Brasil

Felicidade

Redação DM

Publicado em 5 de julho de 2017 às 22:30 | Atualizado há 9 anos

Para cada pessoa, felicidade representa um ideal benevolente e de bem-estar diferente. Ao indivíduo mais materialista, talvez a ideia de felicidade seja representada pelos bens materiais.

Sócrates relacionou a felicidade à virtude e justiça, e seu discípulo Antístenes acrescentou autossuficiência. Platão e Aristóteles associavam o conceito de felicidade com a alma e a virtude. Aristóteles, no livro Nicômano também refletiu sobre ela a partir da ética, adicionando itens como a boa saúde, a liberdade e uma boa situação socioeconômica para alguém ser feliz. Demócrito de Abdera (460 aC) disse que a felicidade era “a medida do prazer e a proporção da vida”, e o objetivo dela era abandonar as ilusões e os desejos para alcançar a serenidade, inclusive pela filosofia. Pirro de Élis relacionava a felicidade à tranquilidade.

Tales de Mileto, que viveu entre as últimas décadas do século 7 aC, “é feliz quem tem corpo são e forte, boa sorte e alma bem formada”. Posteriormente a felicidade foi relacionada com certa apatia e autossuficiência, no sentido de desenvolver uma atitude de indiferença, de impassibilidade, em relação a tudo ao seu redor. Baixando as expectativas, quem se contenta com pouquíssimo, quem tem pouco já é muito! A velha fórmula onde felicidade é igual a realidade menos expectativas.

Para Epicuro essa “apatia” não significa abdicar ao prazer, já que isso seria essencial para obter sua felicidade no sentido hedonista (visando a satisfação, alegria e prazer). Para John Locke e Leibniz (do século XVII) acrescentaram o tempo na felicidade, com a ideia de um prazer duradouro. Depois, Immanuel Kant disse que são os acontecimentos ao longo da vida se moldam de acordo com o desejo e vontade do ser racional. Depois de um século, Bertrand Russel disse que felicidade é eliminar o egocentrismo,

Vibração intensa onde se sente vitalidade, mas não é um ato contínuo ou permanente, são instantes episódicos, onde a vida se leva ao máximo de intensidade. Uma vida feliz não é livre de tristezas. Felicidade não é a busca de euforias, muito menos relacionadas ao consumo seja de materiais ou substâncias. A posse constante de coisas e o consumismo levam a um estado de ansiedade e aumenta as vontades de coisas insignificantes, levando a tristeza e depressão.

Contentar-se com o que se tem é justamente a recomendação para obter felicidade escrita por Paulo, em Filipenses 4:11 (da Bíblia Sagrada). Talvez saber como se adaptar de acordo com os infortúnios e mazelas seja mesmo o melhor intuito a se propor pela vida. Para o Budismo, a felicidade ocorre quando se cessa o sofrimento e pela superação do desejo, com ajuda do treinamento mental (a meditação é um desses mecanismos).

Para os Chineses, Lao Tsé dizia que a felicidade pode ser conquistada tendo como exemplo a natureza. Confúcio acreditava que a felicidade era a harmonia entre as pessoas.

O padrão de felicidade está evidentemente vinculado a fatores externos, como nosso imaginário, criado pelos filmes, livros e estórias infantis (ou não), pelo dinheiro e pelo status criado cotidianamente pela mídia.

Mario Cortela reforça o antigo sentido de que a felicidade decorre do que verdadeiramente é essencial na vida (amizade, fraternidade, lealdade, amor, sexualidade, religiosidade), mas o fundamental ajuda a se chegar no essencial. Como exemplo, a questão do dinheiro para sobreviver no mundo capitalista, mas o dinheiro não compra a sexualidade (apenas sexo), amizade (apenas interesse), fidelidade (mas reciprocidade compromissada).

A felicidade também é se encontrar e se conhecer, obtendo descobrir cada um a sua missão e essência. Talvez fazer com os outros as coisas realmente boas que a gente gostaria que fizessem conosco é uma boa contribuição para um bem maior: um dos caminhos para a felicidade. Até a próxima página!

 

(Leonardo Teixeira, escritor)


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