prêmio, e da progressão) retirados, podendo também ser demitido facilmente.

Educação não é mercadoria, pois, a educação não pode ser vendida, negociada, leiloada ou vilipendiada para atender capricho de governantes imbuídos de motivos escusos ou para atender apaniguados e grupos financeiros. O conhecimento não se privatiza, pois, é uma propriedade intrínseca do indivíduo enquanto Ser social, politico e cidadão comum. Nivelar á educação ao grau de mercadoria é uma afronta ao sujeito que pensa e que interage com o meio social e que busca também o aperfeiçoamento humano, espiritual e cultural.

Por que ainda existem governos que insistem na privatização da educação? Porque a educação privatizada é um sinônimo de educação: cara, selecionada, direcionada, manipulada e terceirizada. A educação pública por sua vez, é um sinônimo de educação igualitária para todas as classes sociais e onde o acesso ás universidades também é facilitado para todos. Os governos devem governar sob a o lema de que, a escola pública e gratuita deve ser mantida, melhorada e respeitada, a fim de que, as futuras gerações não venham cobrar-lhes no futuro, um alto preço, pois,  foram omissos com a educação e fizeram da mesma uma mercadora de terceira categoria.

Governos bem educados, naturalmente são propensos a investir com seriedade na educação de um povo, valorizando o educador, lutando incansavelmente para aquisição de verbas para a educação, contribuindo com melhorias em todas as áreas educacionais, como por exemplo, para a erradicação do analfabetismo, infelizmente, no Brasil, segundo os últimos dados do IBGE, ainda existem 13 milhões de analfabetos (e a maioria está acima dos que possuem 15 anos de idade) e ainda, todo governante deveria lutar com muito afinco para que,  o salário de um professor se igualasse o salário de um magistrado ou de um parlamentar.

Governos mal educados naturalmente tratam á educação como uma mercadoria, não medindo ás consequências futuras e, sem ter a consciência de que, enquanto não houver investimentos significativos na educação do Brasil, viveremos á mercê de governos ignorantes e sob a tutela de um povo que desconhece totalmente as suas raízes, raízes essas que repousam no seio profundo da educação.

 

(Giovani Ribeiro Alves, filósofo, professor de filosofia na Rede Pública Estadual em Goiânia, professor no Instituto Bíblico de Campinas, escritor, poeta)

 

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