Brasil

Fazer o bem faz bem

Redação DM

Publicado em 25 de maio de 2017 às 01:32 | Atualizado há 9 anos

Em meio ao trânsito desordenado, um motorista gentilmente cede-me passagem. Visito um colega no seu local de trabalho que, com prazer, percorre toda a instituição, mostrando-me a evolução da infraestrutura local e as melhorias implementadas na qualidade das condições de trabalho. Apresento um cidadão a um chefe de um setor público que de imediato, toma providências no sentido de atender as suas necessidades. Recebo um breve telefonema de um amigo com quem não falava há tempos apenas para mandar lembranças.

Cenas aparentementes triviais, talvez até desprovidas de motivação para serem memorizadas, porém, capazes de colorir com satisfação e gratidão um dia como outro qualquer: dizem que Deus está nos detalhes e nós não percebemos.

Como tudo na vida, estamos sujeitos às situações opostas àquelas que acabam de ser relatadas: de um motorista que quase provoca um acidente para evitar ser ultrapassado, a profissionais de atendimento ao público que prestam um verdadeiro desserviço pela falta de atenção e empatia. Quem já não perdeu o humor pela ausência de um cumprimento matinal de um familiar, por um comentário depreciativo ou maldoso, carregado de segundas intenções de um colega de trabalho, por uma reprimenda pública e desmesurada?

Quando pequenos, somos ensinados a fazer o bem. Isso pode ser traduzido em praticar uma boa ação diária, algo como ajudar um idoso a atravessar a rua – essa é uma imagem emblemática para mim. Fazer o bem em escala maior é missão para super-heróis dotados de super poder, aptos a salvar toda a humanidade, promovendo a justiça e combatendo o mal.

Nossas pernas crescem e nossa imaginação encurta, então descobrimos que não há super-heróis, não há super poderes, a humanidade não pode ser salva, a justiça é utópica e o mal viceja, por isso, desistimos de ajudar os idosos a atravessarem a rua e deixamos de pronunciar palavras de agradecimento, apoio e conforto àqueles que nos cercam, assim paramos de praticar o bem e perdemos a capacidade de enxergá-lo.

A vida, tomada racionalmente, não é fácil para a maioria das pessoas. Quando se tem saúde, não se tem trabalho. Quando se tem trabalho, não se ganha o suficiente. Quando se ganha o suficiente, não se tem reconhecimento e nem a devida valorização. Quando se tem reconhecimento, não se tem paixão. Quando se tem paixão, não se encontra o amor. Quando se encontra o amor, falta a saúde.

Cada um de nós tem uma missão a cumprir e cada missão vem embalada em um fardo que não é nem grande, nem pequeno, mas na medida exata do que podemos suportar. Uns têm fardos maiores que outros, e alguns enfrentam adversidades mais contundentes, no entanto, todos têm limitações.

Fazer o bem é tratar a vida como um fim e não como um meio. Fazer o bem é expandir o estado de vida, ao passo que fazer o mal é tratar as pessoas como coisa, agindo por sentimentalismo, revanchismo ou despeito, e com isso desagregando, manipulando e dividindo.

E todos, sem exceção, podemos ser úteis, doando-nos, como, por exemplo, quando ouvimos com atenção e interesse o interlocutor aflito, desejoso de conhecer outra opinião ou, pelo menos, de desabafar, aliviando-se da angústia ou da ansiedade.

A meu ver, fazer o bem, é algo que podemos começar sem que precisemos mudar nada em nossa rotina, devemos fazer o que sempre fizemos, mas com outra qualidade, com mais respeito, com mais atenção, mais olho no olho, mais gentileza. Não adianta nada querermos fazer o bem ao próximo à custa de abandonarmos a nós mesmos.

 

(Valdson Batista é guarda ivil metropolitano e porta-voz da GCM)


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