Brasil

Gestão de riscos climáticos na Agricultura e seu impacto no seguro

Redação DM

Publicado em 30 de outubro de 2016 às 00:49 | Atualizado há 10 anos

A gestão de riscos climáticos deve começar por um processo de adaptação à mudança climática. A mudança climática já é uma realidade, não é mais um problema do futuro.

Precisamos ter uma perspectiva mais precisa, não dá mais não sabermos exatamente o clima que nos espera no futuro. Sabemos que a temperatura vai aumentar, mas não sabemos exatamente quanto.

A ciência tem contribuído, os modelos climáticos ajudam com as previsões do tempo, porém eles ainda possuem algumas limitações. Estes modelos requerem dados futuros, como, por exemplo, emissões de gases de efeito estufa, taxa de desflorestamento, quantidade da população, o que acaba criando muitas incertezas.

Desta forma, precisamos adotar uma abordagem mais inteligente. Os principais impactos da mudança climática estão relacionados à variação dos eventos, ou seja, mudanças na frequência e severidade de alagamentos, tempestades e secas.

Portanto, é necessário conhecermos estas variações para que possamos ter uma agricultura mais resiliente e produtiva no futuro.

Não podemos mais esperar para agirmos, é importante tomarmos algumas medidas imediatas. O primeiro passo é conhecer o passado. Precisamos entender o histórico do comportamento climático, seus principais riscos, frequência e severidade dos eventos.

Este processo de conhecimento demanda bons dados de estações meteorológicas e satélites, interpretação correta destas informações e também entender as tecnologias, culturas e manejo dos solos que funcionaram no passado.

Contudo, o planejamento de uma safra não pode ser baseado apenas no clima. É recomendado integrar informações do clima com dados agronômicos, econômicos e de mercado, ou seja, os agricultores devem considerar outras informações na tomada de decisões, como dados de sensoriamento remoto com status da vegetação, água, umidade do solo, preços, câmbio, crédito, gargalos logísticos, etc…

Este conjunto de combinações mais as variações específicas de cada fazenda permitem simular diversos modelos. Por exemplo, em uma única fazenda, a capacidade do solo de armazenar água pode sofrer grandes variações.

Portanto, o resultado destas simulações ajuda mitigar riscos e aumentar a produtividade. Questões, como: consequências de um eventual El Nino ou La Nina, impactos em função da mudança de pacote tecnológico, rotação de culturas, melhores datas de plantio serão mais fáceis de serem respondidas.

Estamos na era do big data, é impressionante a quantidade de informações que geramos e acessamos atualmente. Hoje em dia, é possível obter imagens das fazendas através de satélites, informações da plantação através de drones, mapas de produtividade, aplicativos e etc. Entretanto, estas informações não serão úteis se as causas das variações e as ações necessárias para mitigarmos os riscos climáticos não forem identificadas.

Em conclusão, a gestão de riscos climáticos é fundamental na estruturação de programas de seguros assertivos com coberturas mais adequadas para cada tipo de risco.

 

(Eduardo Martins, líder da prática de Agribusiness da Marsh no Brasil)

 

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia