Brasil

Fazer ou não uma cirurgia bariátrica?

Redação DM

Publicado em 5 de maio de 2016 às 01:30 | Atualizado há 10 anos

“Es­tou gor­da, não con­si­go ema­gre­cer, já fiz de tu­do, to­das as di­e­tas pos­sí­veis e não per­co pe­so. Pos­so fa­zer a ci­rur­gia ba­ri­á­tri­ca?” É co­mum ou­vir es­se ti­po de re­cla­ma­ção e ques­ti­o­na­men­to no meu con­sul­tó­rio, mas pa­ra pas­sar por es­te ti­po de pro­ce­di­men­to é ne­ces­sá­rio que o pa­ci­en­te te­nha con­sci­ên­cia de que se tra­ta de úl­ti­mo re­cur­so.

No Bra­sil, se­gun­do da­dos do Mi­nis­té­rio da Sa­ú­de, em 2015, 18% da po­pu­la­ção aci­ma dos 18 anos (37 mi­lhões), apre­sen­ta­ram IMC mai­or que 40Kg/m². Um nú­me­ro alar­man­te que au­men­tou con­si­de­ra­vel­men­te, por­que em ja­nei­ro des­te ano, o Con­se­lho Fe­de­ral de Me­di­ci­na (CFM) pu­bli­cou re­so­lu­ção que re­duz o IMC de 40 pa­ra 35, um fa­ci­li­ta­dor pa­ra a to­ma­da de de­ci­são.

Se vo­cê an­da pen­san­do em fa­zer uma ci­rur­gia ba­ri­á­tri­ca, an­tes de pro­cu­rar um mé­di­co, sai­ba que: não é por­que vo­cê es­tá com so­bre­pe­so po­de pas­sar por es­te pro­ce­di­men­to. Co­mo já foi di­to, é ne­ces­sá­rio ter ín­di­ce de mas­sa cor­pó­rea igual ou mai­or que 35kg/m² e ter agra­van­tes de ris­co à sa­ú­de co­mo di­a­be­tes, hi­per­ten­são ar­te­rial, ap­neia do so­no e/ou ou­tros; pa­ra os pa­ci­en­tes com IMC aci­ma de 50kg/m², é pre­ci­so per­der al­guns qui­los; exis­te o ris­co de ane­mia e dé­fi­cit nu­tri­cio­nal, que po­de ser con­tro­la­do pe­lo seu mé­di­co; exis­te a pos­si­bi­li­da­de de vol­tar a ga­nhar pe­so após a ci­rur­gia. Pa­ra evi­tar is­so é ne­ces­sá­rio acom­pa­nha­men­to mul­ti­dis­ci­pli­nar com psi­có­lo­go, ci­rur­gi­ão e nu­tri­cio­nis­ta no pós-ope­ra­tó­rio; é re­co­men­da­do às mu­lhe­res que quei­ram en­gra­vi­dar dois anos de es­pe­ra após a ci­rur­gia.

Es­ta ma­té­ria é ape­nas uma bre­ve ex­pla­na­ção so­bre a ci­rur­gia ba­ri­á­tri­ca. O pa­ci­en­te de­ve pas­sar por uma equi­pe mul­ti­dis­ci­pli­nar an­tes de op­tar por ela. Exis­te o ris­co de com­pli­ca­ções, mas com um bom pro­fis­si­o­nal, idô­neo, com bo­as re­fe­rên­cias, tu­do sai­rá bem. Meus pa­ci­en­tes es­tão fe­li­zes e com qua­li­da­de de vi­da. Cu­i­de de sua sa­ú­de, seu bem mais pre­ci­o­so, e nun­ca irá pre­ci­sar de uma in­ter­ven­ção ci­rúr­gi­ca co­mo es­ta.

 

(Dr. Adi­lon Car­do­so Fi­lho, mé­di­co gas­tro­en­te­ro­lo­gis­ta, ci­rur­gi­ão ge­ral de La­pa­ros­co­pia e Ro­bó­ti­ca)

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