Fim ou começo?
Redação DM
Publicado em 20 de outubro de 2015 às 00:00 | Atualizado há 11 anosO céu estava escuro, negro como abismos profundos pontilhados por infinitas estrelas brilhantes. Naquela noite quente de outubro eu estava sentada em frente ao notebook fazendo aquilo que mais gosto: escrevendo, quando meu pai que estava sentado no sofá, assistindo a um programa qualquer na TV, recebeu uma ligação.
– Alô?… O quê?… Como isso aconteceu? Quando?… Meu Deus!
A ligação era marcada por intervalos irregulares, sussurros e exclamações.
Quando finalmente a ligação interrompeu, ele permaneceu em silêncio, calado.
Todo aquele silêncio era algo anormal. Algo não estava certo. Algo parecia muito, muito errado.
Perguntei o que aconteceu com receio.
Ele se virou para mim e contou então que minha prima distante havia falecido. Depois, saiu.
Após receber a notícia, voltei-me para o notebook e continuei a escrever apesar do clima tenso que pairou no ar, desconfortável, ruim e amargo.
A garota era uma prima que morava em outra cidade, filha única de uma tia por parte de pai. Diferentemente da minha tia, com quem tínhamos contato constante, com essa prima não éramos tanto familiarizadas, apesar de já termos nos encontrado em jantares, almoços de família e feriados. E ela era jovem, tinha menos de 30 anos e sua morte foi uma surpresa para todos nós. Ela, além de ser nova, era considerada uma garota saudável, legal, rodeada por amigos, amante de fotos e com um bom futuro.
Passaram-se alguns minutos até que minha ficha finalmente caiu. Ela havia falecido. E não utilizaria nenhum desses eufemismos estúpidos para descrever a situação, a coisa simplesmente aconteceu. Morreu. Sem mais nem menos, de repente, simples assim. Acontecimento infeliz.
Por mais que ninguém queira pensar, ainda que aborreça, ainda que incomode, não há como negar, uma hora a morte chega sem aviso prévio, não há como escapar.
As que vão, partem porque chegou a hora, e as que ficam precisam aprender a lidar com a dor e reconstruir seus caminhos. Após minutos refletindo, conforme o tempo passou, aprendi uma lição.
Muitos se veem presos à rotina e não valorizam o que mais importa, a vida que têm. Sobre como lidamos de forma a acreditar que, morrer, nunca acontecerá com a gente. Com isso, acabamos por não viver, não viver verdadeiramente.
Não se trata sobre a morte, mas a vida. Não se trata do fim, mas do começo. Não se trata da tristeza incondicional da perda, mas da alegria por viver. De estar aqui e do agora.
Entre a angústia, a saudade e o medo que a morte carrega, vem essa possibilidade de reflexão sobre a maneira como levamos a nossa vida e sobre as marcas que deixamos no mundo enquanto vivemos.
Aproveitar cada segundo, cada momento, cada instante.
(Débora Sabate Borges, aluna do ensino médio do Colégio Estadual Novo Horizonte)