História do “golpe” no Brasil – parte III
Redação DM
Publicado em 11 de maio de 2016 às 02:36 | Atualizado há 10 anos
Nas duas primeiras partes foram esclarecidas as questões ideológicas e filosóficas inerentes a golpe e a revolução, bem como as rupturas políticas conhecidas como, Proclamação de Independência do Brasil em sete de setembro de 1822 por Dom Pedro I; Proclamação da República pelo Marechal Deodoro da Fonseca em quinze de novembro de 1889 e a Revolução Constitucional de 1932. Doravante se fará uma breve análise sobre a ruptura política de 1964, que conforme princípios historiográficos, pode ser conceituada como golpe militar em um governo constitucionalmente legitimo, todavia para os realizadores desta ruptura foi mais uma Revolução heroica que livrou o Brasil da implantação de uma república comunista.
Tudo isso aconteceu devido os seguintes antecedentes históricos ao golpe que podem ser enumerados da seguinte forma. Logo depois do fracasso do Plano Trienal, da economia e dos índices de inflação altíssimos, o governo de João Goulart (Jango) encontrava-se extremamente enfraquecido e sem apoio. Com isso, os movimentos sociais começaram a fazer pressão, exigindo transformações profundas na sociedade. A liderança estudantil da UNE (União Nacional dos Estudantes), exigia o fim da exclusão social e do analfabetismo. Dentro da Igreja Católica surgiram segmentos políticos com orientação socialista um tipo de precursores da Teologia da Libertação, que se juntaram aos estudantes nas manifestações da época.
Com todos esses acontecimentos ocorreu uma rebelião de sargentos em Brasília que buscava direito de se candidatar a cargos eletivos. Essa rebelião foi vista pelo comando das Forças Armadas como ameaça à hierarquia militar. Enfraquecido politicamente, Jango realizou na Estação Central do Brasil no Rio de Janeiro, um grande comício no dia 13 de março 1964, isso se deu na presença de cerca de duzentas mil pessoas, o presidente assinou decretos de grande impacto popular, como a nacionalização das refinarias de petróleo privadas e a desapropriação de terras, para a reforma agrária, situadas às margens de ferrovias e rodovias federais.
Em contrapartida no dia 19 de março, em resposta ao comício do Rio de Janeiro, foi realizada em São Paulo a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”. Neste evento, os manifestantes pediam a Deus e aos militares que salvassem o Brasil do perigo comunista, presente na figura de Jango. O desfecho para o golpe ocorreu quando João Goulart apoiou a manifestação dos marinheiros no Rio de Janeiro, em 30 de março. Este apoio foi o estopim para o Alto Comando acusar o presidente de conivência com os atos de insubordinação que ameaçavam a hierarquia militar.
Foi o que precisava para acontecer a mais traumática ruptura política brasileira, ela ocorreu na madrugada do dia 31 de março de 1964, era um golpe militar que deflagrado foi contra o legalmente constituído governo de João Goulart. A falta de reação do governo e dos grupos que lhe davam apoio foi surpreendente. Não se conseguiu articular os militares legalistas para um contragolpe. Também fracassou uma greve geral proposta pelo CGT (Comando Geral dos Trabalhadores) em apoio ao governo. João Goulart, em busca de segurança, viajou no dia 1º de abril do Rio, para Brasília, e em seguida para Porto Alegre, onde Leonel Brizola tentava organizar a resistência com apoio de oficiais legalistas, a exemplo do que ocorrera em 1961. Apesar da insistência de Brizola, Jango desistiu de um confronto militar com os golpistas e seguiu para o exílio no Uruguai, de onde só retornaria ao Brasil para ser sepultado, em 1976.
A cessação afastou Jango da presidência da República, sendo substituído pelo comando militar do General Costa e Silva, do Brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo e do vice Almirante Augusto Hamann. Esses militares iniciaram o processo de cassação dos mandatos parlamentares, afastando da vida política todos que não se adequassem ao novo sistema. Nesse sentido, o Congresso Nacional foi pressionado de todas as formas pelos militares para a escolha do novo presidente da República. O marechal Humberto de Alencar Castelo Branco foi o escolhido para completar o mandato iniciado por Jânio Quadros após o Golpe Militar, a história da República Brasileira recomeçava com outro olhar. Era o fim da República Populista e o começo do regime militar, que se estendeu até 1985.
Posto isto, se entende que esta ruptura política é a mais caracterizada como golpe na essência do termo, contudo como dito acima muitos que apoiam a pratica defendem que foi uma revolução militar. Contudo fica então esta breve história do “golpe” no Brasil, não se analisando as rupturas do impeachment do ex-presidente Fernando Collor nem a que se pode perceber no momento atual no Brasil que sofrerá ou não, a presidente Dilma Rousseff, ficando estas analises para outra oportunidade.
(Nilton Carvalho, professor, cabeleireiro, teólogo, historiador, pós-graduado em educação pela PUC-Goiás, escritor e conferencista. Contato para palestras e outros ndc30@hotmail.com 062-9987-9969)