Brasil

Eleições presidenciais já neste ano podem ser a solução

Redação DM

Publicado em 10 de junho de 2016 às 02:42 | Atualizado há 10 anos

Assaltado o poder pelo golpismo, o quadro político brasileiro se faz alvo de enfoque negativo na imprensa estrangeira. O editorial desta última segunda-feira do The New York Times, universalmente conhecido como um dos mais importantes veículos da imprensa mundial é de incisiva condenação ao que se passa no Brasil. Iniciada há menos de um mês a era Temer já se projetou como um período revelador do passado condenável da maioria dos que aspiravam ascender ao poder fora do processo eleitoral. Com o título Medalha de ouro para o Brasil para a corrupção a matéria de fundo do grande jornal afirma:

“As nomeações reforçaram as suspeitas de que o afastamento temporário da presidente Dilma Rousseff no mês passado, por acusações de maquiar ilegalmente as contas do governo teve uma segunda intenção: afastar a investigação de corrupção.”

Em seguida o editorial lembra as renúncias do ex-ministro do Planejamento Romero Jucá e do ex-ministro da Transparência, Fabiano Silveira, que indicaram em conversa telefônica estar tramando para atravancar o avanço da Operação Lava-Jato. “Isto forçou Temer a prometer, na semana passada, que o Executivo não interferirá nas investigações na Petrobrás, nas quais estão envolvidos mais de 40 políticos. Considerando os homens de quem Temer se cercou, a promessa soa oca.”

“A única forma de ganhar a confiança dos brasileiros é tomar medidas concretas contra a corrução.”

No editorial o New York Times diz que os atos de proteção injustificável à corrupção geraram uma cultura tremendamente nociva à prática política.

Coincidentemente, a opinião do jornal é reforçada pelo noticiário desta semana, praticamente de toda imprensa brasileira, dando conta das maquinações na Câmara dos Deputados no sentido de que a Comissão de Ética absolva o famigerado presidente afastado da Casa, por decisão do STF, Eduardo Cunha. Já é absolutamente sabido que no momento o parlamentar, contra o qual existem as mais diversas acusações caracterizadoras de corrupção (depósitos ilícitos na Suíça, recebimento de propinas e atuação administrativa improba), já conta com maioria para essa absolvição, que somente não acontecerá se a deputada Tia Eron vier a votar contra ele, hipótese pouco provável segundo os conhecedores das tendências e dos interesses pessoais dos parlamentares.

Se ocorrer, a impunidade de Eduardo Cunha virá a se constituir numa página negra da já tão enegrecida história política brasileira e virá a demonstrar a realidade de que o sistema eleitoral brasileiro, aliado à inconsciência política de grande parte do eleitorado que elege e reelege representantes os mais indignos para os poderes Executivo e Legislativo, sobretudo para este, tem de ser, alvo de uma profunda reforma política.

Ao lado do noticiário sobre a possível impunidade de Eduardo Cunha surgiu a partir de ontem a do curioso fato da prisão de Newton Hidenori Ishii, conhecido como “Japonês da Federal”, famoso como símbolo do combate à corrupção, já que acompanhava a prisão da maioria dos indiciados da Operação Lava Jato. A prisão aconteceu em Curitiba logo em seguida à sua condenação como auxiliar de contrabandistas.

Muito significativa é a declaração do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que em seu twitter no final da última semana (sábado) afirmou que o Brasil somente sairá da crise com eleições presidenciais ainda este ano. O ex-ministro diz em suas mensagens que essa sua opinião é a mesma dos países integrantes da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que reúne 34 das mais importantes economias mundiais.

 

(Eurico Barbosa, escritor, membro da AGL e da Associação Nacional de Escritores, advogado, jornalista e escreve neste jornal terças & sextas-feiras)

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