Brasil

Impeachment: exercício da democracia

Redação DM

Publicado em 6 de outubro de 2015 às 22:21 | Atualizado há 11 anos

Democracia não é a soberania das urnas, mas sim a soberania da vontade popular. Hoje, quase a totalidade dos brasileiros quer o afastamento de Dilma. Autorizar esse processo é fazer valer a vontade popular.

Não defendo o impeachment de Dilma Rousseff por questões particulares. O fato é que a única solução democrática para o nosso país, a médio e longo prazo, é afastarmos essa presidente.

O cenário do nosso país fala por si. Brasil caindo 18 posições no ranking da competitividade, desemprego alcançando novo recorde com 2 milhões de desempregados, prefeituras fechando as portas, e dá-lhe aumento de impostos, criação de taxas e contribuições em todos os níveis da esfera de poder.

Prefeituras estão quebradas, estados à míngua. O silÊncio em relação a obras e projetos desenvolvimentistas é ensurdecedor.

Em contrapartida, os reajustes, escorados no descontrole econômico provocado pela ausência de gestão, gritam alto! Gasolina e diesel sofreram novo aumento. Na verdade quem sofre e que vem sofrendo nos últimos anos somos nós com esses sucessivos acréscimos na despesa. Digo isso porque não é só o “andar de carro” que passa a pesar mais no orçamento com a gasolina sendo vendida a R$ 3,80 nos postos da capital. Combustíveis mais caros significam fretes mais caros, maior custo para produção e escoamento dos produtos, funcionários mais caros para as empresas, ou seja, alimentos mais salgados na mesa do consumidor.

Os financiamentos para o produtor rural, além de exorbitantes, estão escassos. Nossa safra de grãos, base da nossa agricultura, não deve alcançar resultados empolgantes. Somamos ainda os insumos em dólar, que oscila na média de R$ 4, rodovias sem manutenção provocando demora no transporte, o desperdício da carga e os maiores custos do transporte, ao aumento do combustível. A energia elétrica, mantida com tarifa vermelha, disputa o papel de vilã do orçamento, tanto familiar quanto empresarial e industrial.

Para completar, vem o governo do estado e aumenta o IPVA, o ICMS e o imposto sobre heranças.

Tudo isso pressiona a inflação e o custo de vida vai ficando assim: Insuportável!

Para frear o consumo e conter a inflação o governo aumenta a Selic e os juros. Bom para o trabalhador? Que nada! O resultado é que o sonho da casa própria também vai ficando cada vez mais difícil e mais distante para o brasileiro. É que com a Selic mais cara, sofrendo o  terceiro aumento só este ano, a CEF aumentou os juros do financiamento da moradia.

Então vamos lá! Diante desse cenário, que mais parece um filme de terror pós Armageddon, nós somos as personagens sobreviventes. Com paus e pedras lutamos contra as adversidades, contra esse governo que não prioriza saúde (cortou a farmácia popular), educação, segurança e nem moradia. Que não incentiva e nem sequer permite, graças a políticas atropeladas e equivocadas, que empresários sejam competitivos, que abram mais postos de trabalho e melhorem a qualidade de vida dos trabalhadores.

O impeachment é um processo pesado, que abala as relações econômicas do país, colocando sua credibilidade em cheque, que potencializa os riscos de calote no mercado. Mas tudo isso nós já estamos vivendo! Portanto o afastamento da presidente vem como um divisor de águas, mostrando ao país e ao mundo que este não é o país que queremos. Este não é o nosso Brasil!

O impeachment é necessário para rompermos com esse Brasil repleto de denúncias de corrupção, de manobras fiscais para criação de superávit. Com esse país desgovernado, sem gestão e instável.

Sou um defensor da democracia. E é dessa forma que defendo o impeachment neste momento, pois é o desejo da maioria massacrante dos brasileiros. Defender a democracia não é defender a eleição de uma presidente por maioria dos votos, mas sim poder revogar poderes dados a uma pessoa incompetente para exercê-los. Uma pessoa que nos ludibriou, que hoje faz o inverso do que prometeu para ser eleita.

Realizar o impeachment de Dilma é exercer a democracia!

 

(Sandro Mabel, administrador, empresário, presidente do Sindicato da Alimentação de Goiás, deputado federal pelo PMDB, membro da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público, presidente da Comissão Especial de Regulamentação da Terceirização, coordenador da bancada da infraestrutura, relator da criação da Sudeco e reforma tributária)

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