Impedi-mento ou impea-chment?
Redação DM
Publicado em 10 de janeiro de 2016 às 00:12 | Atualizado há 10 anos
Ministro da Casa Civil e Ministro da Comunicação Social afiançando suas posições de lealdade à justiça? Um presidente sobre quinhentos e doze – proporcionalmente, a maior câmara de deputados do planeta – mantendo-se no poder através de manipulações e conchavos? E, por falar em “impedimento”, não consigo entender a utilização, por parte da imprensa e, agora, generalizada, ou melhor, consagrada, da palavra inglesa “impeachment” que quer dizer, obviamente, impedimento. Desculpem-me alguns, é só para continuar sendo o “do contra”, bem, vou tentar finalizar este primeiro parágrafo senão começarei a embrenhar-me neste assunto que sempre me aborrece e faz-me lembrar do jargão: “O brasileiro é tão bonzinho”.
Inicio este segundo parágrafo registrando a minha indignação diante da perspectiva da Polícia Federal ter suas verbas reduzidas. Ora, ora, ora, ora, não é a Polícia Federal, lógico, com o apoio de todas as outras polícias, que comanda as operações de repatriamento de milhões – e do jeito que vai serão bilhões – de reais, dólares ou euros, como quiserem? Eu não vi e nem ouvi nada que desqualificasse a presidenta para a continuidade no cargo o que estancaria, de certa forma, os rombos e vazamentos aos trilhões, entretanto, quem não sabia que havia corrupção na Petrobrás? Só os vadios que processaram o jornalista Paulo Francis que veio a morrer de desgosto pouco depois. Olha, a verdade é que impedimento ou impeachment não é o problema de primeira grandeza do governo, aliás, mesmo que as nuvens assustadoras do impedimento “passem” o céu continuará sombrio, escuro, assustador e eu acho, só acho, que nem o despertador da bolsa de Pequim será capaz de acordar-nos do tal pesadelo real.
Eu prometi escrever uma série sobre a origem, estruturação e atuação da Polícia Federal e, por falar em operações eu estou ansiosíssimo para ver os desdobramentos da “Operação Zelotes” que está fazendo um ex-presidente comparecer mês sim e mês não para depor, e “óia cumpadri”, não é depoimentozinho não, o “trem” costuma durar mais de cinco horas. Quanta “coisa” esse homem tão humilde, vindo lá do distante sertão, doutorado em universidades do mundo inteiro, fez ou deixou de fazer? Tempos ruins! Até.
(Henrique G. Dias, jornalista)