Brasil

Heróis de nobre causa

Redação DM

Publicado em 31 de dezembro de 2017 às 05:28 | Atualizado há 9 anos

Os fogos do Ano-Novo, desde o extremo oriente, passam por este aprazível Planalto Central Brasileiro e continuam até o Meridiano Inter­nacional de Datas. São sons e variáveis e luzes cintilantes de todo o arco­-íris, sinais de fomento à autoestima e da fé no próximo. Ah, que bom se se repetissem algumas vezes nos próximos meses!

Neste Planalto de Goiás e adjacências, berço das águas e de uma diver­sidade biológica das mais ricas, onde se ergueu e se manteve por milênios o Cerrado, plantou-se Brasília para a Integração Nacional. Mas com as be­nesses vieram os vícios. A moralidade proposta pelo regime de exceção, mantido por militares patriotas e que agraciou uma nata civil inimiga da sofrida Nação Brasileira… essa moralidade esvaiu-se no ralo da longevi­dade do regime, contaminou-se das facilidades das grandes empreiteiras para desaguar, três décadas após o retorno dos civis ao poder, no mar de indecências que marca fortemente as retrospectivas de 2017.

Lamento muito a omissão sobre os feitos de boa qualidade. A ciência biológica, a medicina e a tecnologia eletrônica, as inovações nas práticas e a engenharia, as realizações artísticas e um sem-número de grandes feitos permanecem no silêncio do anonimato. É triste!

Em Goiás, ficamos distantes, em boa dose, das mazelas que maculam a vida nacional em grandes centros, como o Rio de Janeiro, o Rio Grande do Sul, Minas Geral e outras unidades da Federação (nem o novo estado apeli­dado, ainda, de Distrito Federal, escapa). Não escapamos da crise, vivemos a escassez de contingentes nas polícias, não conseguimos – sem a partici­pação da União e dos Estados igualmente envolvidos – combater o tráfico.

A longa lista de malfeitos deste ano remete-me ao dia 20 de setem­bro de 1990, quando a insanidade na cúpula brasiliense ordenou o fe­chamento abrupto e estúpido da Caixa Econômica do Estado de Goi­ás, a Caixego. Mais de três mil servidores foram lançados no campo estéril do desemprego, e vários eram os casais (e mesmo casos de pais e filhos) que, sem o direito sequer de sacar seus salários – era dia de pagamento – viram-se desnudos de sua dignidade individual, de seu ganha-pão, do respeito que se angaria na sociedade quando se exerce com lisura e afinco sua obrigação profissional.

Como uma ilha entre os feitos desagradáveis, destaco eu um feito e uma figura: o resgate do respeito e da dignidade de quase dois mil trabalhado­res, vítimas daquela falseta “collorida” praticada a pedido não se sabe ao certo de quem – só se sabe que o propósito era agredir o governador Hen­rique Santillo, cujo grande erro era a sua autonomia, já que não se curvou ante o rigor da ditadura e certamente não aceitava cabrestos políticos.

O feito, pois, foi esse resgate, a anistia e a recondução de uns 1.800 funcionários ao Estado, suprindo vagas abertas com aposentadorias e demissões em várias áreas da administração – e, é indispensável o des­taque, oferecendo trabalho de elevada qualidade!

Agora, a figura: Antônio Alencar Filho, o popular “Alencar da Caixe­go”. Ele foi diretor administrativo e de RH, eleito pelos colegas e nome­ado por Santillo. Insatisfeito com o fechamento do banco e mais ainda com a pecha que se atribuiu, negativa, à massa trabalhadora da Casa, empenhou-se fortemente, nestes 27 anos, por resgatar a citada dignida­de de seus pares e sua volta ao meio operacional.

Nesse propósito, e após dois mandatos de indiferença dos maiores mandatários por oito anos, Alencar encontrou eco no perfil político-ad­ministrativo do governador Marconi Perillo. O resultado, citei-o nas linhas acima. E o efeito, neste momento, é o realce que vejo e reconheço na luta in­cansável desse guerreiro do bem, o colega Alencar.

A ele e ao governador Marconi, o meu preito de reconhecimento. Acre­dito que a vida se marca de grandes atos, não apenas de longas estradas e gigantescas usinas. Hoje, são mais de três mil de famílias beneficiadas ante a justa aceitação pública de seus entes maculados negativamente naque­le 20 de setembro, há 27 anos. Destes, o Estado aproveita a experiência e a competência de 1.800.

E a História os terá, Marconi e Alencar, como heróis de uma causa ele­vada.

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(Luiz de Aquino, professor, jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras )


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