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Eleições 2016: os jovens, a política brasileira

Redação DM

Publicado em 21 de janeiro de 2016 às 21:47 | Atualizado há 10 anos

Numa recente pesquisa com o tema “Jovens eleitores: consciência e participação na política”, realizada pelo Instituto da Cidadania, na região metropolitana de São Paulo com estudantes (a maioria entre 15 e 17 anos) de duas escolas do Ensino Médio (uma da rede pública e outra da rede privada), mostra que 90% do total pesquisado, acompanha os fatos políticos, através da mídia, mais especificamente pela televisão, jornais, revistas e rádio.

A pesquisa foi realizada com estudantes que participaram de um curso sobre a importância do voto.  O conteúdo trouxe informações básicas sobre política, voto e eleições, como a diferença de atuação entre os poderes Executivo e Legislativo, qual a importância de se conhecer o papel de um deputado e de um vereador, quem são eles e como participam da vida da cidade.

Ao contrário da rotulação de que adolescente é alienado, o estudo mostra que, para 84% dos entrevistados, a política é interessante e faz parte de seu dia a dia. Porém, quando questionados sobre como pretendem atuar na política brasileira, 65% dizem que apenas como eleitores e 25% através da militância e do movimento estudantil. Márcia Vasconcellos, superintendente do Instituto da Cidadania, avalia que isso é reflexo de uma falta de canais de participação para a juventude.

Um ponto interessante levantado pelo estudo mostra que não existe diferença de posição ou opinião entre os estudantes da rede pública e da particular em relação às suas prioridades. Ambos apontam educação, emprego, segurança e distribuição de renda como prioritários. A única diferença é que os estudantes da rede privada apontam a segurança em segundo lugar e o emprego em terceiro, ao contrário do que dizem os alunos da rede pública.

Os principais problemas dos políticos apontados são a corrupção, o descumprimento das promessas eleitorais e o fato de estarem distantes da realidade ou o desenhar ilusionista ou utopista em relação à realidade brasileira.

Para a superintendente, os estudantes têm um preconceito em relação à qualidade da política. Ela acredita que isso pode ser atribuído ao “barulho que a mídia sempre faz, trazendo à tona os fatos negativos da política” e não as boas e concretas propostas dos governantes. “Políticos desonestos existem, mas não se pode generalizar”, afirma Márcia Vasconcelos. Segundo ela, todos esses dados, além da experiência desenvolvida com os alunos durante o curso apontam para o fato de que o jovem brasileiro tem uma postura madura em relação à política e demonstra que conseguiu interiorizar os valores do que vem a ser a verdadeira democracia. A pesquisa sugere, entretanto, que a melhoria da qualidade do voto depende do aumento da escolaridade da população.

Pois bem, diante de informações como as listadas aqui, sabemos que o momento é de reflexão. Estamos em meio a um emaranhado de articulações, conchavos, costuras que antecedem um momento decisivo para a classe política que é, o das chamadas “convenções partidárias”. Qual o peso terá o voto em outubro? Existe diferença entre o voto do jovem, do adolescente ou do adulto e idoso? É chegada a hora das eleições nesse país, e com ela, a incumbência dos eleitores de decidirem quem os representará politicamente pelos próximos quatro anos. Dada à importância do voto, o debate a respeito dos candidatos é intenso, o interesse pelas propostas dos mesmos também, e o envolvimento dos cidadãos é formidável, certo? Provavelmente sim, mas se esse país for o Brasil, as coisas não serão bem assim.

É fato que muitos jovens desejam participar, mas não sabem como fazer. E fato também é, que participação política pode ser bem mais do que votar em uma eleição. Taxar a juventude atual de alienada, é preconceito. Mas, a despeito dos alienados, para os jovens que realmente se importam com os rumos do país, cabe o exemplo do que ocorre atualmente no Chile.

O poeta e dramaturgo Bertold Brecht alerta que o analfabeto político é aquele, que simplesmente ignora a política. Para ele, a política é “um saco” e nenhum candidato presta, já que são todos iguais. Diante disso, muitas vezes acaba extremando pela anulação do voto, como forma de “dar o troco”. Mal sabe ele que esse tipo de postura só favorece o político atolado ou envolvido com a corrupção, que acaba, por manobras escusas mantendo-se no poder.

Não se pode tirar toda a razão dada o desânimo causado por percalços políticos brasileiros que se dobram a essa prática, mas a mudança só será possível se esse tipo de atitude mudar.

Tivemos os protestos em massa, mas o Brasil não precisa de uma legião de revolucionários ensandecidos, mas de jovens conscientes de seus deveres e de seu poder que podem influenciar diretamente em mudanças para esse país.

Outro fator que prejudica a participação política dos jovens é a falta do ensino da ética nas primeiras fases da vida. Muitos jovens estão acostumados a ver pessoas tirarem vantagem em detrimento de outrem por meio de mentiras, o que os faz apáticos perante, por exemplo, de escândalos de corrupção, já que eles acabam achando normal o fato de pessoas tentarem obter vantagens individuais em detrimento dos coletivos. Assim, a falta de ensino da ética diminui a adesão de jovens a movimentos pela igualdade, justiça e liberdade.

Para que esse quadro seja redesenhado, é necessário que a mídia se comprometa a transmitir mensagens estimuladoras e de esclarecimento sobre da importância de jovem nas decisões políticas do país. Atrelado ao poder de influência que exercem os meios de comunicação, cabe também ao próprio Estado investir numa melhor formação, não só didática, mas também de caráter daqueles que estão espalhados pelas nossas escolas, disciplinando para que tenhamos e encontremos uma sociedade brasileira mais sólida, coletiva e solidária.

 

(Ronilson de Souza Reis, advogado, pós-graduado Direito Penal e Processo Penal, especialista em Direito Eleitoral)

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