Brasil

Hora de acabar com o impeachment

Redação DM

Publicado em 2 de agosto de 2016 às 01:31 | Atualizado há 10 anos

Tem a razão a presidente afastada Dilma Rousseff quando disse, num desabafo, que é hora de acabar com esta agonia. É mesmo hora do país virar esta página, acabar com esta história do impeachment, seja lá qual for o seu final.  A indefinição, por mais que se tenha certeza de que a presidente não voltará ao cargo, é um fator de impedimento da retomada do crescimento econômico. Fica uma dúvida e, na dúvida, todos preferem esperar um pouco mais antes de assumirem um investimento, de iniciar um projeto. Se para a presidente a agonia é não saber se volta ou não ao cargo, para o cidadão comum, ela tem outro significado. É a perda de emprego, é o fim da renda que garantia, bem ou mal, o sustento da família. Já temos doze milhões de desempregados . Boa parte deles, não tenham dúvida, vítimas desta indefinição que travou a economia. Mas, apesar de tudo, o país dá sinais de que começa a recuperar sua confiança. Os índices que indicam a disposição do empresário em investir e do consumidor em consumir, mesmo muito baixos ainda, sinalizam crescimento. E os números mostram que paramos de aprofundar nossa recessão. Se ainda não estamos com índices positivos, pelo menos os negativos já são menores.  E tudo isto acontece porque o novo governo, mas principalmente a nova equipe econômica, anda falando a mesma língua dos que fazem a economia crescer, produzindo e gerando emprego. E também não assusta tanto a classe trabalhadora , hoje mais preocupada em ter seu emprego, mesmo que a custa de mudanças nas  leis trabalhistas e mesmo nas previdenciárias. Não se defende aqui  carta branca ao governo para que faça o que bem entende.  Mas é necessário que se dê a ele condições de governar. E a primeira delas é a segurança jurídica. O fim desta indefinição. Hoje o senador Antonio Anastasia apresenta  seu relatório na Comissão Especial do Impeachment.  Que seja este o primeiro dia do fim da agonia Que os restantes sejam tão céleres quanto possível.

 

(Paulo Cesar de Oliveira, jornalista e diretor-geral das revistas Viver Brasil e Robb Report)

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