Brasil

Hipertrofia do Estado é a fonte da crise

Redação DM

Publicado em 31 de dezembro de 2017 às 04:20 | Atualizado há 9 anos

Ve­jo o Bra­sil di­an­te de uma da­que­las en­cru­zi­lha­das his­tó­ri­cas que de­fi­nem por ge­ra­ções o des­ti­no das na­ções. O co­lap­so ins­ti­tu­ci­o­nal – na­tu­re­za da pre­sen­te cri­se – é tam­bém a opor­tu­ni­da­de de re­fun­dar a Re­pú­bli­ca, em ba­ses mais só­li­das, do pon­to de vis­ta mo­ral e es­tru­tu­ral.

A cri­se acor­dou a so­ci­e­da­de, que se tor­nou par­ti­ci­pa­ti­va, atu­an­te, ma­ni­fes­tan­do-se nas re­des so­ci­ais, ho­je con­ver­ti­das em tri­bu­na li­vre da ci­da­da­nia. É ali que o em­ba­te elei­to­ral já es­tá sen­do tra­va­do. Com to­das as im­pu­re­zas de­cor­ren­tes do fac­cio­sis­mo que in­va­diu as re­des, há a voz do ci­da­dão co­mum, até há pou­co um en­te pas­si­vo, que ho­je se faz ou­vir. E ai de quem o ig­no­rar!

O gran­de vi­lão do des­con­cer­to que vi­ve­mos – po­lí­ti­co, eco­nô­mi­co, so­ci­al e mo­ral – é o Es­ta­do hi­per­tro­fi­a­do, dis­fun­cio­nal e in­go­ver­ná­vel, pa­ra­í­so dos que che­gam à vi­da pú­bli­ca não pa­ra ser­vir, mas pa­ra de­lin­quir. O am­bi­en­te tor­nou-se con­vi­da­ti­vo.

O que te­mos as­sis­ti­do nes­tes úl­ti­mos anos – 13 anos e meio da Era PT e o ano e meio de go­ver­no Te­mer – é a po­ten­ci­a­li­za­ção, num grau im­pen­sá­vel, de ma­ze­las his­tó­ri­cas. Cor­rup­ção sem­pre ti­ve­mos, mas não na es­ca­la que se es­ta­be­le­ceu, sis­tê­mi­ca, que ba­na­li­zou o bi­lhão e até o tri­lhão.

O que já veio à to­na até aqui – e ain­da há mais por vir – nos co­lo­ca co­mo cam­pe­ões mun­di­ais em cor­rup­ção. O que se des­vi­ou dos co­fres pú­bli­cos é su­pe­ri­or ao PIB de mui­tos paí­ses.

A len­da de que o PT ti­rou mi­lhões da po­bre­za é ou­tra ba­le­la re­cen­te­men­te des­men­ti­da: pes­qui­sa do Ins­ti­tu­to de Pes­qui­sa Eco­nô­mi­ca Apli­ca­da (Ipea) sus­ten­ta o con­trá­rio.

En­tre 2014 e 2015, se­gun­do man­da­to de Dil­ma Rous­seff, na­da me­nos que 4,1 mi­lhões de bra­si­lei­ros in­gres­sa­ram na li­nha da po­bre­za. Des­se to­tal, 1,4 mi­lhão es­tão na ex­tre­ma po­bre­za. Na mi­sé­ria. Os da­dos fa­zem par­te do Ra­dar IDHM, es­tu­do re­a­li­za­do pe­lo Ipea com ba­se nos da­dos da Pes­qui­sa Na­ci­o­nal por Amos­tra de Do­mi­cí­li­os (PNAD), do IB­GE.

So­mem-se a es­ses da­dos os 14 mi­lhões de de­sem­pre­ga­dos, que os pe­tis­tas que­rem lan­çar na con­ta de Mi­chel Te­mer. Fa­ria sen­ti­do ape­nas se se con­si­de­ras­se que Te­mer foi vi­ce de Dil­ma e apoi­ou to­dos os go­ver­nos pe­tis­tas, sen­do as­sim, ain­da que fi­gu­ra­ti­va­men­te, par­cei­ro na cons­tru­ção des­sa tra­gé­dia.

O Bra­sil é ain­da cam­pe­ão mun­di­al em ho­mi­cí­di­os – cer­ca de 70 mil por ano – e exi­be os pi­o­res ín­di­ces de de­sem­pe­nho es­co­lar do pla­ne­ta. É es­se o pas­si­vo que te­mos de re­sol­ver. Os nú­me­ros as­sus­tam, mas o Bra­sil é bem mai­or que seus pro­ble­mas. Há sa­í­da.

O di­ag­nós­ti­co é o pon­to de par­ti­da pa­ra a te­ra­pêu­ti­ca. Já o te­mos. Re­for­man­do o Es­ta­do, tor­nan­do-o mais en­xu­to, tran­spa­ren­te e fun­cio­nal, da­re­mos um gran­de pas­so pa­ra re­or­ga­ni­zar o pa­ís.

A equa­ção é sim­ples; con­sis­te em tor­nar o Es­ta­do ser­vi­dor da so­ci­e­da­de. Es­sa a lu­ta que con­ti­nu­a­rei a tra­var, não im­por­ta se no Exe­cu­ti­vo ou no Le­gis­la­ti­vo.

 

(Ro­nal­do Cai­a­do, lí­der do De­mo­cra­tas no Se­na­do Fe­de­ral)

 


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