Brasil

Filhos precisam de pais

Redação DM

Publicado em 14 de julho de 2016 às 02:28 | Atualizado há 10 anos

Não são falas sobre violência, adultério e tantos outros males que me causam os mais fortes arrepios, mas sim o que ouço de meninos e meninas na mais tenra idade. O que eles dizem confirmam porque vivemos, hoje, numa sociedade à beira do caos, praticamente, falida.

Diante de cada relato faço a mesma pergunta: você não tem pai e mãe? Onde estão eles que não percebem o que você faz? A cada dia tenho mais certeza de que o fracasso atual se deve a pai e mãe, que fazem tudo, menos cuidar dos filhos.

Vocês devem estar achando essa minha conversa muito antiga, conversa de padre conservador. Quem disse que hoje pai e mãe são importantes na vida dos filhos? Esse negócio de família é coisa ultrapassada; aliás, ser homem ou mulher é questão de opção, decisão pessoal. O que Deus determinou não vale para essa sociedade permissiva e pagã: “Deus criou o homem e a mulher. Deus os abençoou.”

Confesso estar muito assustado com o ritmo de vida dos nossos filhos, e, naturalmente, com a indiferença dos pais. A continuar assim, viver neste mundo será, praticamente, impossível, o mal não tem mais limite, a cada dia os absurdos se superam. Os jovens são cada vez mais iguais, costumam frequentar lugares que são proibidos para maiores, até mesmo nas festas infantis os pais são barrados. Na maioria das vezes, os pais não têm a menor ideia de onde andam seus filhos: “Olha padre, fui a uma festa de rap, e lá o ficante da minha prima arrumou uma menina para eu ficar, e eu gostei dessa experiência homossexual.”

O grave é que estamos lidando com crianças, mais espertas, ousadas, agressivas e mais poderosas do que nunca. Parece que com essa nossa tentativa de sermos os pais que gostaríamos de ter, passamos de um extremo ao outro: nos tornamos a última geração dos filhos que obedecem a seus pais. À medida que as fronteiras hierárquicas entre nós e nossos filhos foram-se desvanecendo, os termos das relações familiares mudaram de forma radical para o bem e para o mal. Hoje, os bons pais são aqueles que conseguem que seus filhos os “amem”, ainda que pouco os respeitem. São os filhos que agora exigem o respeito de seus pais: que respeitem suas ideias, seus gostos, suas preferências e sua forma de agir e viver. E, além disso, os patrocinem no que necessitam para tal fim.

Os papéis se inverteram e agora são os pais que agradam em tudo a seus filhos. Isso explica o esforço que fazem pai e mãe para serem os melhores “amigos” e tudo dar a seus filhos. Se o autoritarismo suplanta, o permissível sufoca.

É visível a fragilidade dessa relação, já que os pais são facilmente dominados pela necessidade de se sentirem amados pelos filhos, e dizer “não” é algo que lhes custa muito, porque precisam se sentir menos culpados pela ausência, pela falta de tempo de qualidade com os filhos, hoje, terceirizados à escola, ao excesso de atividades extra casa.

Até onde iremos com essa falsa democracia? Precisamos recuperar os nossos filhos e ajudá-los na formação de seu caráter. Será que, realmente, temos que deixar nossos filhos sempre sozinhos, mesmo quando estamos em casa? Precisamos admitir que passamos de um extremo ao outro no cuidado dos filhos: do tudo proibido, ao tudo permitido, ao ponto de perdê-los para os vícios, para o sexo desregrado e para o mais potente dos rivais, “o celular”, com quem aprendem todas as coisas, até mesmo como tirar a própria vida.

Os filhos precisam perceber que estamos à frente de suas vidas, liderando-os, e não atrás, carregando-os e rendidos à sua vontade. É assim que evitaremos que as novas gerações se afoguem no descontrole, na falta de amor a Deus e ao próximo.

 

(Pe. Luiz Augusto, Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus)

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