Brasil

Estado lerdo e ganancioso

Redação DM

Publicado em 12 de novembro de 2016 às 01:45 | Atualizado há 10 anos

Sim senhor, criado para servir a sociedade, portanto, servo da sociedade, passou a perna, tornando a sociedade sua serva. No entanto, ele não se move por si mesmo, para movimentar carece de gestores públicos, contratados pelo voto. Estes, em sua maioria, estão a carecer de eficiência, vontade incisiva, para fazer o senhor estado funcionar bem. Pudera, encontra-se, quase sempre, enferrujado e sem lubrificar, o que levou, no passado, o filósofo Alemão, Káfka, a inventar o termo burocracia, com o propósito de tornar o estado mais eficiente e, com isto, ganhar legitimidade dos governados. Então, quando de sua invenção, burocracia era sinônimo de eficácia, ou seja, arte de diligenciar processos, porém, com o perpassar do tempo, burocracia, revirou, tornou-se sinônimo de emperramento de processos, tornou-se dessa forma, ante Kafikana, pois sua idéia, pensamento, era dinamizar a Administração Pública.

Imagine você, patrício leitor, a nossa Administração Pública em plena aurora do III milênio continua emperrada, anda como tartaruga. O que pode ser visto, pela colocação do país, no ranking do Fórum Econômico Mundial, de 2015, que reflete essa lentidão de máquina estatal bastante emperrada, pois, em 140 nações pesquisadas, ocupa o 123° lugar, em infraestrutura de transporte e o 122° em portos e rodovias, ambas, bem próximas do último lugar. No tocante ao custo de escoamento da produção é ele quatro vezes mais caro do que o de nosso irmão do norte, os EAU, e, de igual forma, ao da nossa vizinha do sul, a Argentina, de modo semelhante, o Chile.

A ferrovia Norte-Sul, pronta há seis anos, e, ainda hoje, sem funcionar, portanto, parada. A BR-153, super congestionada, paralela a ela, ferrovia, a espera de duplicação, emperrando o escoamento e, sem dúvida, onerando-o, complementa o quadro de estrutura logística precária. De outro, a gastança desenfreada, abusiva, que descambou no atual atoleiro econômico, inflação em alta, desemprego, constituem prova cabal e execrável da ganância dos gestores do estado. De modo que, o estado paga o pato, mico, mas, na realidade, os culpados, réus, são os seus gestores, contratados pelo voto secreto, soberano, para bem governá-lo. Em vez de bem governá-lo, consoante o pactuado, correto, bandeiam. Sofríveis em determinação, vontade soberana, acabam abraçando, em sua maioria, o maquiavelismo, protagonista da corrente patrimonialista, sublimando a ganância e solapando, emperrando, o crescimento da economia nacional.

Convém ressaltar leitor, que tal emperramento, lerdeza administrativa, parece hereditário, pois, existia no passado, tanto é que, no governo militar foi instituído um ministério, o da desburocratização, para acabar com ela. Entretanto, o ministério foi-se e a burocracia ficou, criou mais raízes ainda, persiste impoluta. Acontece que, quando o governante é dotado de vontade, disposição, como foi Juscelino Kubitschek de Oliveira, obstáculo dessa natureza, não conseguiu segurar sua determinação de promover a aceleração do crescimento econômico, associado ao desenvolvimento, construindo e inaugurando, a nova capital do Brasil, durante o único mandato que lhe foi outorgado pela sociedade eleitora.

Quem diria! Era eu, naquela conjuntura, estudante de veterinária em Belo Horizonte, UFMG, além do mais, presidente do diretório acadêmico, como tal, dirigente estudantil, nesta condição, passei telegrama cumprimentando-o pelo grande feito, a resposta veio também incontinente, na forma usual, telegrama, agradecendo a nossa manifestação. Ao edificar a capital do país, no planalto central, anseio de gerações, rompia ele, de forma sobeja, singular, com a civilização do caranguejo, caracterizada pelo crescimento ao longo, apenas, da orla marítima. Promoveu, o saudoso e insigne presidente, com este gesto histórico, empreendedorista, os fundamentos para a conquista dos sertões, cantados em prosa e verso por Guimarães Rosa”, na sua magistral obra: “Veredas e sertões”, estabelecendo as bases, para a integração, no processo produtivo, maior parte do território brasileiro.

Conquistada, pioneiramente, pelas Bandeiras e, principalmente, os Bandeirantes, dormitava a espera do progresso. De sorte que, a construção de modernas rodovias, abriu condições para o desbravamento por pioneiros, Bandeirantes, agora do século XX. Elas, verdadeiras artérias, viabilizaram a penetração e escoamento da riqueza, incentivando a sua colonização, hoje, maior celeiro agropecuário do país, forjando, com isto, o Agronegócio, na atualidade maior fonte exportadora e internalizadora de divisas para o país, rivalizando com a América do Norte, esta, a quase um século, maior produtora de alimentos do mundo, este país, o segundo lugar, aproximando a cada ano mais, sua vocação de maior celeiro agrícola do mundo.

Tivesse os gestores do estado, contratados pelo voto, continuado na mesma toada, a ação encetada por JK, rompendo com a lerdeza, emperramento atual, incentivando o crescimento continuo da produção e produtividade, com o aprimoramento das redes de escoamento: fluvial rodoviário, ferrovias, modernizando portos, racionalizando o preço do óleo diesel, o mais caro do mundo, na contra mão da história, porquanto afronta, as grandes distâncias percorridas no escoamento. Política estrábica dessa natureza, contrasta, choca, contra a pertinácia dos produtores rurais, alavanca mentora e motora da produção rural, forjadora do Agronegócio. Com efeito, não fosse tamanha cegueira, nosso país já teria alcançado a vocação, a muito alardeada, de maior celeiro agropastoril da terra. Já seria atualmente, o maior produtor de alimentos do planeta.

Além do mais, pesa, e como pesa, no cumprimento desta vocação singular, o emperramento da macroeconomia, no seu global condução dos negócios públicos, a corrupção e outros gastos surpérfluos, subsidiados pela viciada mordomia, às expensas da sociedade contribuinte. O mesmo vem se repetindo no terreno da micro economia, como exemplo, o fajuto programa de reforma agrária, que se esmera na quantidade de colonos assentados, mas, se deteriora, porquanto lambão no trabalho de emancipação daqueles patrícios. Deveras leitor! É ele, caracterizado por baixa qualidade assistencial, condenando quase toda aquela gente, que ali acorreu em busca de um lugar ao sol, a penúria, dificuldades mil, fazendo do lote, quinhão de terra, que lhe foi concedido, objeto de comércio vil.

Com efeito, leitor, por falta de uma política austera, tanto na seleção das famílias candidatas ao assentamento, como na assistência técnica, creditícia e social, acabam descambando para negociatas, como a venda dos seus pretensos direitos. Ilicitude sublimando, de certa forma, auto-negócio, sorte lotérica, às vezes, ainda saindo em busca de outra oportunidade, em assentamentos alhures, fazendo inscrição em nome da esposa, ou filho em idade hábil. Em meio à maioria frustrada, não se pode negar que, sobressai uns poucos dotados de determinação, tanto por esta qualidade peculiar, como por outra, a experiência vivida, como agricultor. Para sucesso geral, em empreendimento como este, não basta a terra, o acesso a ela tem que ser conjugado, obrigatoriamente, com outras ferramentas, como os serviços estaduais de extensão rural, nos primórdios, pois, os atuais foram burocratizados, em dose cavalar, pelos próprios gestores públicos, que deveriam ter melhorado, bem mais, a qualidade salutar que tinha as Acares.

Contudo, não é difícil restaurar sua eficácia, basta o governo federal, com a criação que houve, há pouco tempo, da Anater, que nasceu bolivarizada, fazendo-a funcionar com força de progresso, fundada no principio filosófica de “ajudar a família ajudar a si mesma” associado a outro princípio, agora, o técnico, abominando toda sorte de paternalismo, pois é este, inimigo da autêntica democracia, “o fazer fazendo”. Ele, colono assentado participando, ativamente, do processo, e, nunca, recebendo tudo de mão beijada, com ela, extensão eficácia, encorajando-o a vencer as barreiras, entraves da pobreza, com o trabalho honesto, produtivo, suor da cara. Buscando patrício leitor, perdidos nas brumas do tempo, fragmentos do discurso do estratego Grego, da grande geração que viveu Atenas, por ocasião da guerra do Peleponeso, Péricles, em sua oração aos mortos da guerra, a frase “Vergonha não é ser pobre, vergonha é não lutar para sair da pobreza”, encorajadora como posta, podia ostentar todo programa de emancipação da nação.

Cabe ao estado, mera figura jurídica, porém, gerenciado pelo governo, com um programa de extensão, nos moldes das extintas Acares, obrigatório, em todo programa de reforma agrária, promover de fato, a emancipação das famílias assentadas na corrente de progresso do país. Esbirra, ou esbarra ele, na morosidade, burocracia, já falada, de suas estruturas. Rompê-las não é fácil, tão pouco impossível, basta, portanto, boa dose de vontade, mais do que esta, a vontade soberana, a que sobressai das querelas rotineiras, para o relevante papel de medidora, entre instinto, paixão que cobiça e o espírito, razão, que sabe discernir, conhece, emergindo, dessa forma, soberana, capaz de vencer, toda sorte de obstáculos, entre os quais, o emperramento, barreiras, estruturas, infraestruturas, acelerando a máquina do estado, estado, ora lerdo e ganancioso.

De igual forma, viciosa é a Bolsa Família, que recebe, de forma generosa, verba dos impostos de todos, sem compromisso. Imagine, nem o compromisso de sua emancipação, levando uma vida subserviente, descambando para a indolência. Carecendo assim, de modo imperativo, de capacitação dos beneficiados, para bem construir sua emancipação socioeconômica, e, em tempo previsível, libertar-se do programa do estado, abrindo lugar para outras famílias, também, na penúria. Tal mudança só ocorrerá se você leitor, dentro da ordem, de forma pacífica, manifestação gigante, cutucar os governantes, com vara curta.

Como dito, cutucá-los em grupo, pois, isolado, não vale uma pitada de fumo. Neste sentido, participe da vida política de sua comunidade, fazendo corrente, formando opinião, buscando desenferrujar, e, com isto, dinamizar, racionalizar, a estrutura administrativa da nação.

 

(Josias Luiz Guimarães, veterinário pela UFMG, pós-graduado em filosofia política pela PUC-GO, produtor rural)

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