Entre o corrupto e o bandido perigoso, qual seria o pior para a população?
Redação DM
Publicado em 11 de novembro de 2016 às 02:13 | Atualizado há 10 anosPor não atuar na área do direito penal, porquanto, não ser experto na matéria, até então, não havia feito nenhum comentário nos meus escritos publicados no Diário da Manhã sobre a questão que dá o título a este artigo. Apenas limitava em fazer alguns comentários com amigos sobre o meu ponto de vista de ser contrário à aplicação de penas de prisão para quem pratica ato de corrupção. Isto porque, esta infração penal é sempre praticada de maneira pacífica e sem qualquer violência à integridade física da vítima. Além do mais, o objeto perseguido é de natureza material.
Portanto, e pelo que temos visto, até o momento, quem pratica este tipo de crime são indivíduos que não oferecem nenhum perigo à população. Por isso, notando que este ponto de vista não é isolado, ou seja, não é exclusivamente pessoal, resolvi, com maior segurança, expô-lo também aos leitores deste Jornal, de maneira simplificada, para melhor entendimento.
Como é do conhecimento de todos, nos últimos anos, temos presenciado as autoridades judiciárias decretar prisões preventivas e condenar políticos e empresários de destaque, sob acusação de praticarem atos de corrupção, mesmo que o crime não ofende a integridade física das pessoas que se colocam como vítimas. Enquanto isso, as mesmas autoridades continuam colocando em liberdade bandidos perigosos e reincidentes de crimes contra a vida, que é o bem jurídico mais precioso, e eles continuam soltos, e repetindo os mesmos crimes e colocando a população em pânico.
Tudo isso porque as nossas leis penais em vigor não fazem nenhuma distinção para aplicação das penas, como deveria ser e o exagero das autoridades continua nas manchetes dos órgãos de comunicação. Dai a nossa intenção de alertar os legisladores da necessidade de uma ampla reforma na legislação penal brasileira, para adaptar as penas com a natureza das infrações cometidas. Caso contrário, a situação continua como está, ou seja, as autoridades judiciárias colocando atrás das grades pessoas que não oferecem nenhum perigo à população e colocando em liberdade bandidos perigosos e a insegurança continua.
(João Francisco do Nascimento, advogado militante em Goiânia, OAB-GO 2544, e articulista do Diário da Manhã, e-mail: [email protected])